Leituras: O paradoxo sexual?!

Enquanto feminista gosto de pensar sobre estes assuntos:
Os homens são o sexo forte? Ou serão as mulheres? A paridade deve ser exigida pelas mulheres ou não?
Este livro trata disso!
“Os homens são de extremos por isso morrem mais cedo”, dizem-me às vezes. O senso comum. A autora procura demonstrar esta tese.

O-Paradoxo-Sexual
Susan Pinker é psicóloga e colunista no The Wall Street Journal. Este livro foi editado em 2008.
A tese da autora é que a situação das mulheres no mundo do trabalho deve-se sobretudo às suas características biológicas e psicológicas, que as faz ser mais empáticas, preocupadas com os outros e claro, com os seus filhos. Para Susan Pinker, muitas mulheres que têm escolha (que fazem parte das elites) acabam por deixar os empregos mais competitivos para se dedicarem à família e/ou a empregos menos remunerados e de menos poder mas onde se sentem melhor.
Susan Pinker demonstra as suas ideias através de:
a) Entrevistas às mulheres das elites referidas anteriormente. Todas dizem milagrosamente (ou não) a mesma coisa.
b) Sistematização de estudos realizados por cientistas de várias áreas (sobretudo da área da biologia, mas também alguns das ciências sociais e humanas) das universidades norte-americanas e europeias, às quais não faz qualquer tipo de análise à metodologia usada nem a qualquer aspecto: aceita todos os resultados como se fossem A Verdade.
Susan Pinker consegue até certo ponto demonstrar as suas ideias. Que não haja dúvidas que concordo com ela:
As mulheres são Biologicamente e Psicologicamente DIFERENTES dos homens e isso interfere na forma como vivem e nas suas escolhas.
Mas a própria autora chega à conclusão que a sociedade tem de ser um factor a ter em conta: existe a interferência de um factor chamado A Sociedade Que Discrimina as Mulheres Disfarçadamente (Note-se que Eu Defendo Que As Mulheres Não São Sempre Vítimas).
De facto, todos os empregos fora do lar foram inicialmente pensados e ocupados por homens solteiros e/ou casados-com-mulher-a-cuidar-sempre-dos-filhos, com horários de 16 horas por dia, no mínimo. Ter vida familiar é um sonho irrealizável nestes empregos e a autora quase que defende que continue a ser assim. Quase!… Na conclusão dá de facto a entender que se preocupa com essa situação!
Por exemplo, eis a análise que a autora faz da situação das advogadas nos Estados Unidos:
«Embora se sentisse sozinha, a sensação de estar deslocada era uma característica do movimento em massa das mulheres dos anos de 1970 e 1980 para entrar em carreiras tipicamente masculinas. A maior parte desses ambientes de trabalho não se adaptou às mulheres – e também não se esperava que o fizessem. (…) Desde que a legislação de direitos iguais modificou a paisagem laboral, mais mulheres entraram em advogacia do que em qualquer outra profissão outrora masculina. No entanto, não foi feita grande coisa para alterar a fórmula para promoções e associações em gabinetes de advogados (…)»
Aqui temos a chamada Sociedade a interferir nas escolhas das mulheres!
Resumindo:
– Existem factores biológicos e psicológicos que interferem na escolha das carreiras pelas mulheres e que têm de ser respeitados;
– A sociedade é um factor que não pode ser menorizado;
– A paridade absoluta entre homens e mulheres é inalcançável.

Leitura de: Susan Pinker, O paradoxo sexual (Lisboa, Planeta, 2011)

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Leituras: Ciência da treta e medicina baseada na evidência

Ciencia-tretaBen Goldacre é um médico, professor universitário e divulgador de ciência. É investigador no Centro de Medicina Baseada na Evidência da Universidade de Oxford e fundou o AllTrials, um projecto que defende que todas as investigações médicas devam estar acessíveis a todos os investigadores, em modo de acesso aberto (open acess). Para além disso tem um blogue, o Bad Science.

Este livro pretende divulgar o que é a ciência e a analisar a forma como a ciência é vivida e percebida, o que nos induz em erros de análise e más escolhas posteriores.

Começa por nos tentar explicar como se faz uma experiência e o que é o método científico, mostrando aquilo que considera ser pseudociência. Como exemplo de pseudociência fala da moda dos detoxs.

Explica também como deve ser um ensaio clínico e randomizado. O autor é um defensor acérrimo destes ensaios. Pensa que a única solução possível é os grupos de controlo tomarem placebo, apesar de aparentar as questões éticas à volta desse assunto (ver livro de Sonia Shah, Cobaias humanas).

Ensaio clínico randomizado: desenho

Ben Goldacre elogia a imenso a Cochrane, uma organização sem fins lucrativos independente baseada no voluntariado de profissionais de saúde, que leva a cabo revisões sistemáticas de ensaios controlados aleatórios de intervenções médicas e procura divulgar os resultados e conclusões que deles derivam.

Ao longo do livro também há criticas à industria farmacêutica – há um capitulo dedicado a elas.

E mostra como os media contribuem para a incompreensão da ciência por parte do público.

O autor chama a atenção que a época gloriosa da medicina ocorreu entre 1935 e 1975, no entanto essa época terminou. Hoje em dia são dados apenas pequenos passos para a melhoria da saúde das pessoas (Certamente Sonia Shah tem razão quando fala das muitas investigações inúteis feitas actualmente).

Para além disso, grande parte do livro analisa aquilo a que o autor chama pseudociência: a homeopatia (o autor considera que não tem credibilidade enquanto medicina e explica porquê); explica o que é o efeito placebo e como isso interfere na relação médico-paciente; a indústria cosmética (como vive do marketing cheio de hipérboles e ilusões); o nutricionismo, quando ele procura isolar apenas um nutriente (aqui o autor faz criticas muito semelhantes a Michael Pollan); critica a mentalidade segundo a qual todos os problemas de saúde e/ou sociais se resolvem com um comprimido; fala de polémicas antivacinação (que no Reino Unido começaram em 1998).

Este é um livro que deve ser lido por todos NÓS, desde doentes e futuros doentes. E também por  médic@s, enfermeir@s, políticos e todos os que praticam medicinas alternativas. Coloca muitas questões importantes sobre o que fazer com a nossa saúde e em quem acreditar. Levanta questões importantíssimas!

Não saí deste livro com vontade de tabelar tudo o que não é medicina convencional de pseudociência. Continuo a defender que as medicinas alternativas e complementares devem ser consideradas legitimas mas também exijo mais e melhor regulação (desejo que não tem sido atendido em Portugal ultimamente, pelo que me apercebo).

Leitura de: Ben Goldacre, Ciência da treta (Lisboa, Bizâncio, 2009)

Ver Também:

O que é a Medicina baseada na Evidência?

Medicina convencional sim, medicinas alternativas sim! (Abril 2017)

Hoje lembrei-me de Gilles Lipovetsky

«Anunciou-se precipitadamente o fim da sociedade de consumo quando é claro que o processo de personalização não para de lhe alargar as fronteiras. A recessão presente, a crise energética, a consciência ecológica não são o toque de finados da sociedade de consumo: estamos destinados a consumir, ainda que de outro modo, cada vez mais objectos e informações, desportos e viagens, formação e relações, música e cuidados médicos. É isso a sociedade pós-moderna: não o para além do consumo, mas sua apoteose, a sua extensão à esfera privada, à imagem e ao devir do ego chamado a conhecer a obsolescência acelerada, da mobilidade, da desestabilização. Consumo da sua própria existência através dos media desmultiplicados, dos tempos livres, das técnicas relacionais, o processo de personalização gera o vazio em technicolor, a flutuação existencial na e pela abundância de modelos, mesmo que condimentados de convivialidade, de ecologismo, de psicologismo. Estamos na segunda fase da sociedade de consumo, cool e já não hot, consumo que digeriu a crítica da opulência.»

Gilles Lipovetsky

Catalunha

mapa-catalunha
Por mim, por mais que se leia que a nação é uma invenção, as independências têm ainda assim vez e legitimidade!!
Sou apoiante da ideia da Catalunha independente, mas não concordo com tudo o que Carles Puigdemont e o seu partido enquanto poder fizeram. Provavelmente eles têm feito o melhor que podem. Não percebo que ilusões levaram Puigdemont até Bruxelas!!

Ver Também:

Puigdemont em liberdade condicional

Puigdemont e quatro ex-conselheiros sob custódia

Catalunha. Sondagem dá vitória a pró-independentistas mas sem maioria

Justiça belga dá pressa à detenção de Puigdemont

Espanha: Movimentos Separatistas (Catalunha)

Catalunha: Justiça marca datas para ouvir Puigdemont e aplica-lhe fiança milionária

Catalunha, a liberdade não é um posto

Deputados catalães aprovam declaração unilateral da independência

A map of Europe’s separatist movements

Constituição espanhola de 1978

História da Catalunha. Relato de uma submissão indesejada

Há 800 anos, a Catalunha era parte de Espanha?

Rei de Espanha fala em “deslealdade inadmissível” na Catalunha