Leituras: A pilhagem de África!!

A-Pilhagem-de-AfricaEste livro é o resultado das viagens de Tom Burgis por África, ele que é jornalista do Finantial Times. Embora muitas informações do livro estejam desactualizadas, o princípio que levou à sua escrita mantêm-se, a chamada “maldição dos recursos”: os Estados exploram as riquezas até ao tutano e em consequência disso não há qualquer vínculo entre governantes e governados.

«Onde outrora os tratados eram assinados à força expropriavam os habitantes de África da sua terra, ouro e diamantes, hoje as falanges de advogados que representam as empresas petrolíferas e empresas mineiras com receitas anuais de centenas de milhares de milhões de dólares impõe condições de miséria aos governos africanos e utilizam esquemas de evasão fiscal para retirar receita às nações pobres. Em vez dos antigos impérios, ocultam-se agora redes de multinacionais, agentes e potentados africanos. Estas redes fundem o poder dos estados e das empresas. Não estão alinhados com nenhuma nação e pertencem, antes, a elites transnacionais que florescem na era da globalização. Servem, acima de tudo o seu próprio enriquecimento.»

Na prática a maioria dos países africanos tem o pior de dois mundos: Estado forte e autoritário para aquilo que prejudica os seus cidadãos; Estado fraco para proteger os seus cidadãos.

Leitura de: Tom Burgis, A pilhagem de África (Amadora, Vogais, 2016)  ff

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Leituras: Ciência da treta e medicina baseada na evidência

Ciencia-tretaBen Goldacre é um médico, professor universitário e divulgador de ciência. É investigador no Centro de Medicina Baseada na Evidência da Universidade de Oxford e fundou o AllTrials, um projecto que defende que todas as investigações médicas devam estar acessíveis a todos os investigadores, em modo de acesso aberto (open acess). Para além disso tem um blogue, o Bad Science.

Este livro pretende divulgar o que é a ciência e a analisar a forma como a ciência é vivida e percebida, o que nos induz em erros de análise e más escolhas posteriores.

Começa por nos tentar explicar como se faz uma experiência e o que é o método científico, mostrando aquilo que considera ser pseudociência. Como exemplo de pseudociência fala da moda dos detoxs.

Explica também como deve ser um ensaio clínico e randomizado. O autor é um defensor acérrimo destes ensaios. Pensa que a única solução possível é os grupos de controlo tomarem placebo, apesar de aparentar as questões éticas à volta desse assunto (ver livro de Sonia Shah, Cobaias humanas).

Ensaio clínico randomizado: desenho

Ben Goldacre elogia a imenso a Cochrane, uma organização sem fins lucrativos independente baseada no voluntariado de profissionais de saúde, que leva a cabo revisões sistemáticas de ensaios controlados aleatórios de intervenções médicas e procura divulgar os resultados e conclusões que deles derivam.

Ao longo do livro também há criticas à industria farmacêutica – há um capitulo dedicado a elas.

E mostra como os media contribuem para a incompreensão da ciência por parte do público.

O autor chama a atenção que a época gloriosa da medicina ocorreu entre 1935 e 1975, no entanto essa época terminou. Hoje em dia são dados apenas pequenos passos para a melhoria da saúde das pessoas (Certamente Sonia Shah tem razão quando fala das muitas investigações inúteis feitas actualmente).

Para além disso, grande parte do livro analisa aquilo a que o autor chama pseudociência: a homeopatia (o autor considera que não tem credibilidade enquanto medicina e explica porquê); explica o que é o efeito placebo e como isso interfere na relação médico-paciente; a indústria cosmética (como vive do marketing cheio de hipérboles e ilusões); o nutricionismo, quando ele procura isolar apenas um nutriente (aqui o autor faz criticas muito semelhantes a Michael Pollan); critica a mentalidade segundo a qual todos os problemas de saúde e/ou sociais se resolvem com um comprimido; fala de polémicas antivacinação (que no Reino Unido começaram em 1998).

Este é um livro que deve ser lido por todos NÓS, desde doentes e futuros doentes. E também por  médic@s, enfermeir@s, políticos e todos os que praticam medicinas alternativas. Coloca muitas questões importantes sobre o que fazer com a nossa saúde e em quem acreditar. Levanta questões importantíssimas!

Não saí deste livro com vontade de tabelar tudo o que não é medicina convencional de pseudociência. Continuo a defender que as medicinas alternativas e complementares devem ser consideradas legitimas mas também exijo mais e melhor regulação (desejo que não tem sido atendido em Portugal ultimamente, pelo que me apercebo).

Leitura de: Ben Goldacre, Ciência da treta (Lisboa, Bizâncio, 2009)

Ver Também:

O que é a Medicina baseada na Evidência?

Medicina convencional sim, medicinas alternativas sim! (Abril 2017)

Leituras: O estranho caso do médico Henry Jekyll

9593060446-o-estranho-caso-do-dr-jekyll-e-do-sr-hydeDurante muitos anos este livro foi conhecido em Portugal sob o título O médico e o monstro, por causa de uma tradução antiga em português do Brasil.
Este livro centra-se nas investigações do advogado Utterson depois de um seu cliente, o médico Henry Jekyll, fazer um testamento em que deixa toda a sua fortuna ao desconhecido Edward Hyde. Com o tempo vem a perceber-se que Edward Hyde é uma pessoa extremamente má, ao ponto de causar calafrios a quem contacta com ele (bem à maneira gótica).
Mas nada é o que aparenta ser. O Dr. Jekyll e o Sr. Hyde são apenas duas faces da mesma moeda, que devem viver juntas, não separadas. O senhor Hyde é apenas o lado mau, isolado através de uma droga. Aqui entra a ciência (Psiquiatria? Medicina? Todas?) em jogo. O autor não faz um debate sobre as consequências da ciência, interessa-lhe mais as emoções (ou a falta delas) da humanidade. Por isso centra-se em explicar o porquê o médico Henry Jekyll querer isolar o seu lado mau.
Do ponto de vista filosófico não gosto dessa ideia de isolar o lado bom e o lado mau de uma pessoa.
Apesar de ser um romance de terror gótico é pouco chocante e lê-se muito bem. Recomendo!

Leitura de: Robert L. Stevenson, O estranho caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde

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Leituras: Brincar com palavras com Carla Veríssimo

CapaEntrilhas
(Aviso: Esta resenha tem mais elogios do que o normal.)
Carla Veríssimo é uma força da natureza! Bióloga de formação, escritora por paixão. E também animadora sociocultural, formadora e comunicadora nata.
O livro Entrilhas é um reflexo da sua personalidade irrequieta, activa, controversa e divertida.
Neste livro a autora demonstra, em poesia e prosa, o seu amor pelos Açores, região em que trabalhou durante alguns anos.
Também demostra a admiração pelo actor António Feio, cuja morte foi marcante para muitas pessoas (inclusive para mim).
Mostra sobretudo a sua extraordinária capacidade de brincar com as palavras, de criar poesia, de dar o tom certo à emoção para que ela possa ser percebida por outros.

Estão também de parabéns as ilustradoras Irene Sáez e Yaiza López que conseguiram criar uma simbiose perfeita entre palavra e imagem.
Carla Verissimo livro 2017