Notas (de uma portuguesa) de visita em Lisboa (Setembro de 2017)

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1. Lisboa está melhor em termos urbanos. Mais passeios!
2. O executivo camarário de Fernando Medina (PS) pensou a cidade para os turistas, não para os residentes. Por isso aquilo que me causa alegria quando passeio por Lisboa causa problemas a quem cá vive.
3. Se os residentes não foram tidos em consideração, muito menos terão sido as pessoas que vivem noutros municípios mas trabalham em Lisboa. Aparentemente não há politico que pense nestas pessoas. Para que servem as comunidades intermunicipais?
4. Parece que Fernando Medina pediu às famílias para tentarem ter apenas um carro. A ideia é muito boa, mas parece-me que foi planeada fechado num gabinete, com pouco contacto com a vida real. Que motivações as pessoas têm para deixarem de usar carro? Os transportes públicos são caros. As pessoas precisam de fazer compras e as lojas são longe. Isso entre outros aspectos que não foram tidos em consideração.
5. Gostei da nova face da Biblioteca Municipal das Galveias.
6. Lisboa está-se a tornar cada vez mais cara para os portugueses. As três coisas mais caras:
a) Alojamento
b) Transportes
c) Comida: Comer em restaurantes ou pastelarias é muito caro. Mas também fica caro ir ao supermercado.
7. De acordo com os cartazes expostos, todos se candidatam ao governo de Portugal. Ou isso ou descentralizar muitas responsabilidades do governo para os municípios não é boa ideia.
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O Legado da Década de 1960

mw-860.jpgA revista Visão de inícios de Agosto trouxe em destaque o ano de 1967 e o que mudou nesse ano nos Estados Unidos e depois no mundo. Eu achei o tema interessante e fui pesquisar um pouco mais:

Cultura da droga emergente na classe média

Desde a década anterior que as drogas faziam parte da vida dos jovens – e menos jovens; mas  existiu um clímax nesta década.

– Pacifismo

O movimento contra a guerra do Vietname colocou na moda o pacifismo, que não saiu de moda até hoje

– Consciência Ecológica

Hoje a ecologia tornou-se um estilo de vida: mas muitas ideias-base apareceram na década de 60 do século XX.

– Feminismo

A “segunda onda” do feminismo começou na década de 1960 nos Estados Unidos e espalhou-se por todo o mundo ocidental e além; nos Estados Unidos, o movimento durou até o início da década de 1980; a segunda onda do feminismo ampliou o debate para uma ampla gama de questões: sexualidade, família, mercado de trabalho, direitos reprodutivos, desigualdades de facto e desigualdades legais.

– Vida em comunidade

A cultura hippie rejeitava a  “corrente principal” de ideias (ou seja, o mainstream) e ambicionava mudar a sociedade vivendo fora dela. Por isso comunas, coletivos e comunidades intencionais recuperaram a popularidade durante esta época

– O “Generation Gap”

A divisão percebida inevitável na visão de mundo entre o velho e o novo, talvez nunca foi maior do que durante a era da contracultura. Foi usada cada vez mais para dividir as pessoas, tanto em termos de consumo como em termos políticos.

– Nova Esquerda

«A Nova Esquerda é um termo usado em diferentes países para descrever os movimentos de esquerda que ocorreram em 1960 e 1970. Eles diferem dos movimentos esquerdistas anteriores que tinham sido mais orientados para o trabalho de ativismo, e em vez disso adotando ativismo social.» (da Wikipédia)

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– Movimentos Alternativos de Educação

A ideia de promover o ensino em casa, de experimentar a Pedagogia Waldorf, entre outras, virou moda nessa altura e ainda hoje dá dores de cabeça.

– A Libertação Gay dá os primeiros passos

«A Rebelião de Stonewall foi uma série de violentas manifestações espontâneas de membros da comunidade LGBT contra uma invasão da polícia de Nova York que aconteceu nas primeiras horas da manhã de 28 de junho de 1969, no bar Stonewall Inn, localizado no bairro de Greenwich Village, em Manhattan, em Nova York, nos Estados Unidos. Esses motins são amplamente considerados como o evento mais importante que levou ao movimento moderno de libertação gay e à luta pelos direitos LGBT no país» (da Wikipédia)

– Nova forma de fazer arte: o Happening (Acontecimento)

«Apesar de ser definida por alguns historiadores como um sinônimo de performance, o happening é diferente porque, além do aspecto de imprevisibilidade, geralmente envolve a participação direta ou indireta do público espectador. Para o compositor John Cage, os happenings eram “eventos teatrais espontâneos e sem trama”.» (da Wikipédia)

– Internacional Situacionista

«A Internacional Situacionista (IS) foi um movimento internacional de cunho político e artístico. O movimento IS foi ativo no final da década de 1960 e aspirava por grandes transformações políticas e sociais. A primeira IS foi desfeita após o ano de 1972» (da Wikipédia)

– Muita música: pop, rock psicadélico, estilo experimental, protopunk (antecedente do punk), free jazz, etc.

– Cinema: Nouvelle vague em França; nos Estados Unidos a revogação do Código Hays (ou Motion Picture Production Code) mudou a face do cinema

Tecnologia: o Apple Computer surge como ícone contracultura

– Religião, espiritualidade e ocultismo

«Muitos hippies rejeitaram integrar a organização religiosa em favor de uma experiência espiritual mais pessoal, muitas vezes com base em crenças indígenas e populares. Se eles aderem a crenças tradicionais, hippies eram susceptíveis de abraçar Budismo, Taoísmo, Hinduísmo, Unitário-Universalismo e o Restauracionismo Cristão do Movimento de Jesus. Alguns hippies abraçaram neopaganismo, especialmente Wicca.» (da Wikipédia)

 

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Sim, sou feminista!

Um pouco de história…

O feminismo nasceu, em finais do século XIX e inícios do século XX, quando algumas mulheres mais informadas e activas decidiram lutar pela promoção da igualdade nos direitos contratuais e de propriedade para homens e mulheres, e na oposição de casamentos arranjados e da propriedade de mulheres casadas (e seus filhos) por seus maridos e, também, pelo direito de voto.
Estas causas perderam sentido? Não me parece! Desde finais do século XIX até hoje (inícios do século XXI) muitas batalhas foram ganhas, mas também existiram muitos retrocessos no percurso.
Por isso quando leio este texto de Bela Barbosa percebo que o feminismo ainda faz sentido hoje e que Sim, sou Feminista!

Mas que feminismo?

Com o tempo as mulheres que compunham o movimento trilharam caminhos opostos, desuniram-se entre si. E foram aparecendo tantos feminismos como pastas de dentes, que levaram a guerras de ideias entre mulheres feministas. Uma vergonha para o movimento e para as próprias mulheres!

Neste texto não vou falar do feminismo das outras mulheres e dos outros homens mas do meu… Defendo que (lista adaptada daqui):

– Mulheres são pessoas. Portanto, merecem direitos iguais;

– Mulheres devem ganhar salários iguais aos dos homens no desempenho da mesma função;

– Mulheres não devem ser discriminadas no mercado de trabalho;

– Nenhuma mulher é uma propriedade. Nenhum homem tem o direito de agredir fisicamente ou verbalmente uma mulher, ou ainda determinar o que ela pode ou não fazer;

– Qualquer ato sexual sem consentimento é violação;

– A representação da mulher nos media não se pode nos reduzir a estereótipos;

– Mulheres não são produtos. Não podem ser tratadas como mercadoria, isca para atrair homens, moeda de troca ou prémio;

– A representação das mulheres deve contemplar toda a sua diversidade: somos negras, brancas, negras, magras, gordas, heterossexuais, lésbicas, bi, com ou sem deficiências;

– Amar o próprio corpo e se sentir bem com a própria aparência não deve depender dos padrões da sociedade: merecemos ser aceites pelo que somos, independentemente do nosso aspecto.

Para mim o feminismo só faz sentido como um subcaminho dos direitos humanos: lutar pelos direitos das mulheres é lutar pela humanidade!

Também só faz sentido com homens…

Como se pode ver pela lista, a luta das mulheres não terminou no inicio da década de 1980, altura em que apareceu a ideia de pós-feminismo. Se terminou foi que muitas mulheres abandonaram a luta; outras sequer se preocuparam (preocupam) em entrar nela.

Por outro lado a luta tem tomado caminhos com os quais não me identifico, e dos quais vou falar um pouco neste texto.

Polémicas Inúteis

O feminismo é uma coisa MUITO BOA que se tem perdido em polémicas inúteis. Um desses casos é precisamente a polémica das mamas da Emma Watson.

Veja-se esse caso: a actriz Emma Watson, que sempre se bateu pelos direitos das mulheres, mas foi acusada de ser hipócrita por ter posado para a Vanity Fair e revelado um pouco dos seios. Olá?! O que é que isso tem a ver com o feminismo?

Micro-agressões: criticadas por se queixarem

A prova que a luta pelo feminismo ainda é válida são as microagressões quotidianas. Mas penso que o “policiamento” contínuo dessas agressões acaba por ter efeitos perversos: acaba por dar pretexto aos agressores para se verem como  “vitimas”. Resultado final: nem os agressores mudam nem a vitima muda.

O feminismo é uma bandeira útil e necessária ainda. Mas as mulheres têm de juntá-la a uma análise cuidada da situação politica, económica e social actual: sem essa análise muita luta serão palavras vãs.

O que nao e feminismo

Portugal, Portugal…

Em Portugal a revolução de Abril trouxe finalmente o direito de ser pessoa às mulheres. O feminismo é algo incipiente e mal-visto. Pior: muitas vezes são as mulheres o maior obstáculo à evolução umas das outras.

Tal como em todos os assuntos, as feministas portuguesas refugiam-se em espaços (virtuais ou físicos) fechados e não comunicantes. Cada “associação” é uma “capelinha”, que pouco comunica realmente com as mulheres portuguesas. Muitas vezes nem há real interesse nisso. Vive-se do que as celebridades dizem e fazem e, claro, comenta-se mais as noticias dos Estados Unidos que as noticias portuguesas.

Prova disso: não consegui encontrar em sites e blogues portugueses imagens EM PORTUGUÊS para ilustrar este texto.

Quotas?!

Num mundo ideal não seriam necessárias quotas especiais para mulheres nas empresas e na politica. Durante muitos anos eu fui contra isso. As mulheres têm mérito suficiente para não precisarem delas! Mas como mérito não é tudo… No Portugal de 2017, depois de assistir a tantos retrocessos no país acabei por me render e concordar com quotas de género.

Portanto, não há dúvidas: sou feminista…

E termino com uma citação de Chimamanda Ngozi Adichie retirada de uma revista brasileira online:

«A questão de género é importante em qualquer canto do mundo. É importante que se comece a planejar e a sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos com si próprios. É assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de um outro modo. O modo como criamos nossos filhos homens é nocivo. Nossa definição de masculinidade é muito estreita. Abafamos a humanidade que existe nos meninos, enclausuramo-los numa jaula pequena e resistente. Ensinamos que eles não podem ter medo, não podem ser fracos ou se mostrar vulneráveis, precisam esconder quem realmente são – porque têm de ser, como se diz na Nigéria, homens duros.»

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Nota: Agradeço aos / às membr@s do Clube de Leitura Conversas Livrásticas a inspiração para escrever este texto.

Leituras Complementares: Feminismo na Wikipédia; 11 mentiras batidas sobre feminismo que precisam de ser deletadas (em português do Brasil);  Aprovada lei das quotas de género nas empresas.

Última Actualização: 18/08/2017