O Legado da Década de 1960

mw-860.jpgA revista Visão de inícios de Agosto trouxe em destaque o ano de 1967 e o que mudou nesse ano nos Estados Unidos e depois no mundo. Eu achei o tema interessante e fui pesquisar um pouco mais:

Cultura da droga emergente na classe média

Desde a década anterior que as drogas faziam parte da vida dos jovens – e menos jovens; mas  existiu um clímax nesta década.

– Pacifismo

O movimento contra a guerra do Vietname colocou na moda o pacifismo, que não saiu de moda até hoje

– Consciência Ecológica

Hoje a ecologia tornou-se um estilo de vida: mas muitas ideias-base apareceram na década de 60 do século XX.

– Feminismo

A “segunda onda” do feminismo começou na década de 1960 nos Estados Unidos e espalhou-se por todo o mundo ocidental e além; nos Estados Unidos, o movimento durou até o início da década de 1980; a segunda onda do feminismo ampliou o debate para uma ampla gama de questões: sexualidade, família, mercado de trabalho, direitos reprodutivos, desigualdades de facto e desigualdades legais.

– Vida em comunidade

A cultura hippie rejeitava a  “corrente principal” de ideias (ou seja, o mainstream) e ambicionava mudar a sociedade vivendo fora dela. Por isso comunas, coletivos e comunidades intencionais recuperaram a popularidade durante esta época

– O “Generation Gap”

A divisão percebida inevitável na visão de mundo entre o velho e o novo, talvez nunca foi maior do que durante a era da contracultura. Foi usada cada vez mais para dividir as pessoas, tanto em termos de consumo como em termos políticos.

– Nova Esquerda

«A Nova Esquerda é um termo usado em diferentes países para descrever os movimentos de esquerda que ocorreram em 1960 e 1970. Eles diferem dos movimentos esquerdistas anteriores que tinham sido mais orientados para o trabalho de ativismo, e em vez disso adotando ativismo social.» (da Wikipédia)

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– Movimentos Alternativos de Educação

A ideia de promover o ensino em casa, de experimentar a Pedagogia Waldorf, entre outras, virou moda nessa altura e ainda hoje dá dores de cabeça.

– A Libertação Gay dá os primeiros passos

«A Rebelião de Stonewall foi uma série de violentas manifestações espontâneas de membros da comunidade LGBT contra uma invasão da polícia de Nova York que aconteceu nas primeiras horas da manhã de 28 de junho de 1969, no bar Stonewall Inn, localizado no bairro de Greenwich Village, em Manhattan, em Nova York, nos Estados Unidos. Esses motins são amplamente considerados como o evento mais importante que levou ao movimento moderno de libertação gay e à luta pelos direitos LGBT no país» (da Wikipédia)

– Nova forma de fazer arte: o Happening (Acontecimento)

«Apesar de ser definida por alguns historiadores como um sinônimo de performance, o happening é diferente porque, além do aspecto de imprevisibilidade, geralmente envolve a participação direta ou indireta do público espectador. Para o compositor John Cage, os happenings eram “eventos teatrais espontâneos e sem trama”.» (da Wikipédia)

– Internacional Situacionista

«A Internacional Situacionista (IS) foi um movimento internacional de cunho político e artístico. O movimento IS foi ativo no final da década de 1960 e aspirava por grandes transformações políticas e sociais. A primeira IS foi desfeita após o ano de 1972» (da Wikipédia)

– Muita música: pop, rock psicadélico, estilo experimental, protopunk (antecedente do punk), free jazz, etc.

– Cinema: Nouvelle vague em França; nos Estados Unidos a revogação do Código Hays (ou Motion Picture Production Code) mudou a face do cinema

Tecnologia: o Apple Computer surge como ícone contracultura

– Religião, espiritualidade e ocultismo

«Muitos hippies rejeitaram integrar a organização religiosa em favor de uma experiência espiritual mais pessoal, muitas vezes com base em crenças indígenas e populares. Se eles aderem a crenças tradicionais, hippies eram susceptíveis de abraçar Budismo, Taoísmo, Hinduísmo, Unitário-Universalismo e o Restauracionismo Cristão do Movimento de Jesus. Alguns hippies abraçaram neopaganismo, especialmente Wicca.» (da Wikipédia)

 

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Nobel para Bob Dylan

  • Gosto de José Saramago por isso Gostei que tivesse ganho o Nobel. A sua escrita que era boa (na minha opiniao) piorou depois do Nobel. Ou seria apenas velhice? Mas cada vez acredito menos que Nobel seja sinonimo de credibilidade.
  • Podia ser pior!… Bob Dylan é um poeta como os melhores poetas (e há muitos!).
    …. E afinal, na era da internet, todos somos escritores!

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Caro Tony Carreira (23-02-2015)

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A vida dos portugueses não está fácil. Isso já deve saber, melhor do que eu.
O que me leva a escrever-lhe, e não ao Emanuel ou a outro qualquer cantor é o fato de ser o mais bem sucedido cantor de um género de música chamado “pimba”. Por isso em vez de me dirigir a eles escrevo-lhe a si, embora esta mensagem também seja para eles.
Venho por este meio avisá-lo de que as suas músicas, embora vendam bem, causam depressão e/ou ilusões nefastas acerca da vida em quem já está com dificuldade em lidar com os próprios sentimentos. Depois dos primeiros acordes iniciais que deixam as pessoas cheias de energia, as pessoas chegam ao fim das suas músicas mais tristes e mais decepcionadas com a vida.
Despeço-me agora com os melhores cumprimentos e considerações,
Fátima C. O.

Leiria, 2014: O alternativo é o novo mainstream?

«E vai daí, parece que a chamada ‘Grande Cultura’ (a dominante, a predominante, a reinante… essa toda!) já não é aquela coisa inquestionável, indiscutível, incontestável. O espectro alargou-se de tal forma que o alternativo é o novo mainstream. Será?

A boa notícia é que quando se vai aos saldos, já não é preciso gramar com o unts unts unts unts… onde somos todos obrigados a ser jovens e modernos, e a saltar ao som de frases soltas sobre amor. Népias… para além das T-shirts dos Ramones da Pull, o ambiente sonoro mudou.

Não há fome que não dê em fartura – e não, não falo dos lucros fabulosos que a lojas independentes de discos fazem, precisamente porque não são nada fabulosos. Basicamente disseminou-se a estética, mas os discos ficam na prateleira. Todos conhecemos lojas que, a certa altura, começaram a vender roupa, não é?

A identidade anda de mão dada com a diversidade, e apesar de a Beyoncé continuar a incendiar plateias, o mainstream continua a ser o mainstream. O seu público é que consome um look mais apunkalhado.

Por outro lado, há todo um movimento contemporâneo, válido e marcante, que tem deixado a sua impressão digital nas cidades, e apesar de ser olhado com alguma condescendência – ou como se de uma actividade menor, ou menos nobre, se tratasse -, o facto é que ele existe, existiu e existirá, e incontornavelmente a história das cidades também passa por aqui.

Em Leiria, como em outros sítios, já é tempo de não se olhar para certas manifestações artísticas como um sub-género marginal, alternativo ou – como alguém romanticamente lhe chamou – Contracultura.

Terá certamente toda a pertinência de catalogação em áreas como a Sociologia ou Antropologia, mas era interessante notar que marginal é quem se coloca à margem ou quem funciona em circuito fechado onde o direito de admissão é reservado.

A cultura que a Preguiça Magazine promove, por exemplo, saiu à rua há muito tempo, e entranhou-se na cidade. Merece, por isso, todo o respeito e consideração, e não é de todo válido que se veja numa óptica de ser do contra, antes pelo contrário. É do mais democrático que há.

Assim, não se perde muito tempo em distinções sobre a Alta ou Baixa Cultura, o que é popular e o que é erudito, o que é contracultura e o que é normativo. Parte-se com a perfeita noção do meio em que se insere, dos conhecimentos que se tem, das suas capacidade de mobilização, sem, no entanto, perder a percepção de que há espaço para todos, e diversas variáveis sócio-económicas.

Ainda hoje, alguma cultura menos imediata é olhada com desconfiança. A herança cinzenta e salazarenta ainda faz com que se sinta a necessidade de haver alguém acima de nós, e que, mesmo que involuntariamente, se eleja uma elite, sem que ela necessariamente o seja.

Este provincianismo latente e adoração a uma suposta elite atávica, faz com que se olhe para algo menos normativo ou fora desse circuito premium, como fracturante e outsider.

Não é. Apenas é inventivo, e isso está muitos anos-luz de ser banal ou menor. É válido, é pertinente, tem uma função social benéfica e contribui para o desenvolvimento. Capisce?»

Pedro Miguel (03/04/2014) (1)

Comentarium: O alternativo é o novo mainstream… dependendo quem são os nossos amigos.

(1) Texto publicado no Preguiça Magazine.