Sobre o fenómeno Maria Vieira

verdades

 

Eles não sabem nem sonham,

O que é que se cozinha nos bastidores,

Antes de um post da Maria Vieira aparecer!

Eles não sabem nem querem saber

Porque tudo o que a Maria Vieira diz

É considerado assunto principal

Em qualquer ocasião

Eles não sabem nem querem perceber

Porque a Maria Vieira publica um livro

Cheio de insultos

E é a estrela da televisão

E tanto escritor bom

Não tem dinheiro

Para cinco minutos de publicitação!

Eles não sabem e gostavam de saber

E eles têm vergonha de viver

Num país que promove a Maria Vieira

Como a estrela das redes sociais

E omite as ideias de gente mais sensata

E avisada!

Eles não sabem nem sonham,

O que é que se cozinha nos bastidores,

Das palavras da Maria Vieira!

as-9696

Anúncios

Leituras: no coração das trevas

Joseph_ConradJoseph Conrad nasceu na Polónia ocupada dela Rússia. Órfão, foi colocado sob os cuidados de seu tio que permitiu que Conrad viajasse para Marselha e começasse sua carreira como marinheiro com a idade de 17 anos. Em 1878, depois de uma tentativa falhada de suicídio, passou a servir num barco britânico para evitar o serviço militar russo. Conseguiu a nacionalidade britânica em 1886. Em 1895 saiu o seu primeiro romance. Escreveu sempre em inglês. Muitas das obras de Conrad parecem uma adaptação (ficcional) da sua vida no mar.
Um narrador deste romance (um marinheiro?) apresenta Marlow, um marinheiro mais velho, conhecido pela sua vagabundagem e pelas suas histórias. Estão todos em Londres, num barco no rio Tamisa. E é ele quem vai contar, na primeira pessoa, esta história.
Charles Marlow era jovem e desejava conhecer os mares. Depois de várias diligências conseguiu ser nomeado capitão de um barco a vapor, a serviço de uma companhia de comércio de marfim. Não é dito o local mas a interpretação “corrente” é que seria no Rio Congo, para uma companhia belga, durante a época do Estado Livre do Congo.
heartofdarkness2

Depois de ter enterrado o anterior capitão do navio (morto pelos locais), é-lhe dada a tarefa de ir à procura de Kurtz, um chefe de posto muito inteligente (escreveu um relatório com medidas para que os nativos se ocidentalizassem) mas que caiu em desgraça por ter adoptado os seus costumes, se ter tornado um semideus para os nativos e (pior) se ter apossado do marfim como um bem seu.
Marlow não esconde o fascínio por Kurtz, apesar de o tratar quase sempre como o representante do mal. Humaniza-o mas não o compreende.

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz133619-apocalypse
Mas é ambíguo em relação a tudo o resto. Por um lado critica as condições de trabalho do nativo, ao aspecto burocrático e corrupto dos administradores, bem como a falta de informação por parte destes. Por outro lado é claramente racista na forma como apresenta as situações.
Joseph Conrad escreveu um livro para ser lido pelos colonizadores, não pelos colonizados!

Leituras: Doris Lessing e o eterno feminino

Escolhi ler Doris Lessing, de quem já tinha ouvido falar mas da qual ainda não tinha lido nada. Acabei por ler três livros cujas principais protagonistas são mulheres.
Comecei por ler A boa terrorista, um romance centrado em Alice, uma militante comunista desempregada de cerca de 40 anos, e na forma como ela é explorada pelos seus camaradas. Mas Alice não é unidimensional, é um misto de rapariga certinha e menina má.
Depois li Os diários de Jane Somers, que foi uma tentativa da autora escrever sobre pseudónimo. Estes são os diários de Jane Somers, uma jornalista viúva e na meia-idade (40 anos??) e das suas “aventuras” que levam a algum crescimento pessoal. São escritos na primeira pessoa e muito fáceis de ler.
Por fim li A Erva Canta, que procura explicar porque Mary Turner, uma pessoa sem noção de quem era, do que queria ou do mundo em que vivia, casa-se e passado anos de pobreza é assassinada por um empregado negro. A acção passa-se na Rodésia da década de 1960, sob um regime racista de apartheid. É um livro fácil de ler mas desde o inicio tem uma atmosfera deprimente e decadente.

15170902_1812450692377881_6668962685896864339_n

Bem-vindos ao século da austeridade…

19113694_1997853573788489_1132270585627336727_n