Poema escrito depois da ameaça de encerramento da revista Visão ser notícia

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Queria ter outra visão

Por isso comprava a revista Visão

Era uma revista que me punha a pensar

Era uma revista que me desafiava

Depois veio a remodelação

Depois veio a nova imagem

E a revista passou a parecer-se

Com um suplemento da Caras e da Activa

E menos com o Courrier Internacional

E eu como não gosto de maras,

Deixei de comprar!

Era a minha revista preferida,

Com artigos que não se encontravam

Em lado nenhum!

Sínteses semanais

Opiniões portuguesas uteis,

Opiniões estrangeiras interessantes,

Sem artigos roubados à Time!

Mas eles queriam inovar,

Mas eles queriam mais lucros,

E estragaram a minha revista favorita!

Parece que as inovações

Lhe trouxeram mais uns milhões

De vendas!

(Eu não comprei!)

Mas que a divida é tão grande

Que nem com inovações

Será suficiente: o império tem de cair,

Para os chacais sobreviverem!

 

Para saber mais: VISÃO aumenta liderança face à concorrência (notícia da revista de 30-08-2017); Balsemão: 80 anos, um império em risco e um Marcelo no sapato (resumo de uma biografia do proprietário da Visão).

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Isso está incomodar as pessoas, essa pressão social para “encontrar a sua paixão”…

«Isso está incomodar as pessoas, essa pressão social para “encontrar a sua paixão” e “saber o que é que você quer fazer”. É perfeitamente bom viver seus momentos plenamente e maravilhar-se com muitas paixões pequenas e grandes, muitos pequenos e grandes propósitos quem entram e saiem da sua vida. Para muitas pessoas, não há compreensão, nem felicidade a seguir, nem descoberta do propósito de sua vida. Isso não é triste; é apenas a maneira que as coisas são. Pare de tentar encontrar a floresta e aproveite as árvores.»

Sally Coulter

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Nota: Quem é Sally Coulter? Esta pessoa existe mesmo? Não consegui encontrar respostas a estas perguntas!!! Mas este pensamento vale a pena ser partilhado.

Três Heroínas (Junho 2016)

Apresento-te três heroínas…

Nélia

A primeira heróina que vos vou apresentar é a Nélia!

A Nélia trabalha numa biblioteca municipal. Para além disso é mãe, filha, irmã.

Desde que nasceu convive com a deficiência da irmã mais velha, dando todos os dias lições de abertura à diferença.

Casou, tem dois filhos lindos. Tem ajudado os pais a enfrentar as respectivas doenças. E pelo meio ainda fez uma licenciatura. Uma grande mulher, portanto!

 

Lisete

A segunda heróina é a Lisete. Ela é socióloga.

Trabalhou durante alguns anos uma associação de Leiria fazendo serviço à comunidade, lidando com arrumadores de carros.

Depois, ficou desempregada. Mas por pouco tempo: decidiu criar uma associação sem fins lucrativos com três objectivos: Apoiar crianças e jovens; Apoio à  família; Apoio à integração social e comunitária… com outras pessoas na mesma situação. “Arregaçou as mangas”, portanto!

Durante os últimos anos a Lisete tem sido a presidente dessa associação, desenvolvido inúmeros projectos para apoio a toxicodependentes e para a integração da população do Bairro Social Cova das Faias (ciganos, sobretudo).

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Marine

A Marine é, das três, a mais conhecida. Escreveu o livro Cancro com Humor,aparece na televisão, escreve para o jornal “i”, tem um blogue,…

A Marine teve um cancro aos 13 anos e sobreviveu!

Depois de tirar uma licenciatura e estar desempregada durante algum tempo, decidiu criar o projecto “Cancro com Humor”, que traz esperança e humor a pessoas com cancro e seus familiares.

A Marine distingue-se por desde sempre ter assumido as suas imperfeições e pela sua sinceridade, para além do bom humor, claro!

 

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O que a Nélia, a Lisete, a Marine e outros amigos me ensinaram até hoje, com as suas palavras, mas sobretudo com as suas acções, é que não é preciso ser perfeita para ser heróina.

E eu tenho beneficiado muito destas lições pois, como sabem, sou uma pessoa perfeccionista e com um tremendo Síndrome do Impostor!

Vocês sabiam que… Os verdadeiros heróis só raramente aparecem na TV? O verdadeiros heróis somos cada UM de nós?

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Querem um exemplo?

Uma pessoa trabalha das 9h às 17h. E depois vai para casa fazer mil coisas úteis à sociedade mas que ninguém vê!

Outra pessoa é empresário. Trabalha até aos Domingos!

Outra pessoa estuda.

Outra pessoa está desempregado ou desempregada.

Outra pessoa quase a perder a Esperança ou que está em depressão!

Tantas pessoas desesperadas que emigram!

Outra que luta ou lutou contra o cancro ou outras das mil e duas “doenças modernas”!

Tanta gente que não tem dinheiro para pagar o empréstimo da casa e mesmo assim pode ser chamado de heróí!

Quem és mãe, pai, irmão ou irmã!

Na nossa sociedade egoísta, até às vezes dar apoio e amizade a alguém pode ser considerado um acto heróico!

O emprego menos valorizado mas muito heróico: ser “dona de casa”! Fazer mil e duas coisas úteis à sociedade e ninguém ver!

Já para não falar, claro, dos corajosos que pisam o palco e fazem discursos!

Como disse Theodore Roosevelt:

«O crédito pertence ao homem que está de facto na arena, com o rosto desfigurado pela poeira, suor e sangue; que se esforça com valentia; que erra, que falha vezes sem conta, pois não há esforço sem erros e falhas; mas que se esforça realmente para lograr as suas acções; que conhece grande entusiasmo, grandes devoções; que se consome por uma causa digna».

Sabias que… Os verdadeiros heróis são pessoas normais que fazem coisas normais de forma extraordinária?

Sabias que…  Cada vez que fazes muita coisa invisivel, que ninguém dá valor, e por isso és um herói?

Sabias que…  cada vez que te arriscas emocionalmente ou profissionalmente e te expões, és um herói? Porque isso é o verdadeiro berço da inovação, da criatividade e da mudança!

Por isso… Não se deixem convencer que não são suficientemente bons! Não deixem que lhes digam que não são heróis!

– Todos os temos um herói dentro de nós

– Não temos de ter medo nem vergonha do que somos

– Mesmo quando erramos merecemos consideração, pois não deixamos de ser heróis ao Fazer e ao Tentar

Portanto… Não te esqueças que tens um herói dentro de ti!

Força, és o meu herói! Força, és a minha heroína!

Leiria, 2014: O alternativo é o novo mainstream?

«E vai daí, parece que a chamada ‘Grande Cultura’ (a dominante, a predominante, a reinante… essa toda!) já não é aquela coisa inquestionável, indiscutível, incontestável. O espectro alargou-se de tal forma que o alternativo é o novo mainstream. Será?

A boa notícia é que quando se vai aos saldos, já não é preciso gramar com o unts unts unts unts… onde somos todos obrigados a ser jovens e modernos, e a saltar ao som de frases soltas sobre amor. Népias… para além das T-shirts dos Ramones da Pull, o ambiente sonoro mudou.

Não há fome que não dê em fartura – e não, não falo dos lucros fabulosos que a lojas independentes de discos fazem, precisamente porque não são nada fabulosos. Basicamente disseminou-se a estética, mas os discos ficam na prateleira. Todos conhecemos lojas que, a certa altura, começaram a vender roupa, não é?

A identidade anda de mão dada com a diversidade, e apesar de a Beyoncé continuar a incendiar plateias, o mainstream continua a ser o mainstream. O seu público é que consome um look mais apunkalhado.

Por outro lado, há todo um movimento contemporâneo, válido e marcante, que tem deixado a sua impressão digital nas cidades, e apesar de ser olhado com alguma condescendência – ou como se de uma actividade menor, ou menos nobre, se tratasse -, o facto é que ele existe, existiu e existirá, e incontornavelmente a história das cidades também passa por aqui.

Em Leiria, como em outros sítios, já é tempo de não se olhar para certas manifestações artísticas como um sub-género marginal, alternativo ou – como alguém romanticamente lhe chamou – Contracultura.

Terá certamente toda a pertinência de catalogação em áreas como a Sociologia ou Antropologia, mas era interessante notar que marginal é quem se coloca à margem ou quem funciona em circuito fechado onde o direito de admissão é reservado.

A cultura que a Preguiça Magazine promove, por exemplo, saiu à rua há muito tempo, e entranhou-se na cidade. Merece, por isso, todo o respeito e consideração, e não é de todo válido que se veja numa óptica de ser do contra, antes pelo contrário. É do mais democrático que há.

Assim, não se perde muito tempo em distinções sobre a Alta ou Baixa Cultura, o que é popular e o que é erudito, o que é contracultura e o que é normativo. Parte-se com a perfeita noção do meio em que se insere, dos conhecimentos que se tem, das suas capacidade de mobilização, sem, no entanto, perder a percepção de que há espaço para todos, e diversas variáveis sócio-económicas.

Ainda hoje, alguma cultura menos imediata é olhada com desconfiança. A herança cinzenta e salazarenta ainda faz com que se sinta a necessidade de haver alguém acima de nós, e que, mesmo que involuntariamente, se eleja uma elite, sem que ela necessariamente o seja.

Este provincianismo latente e adoração a uma suposta elite atávica, faz com que se olhe para algo menos normativo ou fora desse circuito premium, como fracturante e outsider.

Não é. Apenas é inventivo, e isso está muitos anos-luz de ser banal ou menor. É válido, é pertinente, tem uma função social benéfica e contribui para o desenvolvimento. Capisce?»

Pedro Miguel (03/04/2014) (1)

Comentarium: O alternativo é o novo mainstream… dependendo quem são os nossos amigos.

(1) Texto publicado no Preguiça Magazine.