Leituras: Brincar com palavras com Carla Veríssimo

CapaEntrilhas
(Aviso: Esta resenha tem mais elogios do que o normal.)
Carla Veríssimo é uma força da natureza! Bióloga de formação, escritora por paixão. E também animadora sociocultural, formadora e comunicadora nata.
O livro Entrilhas é um reflexo da sua personalidade irrequieta, activa, controversa e divertida.
Neste livro a autora demonstra, em poesia e prosa, o seu amor pelos Açores, região em que trabalhou durante alguns anos.
Também demostra a admiração pelo actor António Feio, cuja morte foi marcante para muitas pessoas (inclusive para mim).
Mostra sobretudo a sua extraordinária capacidade de brincar com as palavras, de criar poesia, de dar o tom certo à emoção para que ela possa ser percebida por outros.

Estão também de parabéns as ilustradoras Irene Sáez e Yaiza López que conseguiram criar uma simbiose perfeita entre palavra e imagem.
Carla Verissimo livro 2017

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A minha visão para Leiria

Hoje é dia de eleições autárquicas. Não fiz parte de nenhuma lista nem apoio nenhum movimento. Apoio apenas ideias. São elas que ficam aqui, neste texto. Se alguém as quiser copiar e usar está à vontade.

Leiria Cidade

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– Não me parece boa ideia construir um pavilhão multiusos junto ao estádio. No máximo, construir um pavilhão multiusos NO topo norte do estádio. E menos estacionamento a pagar.
– Retirar o drive in do McDonald’s do local onde se encontra, causando caos na estrada nos dias de mais afluência.
– Implementar no edifício da Pousada da Juventude, no Terreiro, um programa de residências artísticas.
– É necessário mais estacionamento e uma melhor rede de transportes públicos que faça boas ligações às freguesias.
– A câmara não deve permitir mais centros comerciais no concelho, para além dos já aprovados até 2017. E deve apoiar, sempre que possível, o comércio tradicional.
– Instalação da Loja do Cidadão no Edifício O Paço.
– Estádio mantém actuais usos: é mau ter um estádio assim, mas as ideias alternativas são piores.
– Requalificação e manutenção das ruas da cidade
– Arranjar alternativas de estacionamento e transportes públicos para retirar carros do Bairro dos Capuchos.
– Requalificação do percurso Polis.
– Mais limpeza do rio Lis.
– Lutar pela criação da Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas, paga e controlada pelos podes públicos.
– Renovação do actual mercado municipal, não construção de um novo.
– Arranjar formas de fixar mais pessoas no centro histórico. «O nosso trunfo tem de ser a qualidade de vida. A dinâmica cultural. Bons restaurantes e boa hotelaria. Uma noite atractiva. Acho muito mais importante garantir condições aos Leirienses, às pessoas do distrito e arredores, para se fixarem cá.» Ricardo Graça.
– «Criar uma identidade para a cidade. E, já que há a febre de sermos capital de alguma coisa (já somos de distrito mas às vezes não parece). Vamos ser a capital da sustentabilidade. Vamos apoiar a compra de carros eléctricos. Vamos fornecer bicicletas eléctricas aos munícipes. Vamos forrar os telhados públicos de painéis solares. Vamos fechar ruas ao trânsito. Ou então vamos ser a capital da Morcela de Arroz, ou da Brisa do Liz. Marketing meus senhores, marketing. Vamos ser a capital da música, temos carradas de bandas, achamos que mais nenhuma cidade tem tantas bandas e tão boas. Vamos criar condições para que ainda sejam mais, ou mais reconhecidas. Vamos criar salas de ensaio, um estúdio de gravação com condições, uma sala de concertos.» Ricardo Graça.
– Fazer campanha permanente para tornar o Instituto Politécnico de Leiria uma Universidade.
– Criar um centro empresarial ou um casino no Edifício da EDP. Não construir aí um museu.
– Mudar a PSP de sítio e aquele espaço poder servir de estacionamento para quem vai ao castelo, para quem vai ao centro histórico.
– «Não precisamos do aeroporto em Monte Real, também porque já se fala nisso há 20 anos e na verdade foi um dossiê que nunca avançou.» Ricardo Graça
– Construir o Jardim da Almuinha Grande.

Leiria Concelho, ou seja, freguesias

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(Engraçado constar que a maioria dos debates entre candidatos à gestão do município se tem ficado por Leiria Cidade. Depois em cada freguesia é disputada separadamente. Não deveria ser assim: um bom programa autárquico deveria contemplar TODAS as freguesias.)
– Fazer manutenção e melhoria nas condutas de água canalizada. Não privatizar a água do concelho.
– Requalificação e manutenção das ruas do concelho.
– Assegurar um médico de família para todos os cidadãos do concelho
– Promover a economia circular
– Arranjar postos de recolha de monos (vulgarmente conhecidos por “monstros”, os lixos de grande dimensão como máquinas de lavar, colchões, móveis, etc.) em cada freguesia
– Seria interessante que as freguesias se entreajudassem entre si: criando sinergias.
– Seria importante voltar ao mapa das freguesias anterior a 2013. As “Uniões de Freguesias” não fazem sentido.
– Todas as freguesias necessitam de obras de melhoramento, mas normalmente só as que são do mesmo partido que está no município as têm. Esta crítica é valida para todos os executivos camarários no pós-25 de Abril.
– Deve ser criado um plano para o Concelho que contemple todas as freguesias, com infra-estruturas e melhoramentos a fazer em cada uma delas.
– Requalificação urbana (da antiga freguesia de) Marrazes
– Criar espaços verdes nas urbanizações sem eles (na antiga freguesia de) Marrazes
– Construção de mais passeios em todas as freguesias
– Concluir o saneamento básico em todo o concelho
– Arranjar formas de fixar mais pessoas nas aldeias / freguesias
– Inventariação de casas devolutas e património degradado em todo o concelho
– Criação de uma bolsa de arrendamento
– Manutenção de estradas e redes viárias
– Reivindicar a manutenção dos Postos Médicos existentes e mesmo a contratação de mais médicos de família.
– Reabrir as Termas de Monte Real.
– Criar Ciclovia Bajouca-Monte Redondo-Coimbrão-Praia (14 Km)
– Requalificação da Linha do Oeste e criação de condições para que todos os leirienses passem a usar mais o comboio.

– Política cultural:
a) Eventos do município também nas freguesias;
b) Menos eventos organizados pelo município, mais espaço às associações do concelho;
c) Apoio equitativo a todas as associações;
d) Arranjar formas da Leiriagenda digital chegar a mais pessoas;
e) Arranjar formas da Leiriagenda em papel chegar a mais pessoas;
f) Candidatar Leiria a Capital Europeia da Cultura em 2027;
g) Adquirir a casa onde viveu Eça de Queirós e instalar uma casa museu;
h) Retomar um Festival de Jazz anual no concelho;
i) Continuar a apoiar as editoras locais e os escritores leirienses.

 

Inspirado em…
– Maria Anabela Silva, “O pavilhão da discórdia, um casino e uma parada gay” In Jornal de Leiria, 28/09/2017;
– Ricardo Graça;
– Propaganda política de todas as forças partidárias concorrentes ao concelho de Leiria às eleições autárquicas no ano 2017.

 

Última Actualização: 03/10/2017

Poetry Slam Leiria ou como me tornei aprendiz de poeta

Este ano de 2017 ficará marcado pelo evento Ronda Poética, realizado em Leiria, numa organização conjunta entre Jornal de Leiria e Câmara Municipal de Leiria (Município de Leiria), em colaboração com várias entidades e intervenientes.
Sempre gostei de poesia, mas nos últimos anos tinha deixado de ler. E apenas tinha escrito um poema na vida!
Foi então que participei em alguns eventos da Ronda Poética, entre eles o Workshop de Poetry Slam no Atlas Hostel Leiria. Treinando eu a arte de falar em público no Leiria Toastmasters Club, pareceu-me natural este passo seguinte.
Aí conheci a Carla Veríssimo e o Pedro Silva (entre outras pessoas, mas tenho de destacar estes nomes). Não pude estar até ao fim do Workshop, mas gostei do que vi. Escrevi os meus primeiros poema-desabafo. Também não participei no 1º Poetry Slam Leiria, mas ver as fotografias dessa tarde/noite é muito inspirador, ainda hoje.
Depois participei no Microfone Aberto, da Sessão Demonstrativa do Poetry Slam Leiria, na FNAC, onde disse os poemas que escrevi no Workshop. Foi uma sessão muito inspiradora, onde pude ver a forma como a Carla Veríssimo e o Pedro Silva viviam os seus poemas em batida. Conheci muitas pessoas interessantes nessa Sessão, entre elas Sílvia Tavares e Júlia Rodrigues, duas pessoas cuja idade nos faz aprender todos os dias.
Depois participei, como júri, no 2° Poetry Slam Leiria, na Acrenarmo – Associação Cultural e Recreativa. Conheci uma associação nova em Leiria, logo ao lado do mimo – museu da imagem em movimento. Conheci a escrita de Clara Antunes, Maria Mafalda Graça e Clara Paulo. Foi uma sessão de mulheres apesar do vencedor ser um homem, Francisco Azevedo. Foi uma sessão bem portuguesa, apesar de África estar presente o tempo todo.
Depois outros compromissos afastaram-me do Poetry Slam Leiria por uns tempos.
Voltei agora, no 4º Poetry Slam, nos Lourais. Entrar em casa de pessoas desconhecidas é sempre estranho, mas os anfitriões (Zaida Paiva Nunes e António Nunes) fizeram-me sentir bem-vinda. Quando vi o elenco de poetas tive quase vontade de desistir de dizer os poemas. Mas porque estar no palco é uma oportunidade que nunca devemos desperdiçar, avancei. Penso que de todos, esse Poetry Slam foi aquele em que mais me envolvi.
Portanto, depois de participar num Workshop, uma sessão de divulgação e dois concursos de Poetry Slam, esses poemas em batida, sinto-me uma aprendiz de poetisa, com muito ainda para viver e escrever antes de ser uma poetisa encartada. Como referi ao longo do texto, pessoas inspiradoras no Poetry Slam Leiria não faltam.

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Escrito em 01/09/2017

Revisão do texto de Carla Veríssimo

Fotografia de António Nunes