Leituras: O ser humano segundo Ursula K. Le Guin

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Às vezes os escritores precisam de morrer para nós reconhecermos o quanto são geniais. Foi isso que aconteceu comigo em relação a Ursula K. Le Guin…
Ursula K. Le Guin nasceu em Berkeley, na Califórnia, a 21 de Outubro de 1929. Era filha de dois antropólogos. Será por isso que analisa tão bem o ser humano? Ou será que é porque se casou com um francês, o historiador Charles A. Le Guin, em 1953? O convívio com o marido francês de certo lhe terá aberto os olhos para as diferenças culturais, se antes isso não tivesse acontecido…
Seja como for, os seus romances estão impregnados de sociologia, antropologia e psicologia. Para quem se interessa por estes temas, é como ler a prática antes (ou depois) de ler a teoria…
Li dois livros de Ursula K. Le Guin: Expulsos da Terra e A Mão Esquerda das Trevas.

Expulsos da Terra
Esta é a história de Luz Falco Cooper, filha de um dirigente de uma colonia num planeta distante (é um livro de ficção científica!!) do seu caminho para uma nova independência. Passa-se num planeta distante mas poderia passar-se em qualquer lugar da Terra.
O livro pode ser lido de várias formas:
• Um livro de ficção científica;
• Um livro feminista;
• Um livro sobre as relações socioeconómicas;
• Um livro sobre o amadurecimento de alguém.

A Mão Esquerda das Trevas

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Temas tratados: os efeitos de sistemas sociais e políticos diferentes, a questão do género, lealdade e traição e a comunicação entre pessoas.
Genly Ai, um humano, é enviado ao planeta Gethen para convencer as suas gentes a integrar o Ecuménio, uma organização cuja função é coordenar as relações entre oito dezenas de planetas. Duas nações dominam Gethen (também chamado de Inverno devido ao seu clima inóspito): Karhide, uma monarquia, e Orgoreyn, dividido em distritos, e governado por líderes que se reúnem em conselhos. Este planeta distingue-se pela androgenia dos seus habitantes: são “ambissexuais”, sem sexo fixo.
Todos os meses estes seres passam pelo kemmer, um período no qual as hormonas femininas ou masculinas assumem predominância e transformam esse ser num homem ou numa mulher, proporcionando-lhes o que necessitam para acasalar e conceber.
O único que ajudará Genly Ai é o primeiro ministro de Gethen, Estraven, que é exilado depois de agir contra a ideia do rei. À medida que o romance avança Genly Ai e Estraven tornam-se mais próximos. Estraven será o factor-chave para o sucesso da missão de Genly Ai. E Genly Ai ao aproximar-se de Estraven tornar-se-á próximo de todo o povo que habita o planeta.
Muito bons, estes livros!

Para Saber Mais:
Opinião: A Mão Esquerda das Trevas | Ursula K. Le Guin
O Génio de Ursula K. Le Guin

 Ursula K Le Guin: ‘I wish we could all live in a big house with unlocked doors’
Discurso de Ursula K. Le Guin nos National Book Awards

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Promoção da leitura e leitura literária em 2017

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«Outro aspecto que importa considerar neste balanço prende-se com o Plano Nacional de Leitura (PNL) relançado em 2017 e envolvendo a substituição do anterior comissário.

Até ao momento, no entanto, pouco se conhece sobre esse processo de relançamento. Em conferência realizada em Novembro na Gulbenkian, tomaram a palavra ou estiveram presentes pelos menos dois ministros, não sei quantos secretários de estado e ex-ministros, além dos costumeiros moderadores vindos da esfera televisiva (ninguém começa a cansar-se disto?) e de uns especialistas em leitura. Por muito que nos custe a constatação, pouco passou de uma operação mediática de sala cheia mas de escasso impacto. Certo é que, até ao momento, nada se sabe sobre o financiamento do PNL em 2018 e sobre as linhas de trabalho e iniciativas concretas a desenvolver para acudir a problemas detectados, como, entre outros, a diminuição dos utilizadores das bibliotecas públicas, a actualização dos fundos das bibliotecas escolares, a crescente necessidade de formação dos professores e educadores no campo da Educação Literária. (Como se vê, não aludo aqui, propositadamente, nem à questão das novas tecnologias nem à da leitura em outros suportes.)

Uma coisa já se percebeu: numa época em que o «literário» se encontra em perda, na sociedade e nas próprias instituições educativas e culturais (não obstante a febre autárquica de festivais literários que nenhum problema de fundo ataca); num tempo em que os jovens evidenciam crescente dificuldade em compreender e interpretar um texto literário ou outros discursos da ordem da complexidade (filosóficos, científicos…), a leitura literária não parece constituir uma prioridade. Neste século XXI, para muitas cabeças pensantes, todas as leituras parecem valer o mesmo (os textos na Internet e noutros suportes electrónicos; as mensagens pessoais; a publicidade; os textos de natureza mais pragmática, não-literários; as obras de literatura…). Ora isto não é verdade, como a investigação comprova.

Detecta-se, por outro lado, em governantes e ex-governantes da área da educação, uma ansiedade não escondida relativamente à necessária – na opinião deles – eliminação das Metas Curriculares do Português e, consequentemente, daquilo que nelas se chama (e a meu ver bem) Educação Literária. Recordo que a este domínio surge associada uma listagem de obras recomendadas (sim, estão lá autores como Sidónio Muralha, Redol, Ilse Losa, Papiniano Carlos, Eugénio de Andrade, Saramago, Pina e vários textos clássicos… – para apenas mencionarmos listas para o ensino básico). A crítica mencionada é feita em nome de uma pretensa falta de liberdade na escolha de obras a ler pelos alunos – como se as Metas não remetessem constantemente para a gigantesca listagem de obras do PNL (e deixo duas perguntas: as Metas têm sido lidas com atenção?; a quem incomoda a existência de uma listagem de obras para a Educação Literária?).

Entretanto, o fim do ano traria uma estranha notícia: o inquérito à fuga de informação no exame nacional de Português de 12.º ano determinou a abertura de um processo disciplinar a uma professora «para apuramento de responsabilidade nesta esfera», afirma o Ministério da Educação – docente que teria sido, antes, presidente da Associação de Professores de Português. Esta é uma das duas associações ligadas a esta disciplina e tem-se manifestado contra as Metas Curriculares de Português e o domínio da Educação Literária, parecendo privilegiar uma abordagem comunicativista e pragmática do ensino da língua que habitualmente tende à desvalorização dos clássicos e do próprio discurso literário.

Mantenho sobre este tema a seguinte posição geral: a escolaridade obrigatória deve permitir a todos (incluindo os filhos da classe operária e dos trabalhadores) o acesso democrático àquilo que é da ordem da complexidade discursiva: literatura, filosofia, obras científicas, historiografia política e económica… Como tal, impõe-se que o ensino obrigatório e as suas práticas de leitura não prescindam dos clássicos e das obras literárias de reconhecida qualidade estética. Impõe-se que seja dada a todos a oportunidade de aprender a ler e desmontar criticamente estes textos mais complexos – caso contrário, favorecer-se-á uma posição elitista, paradoxalmente em nome de uma abordagem alegadamente mais facilitadora e democratizante.»

José António Gomes (1)

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(1) Fonte: Abril Abril.

José António Gomes é escritor, especialista em literatura portuguesa e professor universitário. É mais conhecido pelo pseudónimo João Pedro Mésseder.

Última Actualização: 02/01/2018

As regras essenciais de Michael Pollan para uma alimentação simples e saudável

Saber-Comer«1. Coma comida.

2. Não coma nada que sua avó não reconheceria como comida.

3. Evite produtos alimentares que contenham ingredientes que nenhum ser humano comum teria na despensa.

4. Evite produtos alimentícios que contenham xarope de milho com alto teor de frutose.

5. Evite alimentos que contenham alguma forma de açúcar (ou adoçante) listada entre os três primeiros ingredientes.

6. Evite produtos alimentícios que contenham mais de cinco ingredientes.

7. Evite produtos alimentícios que contenham ingredientes que um aluno do terceiro ano não consiga pronunciar.

8. Evite produtos alimentícios com propaganda de propriedades saudáveis.

9. Evite produtos alimentícios que tenham no nome os termos “light ” , “baixo teor de gordura ” ou ” sem gordura “.

10. Evite alimentos que estejam fingindo ser o que não são.

11. Evite alimentos que você vê anunciados na televisão.

12. Compre nos corredores ao longo das paredes do supermercado e fique longe do centro.

13. Só coma alimentos que acabarão apodrecendo.

14. Coma alimentos feitos com ingredientes que você pode imaginar crus ou crescendo na natureza.

15. Fuja do supermercado sempre que puder.

16. Compre seus lanches na feira.

17. Só coma alimentos que tenham sido preparados por humanos.

18. Não ingira alimentos preparados em locais nos quais se exige que todo mundo use touca cirúrgica.

19. Se veio de um vegetal, coma; se foi fabricado, não coma.

20. Não é comida se chegou pela janela de seu carro.

21. Não é comida se tem o mesmo nome em todas as línguas. (Pense em Big Mac, Cheetos ou Pringles.)

22. Coma principalmente vegetais. Sobretudo folhas.

23. Trate a carne como um ingrediente extra ou um alimento para ocasiões especiais.

24. “Comer o que fica em pé numa perna só [cogumelos e vegetais] é melhor que comer o que fica em pé em duas patas [aves], que é melhor que comer o que fica em pé em quatro patas [vacas, porcos e outros mamíferos].”

25. Faça refeições coloridas.

26. Beba a água do espinafre.

27. Coma animais que se alimentaram bem.

28. Se tiver espaço, compre um freezer.

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29. Coma como um onívoro.

30. Coma alimentos cultivados em solo saudável.

31. Coma alimentos silvestres quando puder.

32. Não se esqueça dos peixinhos oleosos.

33. Coma alguns alimentos que foram pré-digeridos por bactérias ou fungos.

34. Adoce e salgue sua comida você mesmo.

35. Coma os alimentos doces como você os encontra na natureza.

36. Não coma cereais matinais que alterem a cor do leite.

37. “Quanto mais branco o pão, mais depressa você vai para o caixão.”

38. Dê preferência aos tipos de óleo e de grãos tradicionalmente moídos em mós.

39. Coma todas as besteiras que quiser, desde que você mesmo as cozinhe.

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40. Seja o tipo de pessoa que toma suplementos – depois retire os suplementos.

41. Coma mais como os franceses. Ou os japoneses. Ou os italianos. Ou os gregos.

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42. Olhe com ceticismo para os alimentos não tradicionais.

43. Tome um copo de vinho durante o jantar.

44. Pague mais, coma menos.

45. … Coma menos.

46. Pare de comer antes de se sentir satisfeito.

47. Coma quando tiver fome, não quando estiver entediado.

48. Consulte sua barriga.

49. Coma devagar.

50. “O banquete está na primeira garfada.”

51. Passe curtindo uma refeição o mesmo tempo que o investido em prepará-la.

52. Compre pratos e copos menores.

53. Sirva-se de uma boa porção e não repita.

54. “Coma como um rei no café da manhã, como um príncipe no almoço e como um mendigo no jantar.”

55. Coma refeições.

56. Restrinja seus lanches a alimentos vegetais não processados.

57. Não compre seu combustível no mesmo lugar em que compra o de seu carro.

58. Só coma à mesa.

59. Tente não comer sozinho.

60. Trate as guloseimas como guloseimas.

61. Deixe alguma coisa no prato.

62. Plante uma horta, se tiver espaço, e uma jardineira na janela, se não tiver.

63. Cozinhe.

64. Quebre as regras de vez em quando.»

Michael Pollan  (1)

(1) Tradução de HuffPost Brasil.

Os Linques da Semana de 26 de Dezembro

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Sobre Bibliotecas:

António Regedor explica a importância do expurgo em bibliotecas.

73 escolas selecionadas, de todo o País, que terão apoio para um plano de ação de 2 anos, até 2019, no âmbito do  aLer+ 2027, iniciativa do Plano Nacional de Leitura (PNL) e da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE).

No Brasil um abaixo-assinado: Vamos lutar para que o bibliotecário seja incluído na Política Nacional do Livro!

Sobre Leitura e Literatura:

Gonçalo M. Tavares vence Prémio Literário Vergílio Ferreira 2018!

Mundo Artístico…

Como a morte de um ídolo do K-Pop expõe a realidade da vida sob os holofotes da fama!

Bem-vindos ao novo mundo digitalizado…

7 notícias que mostram que robôs querem tomar o lugar dos escritores;

30 things that might be obsolete by 2020;

Algorítmos como grilhões para Conhecimento e Inovação;
E por fim: How Social Isolation Is Killing Us.

Mundo Politico e Não Só…

Francisco Louçã alerta: “Vamo-nos aproximando de um novo colapso financeiro”;
Trabalhadores dos supermercados em greve nesta altura do Natal… E por falar em supermercados: Os milionários negócios da pobreza – Missão Continente;

Têxtil Gramax Internacional despede em Loures;

CTT ou uma pesada herança: Parlamento rejeita regresso dos CTT a empresa do Estado (a sério senhores?). CTT: crónica de um saque anunciadoCTT quer reduzir até 800 pessoas em três anos!

Pioneirismo ou aventureirismo? Isto a propósito da entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital do banco Montepio.

Alojamento local: um problema com muitas soluções, mas parco em consensos

As “prendas” nos “sapatinhos” dos partidos políticos

Estamos em plena loucura da bitcoin: Bitcoin faz novos milionários da noite para o dia. Mas: Não te endivides para comprar bitcoins, idiota. Calma porque… Criptomoedas: nenhuma sobreviverá sem um exército.

Atenção: Destruir o planeta para criar milionários!

O que acontece depois do #MeToo (#EuTambém) se tornar útil aos conservadores? O que será do feminismo depois de 2017? E porque é que Ian McKellen diz que algumas atrizes também trocaram sexo por trabalho?

Quero colocar nestes “linques da semana” alguns linques sobre Donald Trump e os Estados Unidos em 2017 mas falta sempre espaço…

Organização Pessoal e Outros Assuntos:

Dançar pode deter o envelhecimento?

O que realmente nos faz felizes? Uma pesquisa da Universidade de Harvard tenta responder!

5 dicas para sobreviver aos saldos!

Sobre o “Slow Blogging”… prática que me parece ser interessante!