Poema escrito depois da ameaça de encerramento da revista Visão ser notícia

they-live-06

Queria ter outra visão

Por isso comprava a revista Visão

Era uma revista que me punha a pensar

Era uma revista que me desafiava

Depois veio a remodelação

Depois veio a nova imagem

E a revista passou a parecer-se

Com um suplemento da Caras e da Activa

E menos com o Courrier Internacional

E eu como não gosto de maras,

Deixei de comprar!

Era a minha revista preferida,

Com artigos que não se encontravam

Em lado nenhum!

Sínteses semanais

Opiniões portuguesas uteis,

Opiniões estrangeiras interessantes,

Sem artigos roubados à Time!

Mas eles queriam inovar,

Mas eles queriam mais lucros,

E estragaram a minha revista favorita!

Parece que as inovações

Lhe trouxeram mais uns milhões

De vendas!

(Eu não comprei!)

Mas que a divida é tão grande

Que nem com inovações

Será suficiente: o império tem de cair,

Para os chacais sobreviverem!

 

Para saber mais: VISÃO aumenta liderança face à concorrência (notícia da revista de 30-08-2017); Balsemão: 80 anos, um império em risco e um Marcelo no sapato (resumo de uma biografia do proprietário da Visão).

Anúncios

Desode à pobreza em Nova Iorque

1920px-New_York_Midtown_Skyline_at_night_-_Jan_2006_edit1

Lê-se no jornal a notícia

Mais de 100 mil alunos das

Escolas públicas de Nova Iorque

Não têm casa”.

Nova Iorque, cidade que nunca dorme!

Nova Iorque, terra de sonhos!

Glamour, moda e muito sexo!

Dinheiro, acções, dinheiro!

Estados Unidos, terra de oportunidade,

Para ricos.

Estados Unidos, terra de desespero,

Para pobres.

Se tens dinheiro vai até Nova Iorque,

Vai ser tratado como um rei!

Se és pobre,

Não vás!

Nova Iorque, terra em que a marginalidade,

Começa na primária,

E a pobreza também!

Nova Iorque, terra dos nossos sonhos,

Românticos e irreais!

O Legado da Década de 1960

mw-860.jpgA revista Visão de inícios de Agosto trouxe em destaque o ano de 1967 e o que mudou nesse ano nos Estados Unidos e depois no mundo. Eu achei o tema interessante e fui pesquisar um pouco mais:

Cultura da droga emergente na classe média

Desde a década anterior que as drogas faziam parte da vida dos jovens – e menos jovens; mas  existiu um clímax nesta década.

– Pacifismo

O movimento contra a guerra do Vietname colocou na moda o pacifismo, que não saiu de moda até hoje

– Consciência Ecológica

Hoje a ecologia tornou-se um estilo de vida: mas muitas ideias-base apareceram na década de 60 do século XX.

– Feminismo

A “segunda onda” do feminismo começou na década de 1960 nos Estados Unidos e espalhou-se por todo o mundo ocidental e além; nos Estados Unidos, o movimento durou até o início da década de 1980; a segunda onda do feminismo ampliou o debate para uma ampla gama de questões: sexualidade, família, mercado de trabalho, direitos reprodutivos, desigualdades de facto e desigualdades legais.

– Vida em comunidade

A cultura hippie rejeitava a  “corrente principal” de ideias (ou seja, o mainstream) e ambicionava mudar a sociedade vivendo fora dela. Por isso comunas, coletivos e comunidades intencionais recuperaram a popularidade durante esta época

– O “Generation Gap”

A divisão percebida inevitável na visão de mundo entre o velho e o novo, talvez nunca foi maior do que durante a era da contracultura. Foi usada cada vez mais para dividir as pessoas, tanto em termos de consumo como em termos políticos.

– Nova Esquerda

«A Nova Esquerda é um termo usado em diferentes países para descrever os movimentos de esquerda que ocorreram em 1960 e 1970. Eles diferem dos movimentos esquerdistas anteriores que tinham sido mais orientados para o trabalho de ativismo, e em vez disso adotando ativismo social.» (da Wikipédia)

a-tropiclia-e-a-produo-cultural-brasileira-na-dcada-de-60-2-728

– Movimentos Alternativos de Educação

A ideia de promover o ensino em casa, de experimentar a Pedagogia Waldorf, entre outras, virou moda nessa altura e ainda hoje dá dores de cabeça.

– A Libertação Gay dá os primeiros passos

«A Rebelião de Stonewall foi uma série de violentas manifestações espontâneas de membros da comunidade LGBT contra uma invasão da polícia de Nova York que aconteceu nas primeiras horas da manhã de 28 de junho de 1969, no bar Stonewall Inn, localizado no bairro de Greenwich Village, em Manhattan, em Nova York, nos Estados Unidos. Esses motins são amplamente considerados como o evento mais importante que levou ao movimento moderno de libertação gay e à luta pelos direitos LGBT no país» (da Wikipédia)

– Nova forma de fazer arte: o Happening (Acontecimento)

«Apesar de ser definida por alguns historiadores como um sinônimo de performance, o happening é diferente porque, além do aspecto de imprevisibilidade, geralmente envolve a participação direta ou indireta do público espectador. Para o compositor John Cage, os happenings eram “eventos teatrais espontâneos e sem trama”.» (da Wikipédia)

– Internacional Situacionista

«A Internacional Situacionista (IS) foi um movimento internacional de cunho político e artístico. O movimento IS foi ativo no final da década de 1960 e aspirava por grandes transformações políticas e sociais. A primeira IS foi desfeita após o ano de 1972» (da Wikipédia)

– Muita música: pop, rock psicadélico, estilo experimental, protopunk (antecedente do punk), free jazz, etc.

– Cinema: Nouvelle vague em França; nos Estados Unidos a revogação do Código Hays (ou Motion Picture Production Code) mudou a face do cinema

Tecnologia: o Apple Computer surge como ícone contracultura

– Religião, espiritualidade e ocultismo

«Muitos hippies rejeitaram integrar a organização religiosa em favor de uma experiência espiritual mais pessoal, muitas vezes com base em crenças indígenas e populares. Se eles aderem a crenças tradicionais, hippies eram susceptíveis de abraçar Budismo, Taoísmo, Hinduísmo, Unitário-Universalismo e o Restauracionismo Cristão do Movimento de Jesus. Alguns hippies abraçaram neopaganismo, especialmente Wicca.» (da Wikipédia)

 

slide-anos-60-16-728

 

Leituras: no coração das trevas

Joseph_ConradJoseph Conrad nasceu na Polónia ocupada dela Rússia. Órfão, foi colocado sob os cuidados de seu tio que permitiu que Conrad viajasse para Marselha e começasse sua carreira como marinheiro com a idade de 17 anos. Em 1878, depois de uma tentativa falhada de suicídio, passou a servir num barco britânico para evitar o serviço militar russo. Conseguiu a nacionalidade britânica em 1886. Em 1895 saiu o seu primeiro romance. Escreveu sempre em inglês. Muitas das obras de Conrad parecem uma adaptação (ficcional) da sua vida no mar.
Um narrador deste romance (um marinheiro?) apresenta Marlow, um marinheiro mais velho, conhecido pela sua vagabundagem e pelas suas histórias. Estão todos em Londres, num barco no rio Tamisa. E é ele quem vai contar, na primeira pessoa, esta história.
Charles Marlow era jovem e desejava conhecer os mares. Depois de várias diligências conseguiu ser nomeado capitão de um barco a vapor, a serviço de uma companhia de comércio de marfim. Não é dito o local mas a interpretação “corrente” é que seria no Rio Congo, para uma companhia belga, durante a época do Estado Livre do Congo.
heartofdarkness2

Depois de ter enterrado o anterior capitão do navio (morto pelos locais), é-lhe dada a tarefa de ir à procura de Kurtz, um chefe de posto muito inteligente (escreveu um relatório com medidas para que os nativos se ocidentalizassem) mas que caiu em desgraça por ter adoptado os seus costumes, se ter tornado um semideus para os nativos e (pior) se ter apossado do marfim como um bem seu.
Marlow não esconde o fascínio por Kurtz, apesar de o tratar quase sempre como o representante do mal. Humaniza-o mas não o compreende.

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz133619-apocalypse
Mas é ambíguo em relação a tudo o resto. Por um lado critica as condições de trabalho do nativo, ao aspecto burocrático e corrupto dos administradores, bem como a falta de informação por parte destes. Por outro lado é claramente racista na forma como apresenta as situações.
Joseph Conrad escreveu um livro para ser lido pelos colonizadores, não pelos colonizados!