Hoje lembrei-me de Gilles Lipovetsky

«Anunciou-se precipitadamente o fim da sociedade de consumo quando é claro que o processo de personalização não para de lhe alargar as fronteiras. A recessão presente, a crise energética, a consciência ecológica não são o toque de finados da sociedade de consumo: estamos destinados a consumir, ainda que de outro modo, cada vez mais objectos e informações, desportos e viagens, formação e relações, música e cuidados médicos. É isso a sociedade pós-moderna: não o para além do consumo, mas sua apoteose, a sua extensão à esfera privada, à imagem e ao devir do ego chamado a conhecer a obsolescência acelerada, da mobilidade, da desestabilização. Consumo da sua própria existência através dos media desmultiplicados, dos tempos livres, das técnicas relacionais, o processo de personalização gera o vazio em technicolor, a flutuação existencial na e pela abundância de modelos, mesmo que condimentados de convivialidade, de ecologismo, de psicologismo. Estamos na segunda fase da sociedade de consumo, cool e já não hot, consumo que digeriu a crítica da opulência.»

Gilles Lipovetsky

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Sobre Amizades & Facebook

Amizade ena Rede Sociai

Sobre a Amizade
1. Há poucos “amigos para sempre”.
2. Há pessoas próximas que se afastam de nós, por circunstâncias da vida pessoal. Esses amigos tornam-se conhecidos, mas há sempre a hipótese de voltar a haver proximidade.
3. Outros fazem-nos mal, decepcionam-nos. Esses deixam de ser amigos.
4. É bom ter amigos diferentes de nós.
5. Há coisas que os amigos nos fazem que nós não gostamos mas mesmo assim a amizade deve prevalecer.
6. Há coisas que os amigos nos fazem que nós não gostamos que não devemos perdoar.
7. As pessoas evoluem de maneira diferente. Mudam pensamentos, maneiras de ser e estar. Por isso às vezes é mais fácil estarmos com desconhecidos que com amigos.
8. É muito bom quando desconhecidos (ou conhecidos) se tornam amigos.
9. Não devemos perder muito tempo com pessoas que não perdem tempo connosco. Afinal, não podemos viver só com migalhas de amizade! Por outro lado, não vale a pena estar sempre a medir tudo, inclusive o tempo que perdemos com os outros.
10. Se há oportunidade de conhecer pessoas novas, de alargar horizontes, devemos aproveitá-las.

Sobre o Facebook e as redes sociais
1. Há muitos amigos do Facebook que são apenas conhecidos, outros mesmo desconhecidos. Fica o aviso.
2. Temos de ter cuidado com o que escrevemos nas redes sociais. Deveríamos seguir a regra “não colocar na internet algo que não queiramos que a nossa mãe ou o nosso chefe visse”.
3. O que se passa no Facebook faz parte da nossa vida.
4. A propósito, nas redes sociais vigoram as mesmas leis que no dia-a-dia.

 

Ler Também: Redes Sociais – Blogs, Amizades Online, Interacções e Privacidade.

Sobre o fenómeno Maria Vieira

verdades

 

Eles não sabem nem sonham,

O que é que se cozinha nos bastidores,

Antes de um post da Maria Vieira aparecer!

Eles não sabem nem querem saber

Porque tudo o que a Maria Vieira diz

É considerado assunto principal

Em qualquer ocasião

Eles não sabem nem querem perceber

Porque a Maria Vieira publica um livro

Cheio de insultos

E é a estrela da televisão

E tanto escritor bom

Não tem dinheiro

Para cinco minutos de publicitação!

Eles não sabem e gostavam de saber

E eles têm vergonha de viver

Num país que promove a Maria Vieira

Como a estrela das redes sociais

E omite as ideias de gente mais sensata

E avisada!

Eles não sabem nem sonham,

O que é que se cozinha nos bastidores,

Das palavras da Maria Vieira!

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Tornar o homem num objecto: processo em curso

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«O corpo masculino é hoje celebrado como objecto de interesse sexual, desportivo ou lúdico. O ideal popular passou a valorizar o porte atlético considerando-o verdadeiro atributo do homem. Os modelos são sempre jovens, bonitos, perfeitos. A televisão mostra permanentemente imagens de gente bonita e magra, eles musculados e confiantes, dançando com mulheres igualmente bonitas, magras e sexy.

Apesar de existirem homens que não perseguem activamente os novos padrões corporais masculinos, muitos idealizam-nos e consideram-nos um objectivo social e cultural a atingir a todo o custo. Facilitando esse objectivo, há uma verdadeira explosão de produtos que pretendem melhora a apresentação do corpo masculino: aparelhos mecânicos de treino, suplementos dietéticos, injecções anabolisantes, massagens, cremes cutâneos, programas de treinos, monitorização fisiológica em tempo real.
Há uma preocupação masculina, intensa e permanente, em manter um bom aspecto físico. Não é uma preocupação com a saúde, é antes uma pura preocupação com a imagem.
Um estudo que realizei e publiquei há alguns anos, com uma amostra de 498 jovens adultos portugueses entre os 18 e os 25 anos, mostrou que o principal foco de desagrado dos jovens é a barriga, imediatamente seguido do nariz. O terceiro foco são os genitais. Quase metade dos homens afirmou-se insatisfeita com a estatura, quase todos desejando ser mais altos. Afirmaram-se insatisfeitos com o seu peso um pouco mais de metade dos inquiridos. Porque eram gordos? Não. Sessenta por cento desse grupo queria ter mais peso. Ou seja, mais músculo.
A auto-estima e o modo como cada um se julga a si próprio, quase exclusivamente através da aparência, desenvolve a exigência de um ideal, que muitas vezes pode levar a uma exagerada avaliação de si mesmo, tornando-se extremamente crítico com qualquer mínima imperfeição ou anormalidade. Felizmente, a maioria dos homens tem uma imagem realística, por vezes conformada, de si próprios. Apenas uma pequena percentagem dos homens tem verdadeiros problemas com a sua imagem corporal. (…)»
Nuno Monteiro Pereira

Nota: Artigo publicado na revista Sauda+, em 03-07-2017.

Leituras complementares:
Como é o corpo perfeito de um homem segundo as mulheres?
Crise econômica levou ao surgimento do ‘spornsexual’
Lumbersexual, Spornsexual são tipo Metrossexual