Feminismo Quotidiano: Querem a CIG uma instituição meramente decorativa (ou então querem que seja extinta)

Quando lês as noticias e parece que o mundo endoideceu… (Quando vemos o que se passa nos outros países, como os Estados Unidos e a França, podemos fingir que não é nada connosco. Quando falamos do nosso próprio país as coisas aquecem. Deve ser por isso que são muito poucas e muito poucos aqueles que escrevem textos iguais a este.).
Em Portugal o feminismo é incipiente e mal visto. Pior: muitas mulheres e homens portugueses pensam que as outras mulheres e homens não merecem ter direitos.
Há quem goste de dizer “os organismos do Estado não fazem nada logo devem ser extintos”. E depois reclame quando eles fazem alguma coisa!… Foi isso que aconteceu na semana passada.
cigA Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) nasceu em 1975, embora só tenha sido legalmente criada em 1977. Nasceu com o nome Comissão da Condição Feminina (CCF). Como se pode ler no seu site: «Apesar da sua longevidade, a CIG tem ainda muito a fazer, uma vez que os resultados internos ainda estão muito aquém dos desejados. Os princípios da igualdade estão adquiridos na lei, bem como nos grandes tratados internacionais, mas o que falta é o seu conhecimento e a sua apropriação quer por mulheres, quer por homens, tanto em Portugal como por esse mundo fora.».
A GIG tem entre as suas atribuições: «Receber queixas relativas a situações de discriminação ou de violência com base no género e apresentá-las, sendo caso disso, através da emissão de pareceres e recomendações, junto das autoridades competentes ou das entidades envolvidas».

Portanto quando o opinador José António Saraiva no texto “E se um homem se sentir galinha”, publicado no Semanário Sol, no dia 1 de Janeiro de 2018, em que mostra toda a sua transfobia é natural que a CIG apresente queixa ao DIAP apenas para o Ministério Público averiguar se há crime ou não.

Para o opinador João Miguel Tavares, amigos e admiradores o facto da CIG se movimentar e fazer algo é um escândalo! De acordo com eles a CIG devia limitar-se a debater (???) com José António Saraiva a questão!!

Em resposta, a CIG emitiu um comunicado em que quase pedia desculpa por cumprir os seus serviços mínimos!

E no meio deste caldo mediático português, não percebo porque a UMAR, as Capazes e outras organizações feministas – e há dezenas delas constituídas cada uma por pouquíssimas pessoas – não se batam para que a CIG seja mais que uma mera instituição decorativa e cumpra o papel para a qual foi criada!

Será que o único papel da CIG é canalizar fundos comunitários? Fica a questão.

Como disse inicialmente: Há dias em que lês as noticias e parece que o mundo endoideceu…

Para Saber Mais:
GIG (sítio da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género)
O arquitecto Saraiva e a incitação à violência
Em defesa de um homem sem escrúpulos
Comunicado sobre artigo de opinião de José António Saraiva publicado no Jornal “Sol”, no dia 1 de janeiro de 2018

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Promoção da leitura e leitura literária em 2017

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«Outro aspecto que importa considerar neste balanço prende-se com o Plano Nacional de Leitura (PNL) relançado em 2017 e envolvendo a substituição do anterior comissário.

Até ao momento, no entanto, pouco se conhece sobre esse processo de relançamento. Em conferência realizada em Novembro na Gulbenkian, tomaram a palavra ou estiveram presentes pelos menos dois ministros, não sei quantos secretários de estado e ex-ministros, além dos costumeiros moderadores vindos da esfera televisiva (ninguém começa a cansar-se disto?) e de uns especialistas em leitura. Por muito que nos custe a constatação, pouco passou de uma operação mediática de sala cheia mas de escasso impacto. Certo é que, até ao momento, nada se sabe sobre o financiamento do PNL em 2018 e sobre as linhas de trabalho e iniciativas concretas a desenvolver para acudir a problemas detectados, como, entre outros, a diminuição dos utilizadores das bibliotecas públicas, a actualização dos fundos das bibliotecas escolares, a crescente necessidade de formação dos professores e educadores no campo da Educação Literária. (Como se vê, não aludo aqui, propositadamente, nem à questão das novas tecnologias nem à da leitura em outros suportes.)

Uma coisa já se percebeu: numa época em que o «literário» se encontra em perda, na sociedade e nas próprias instituições educativas e culturais (não obstante a febre autárquica de festivais literários que nenhum problema de fundo ataca); num tempo em que os jovens evidenciam crescente dificuldade em compreender e interpretar um texto literário ou outros discursos da ordem da complexidade (filosóficos, científicos…), a leitura literária não parece constituir uma prioridade. Neste século XXI, para muitas cabeças pensantes, todas as leituras parecem valer o mesmo (os textos na Internet e noutros suportes electrónicos; as mensagens pessoais; a publicidade; os textos de natureza mais pragmática, não-literários; as obras de literatura…). Ora isto não é verdade, como a investigação comprova.

Detecta-se, por outro lado, em governantes e ex-governantes da área da educação, uma ansiedade não escondida relativamente à necessária – na opinião deles – eliminação das Metas Curriculares do Português e, consequentemente, daquilo que nelas se chama (e a meu ver bem) Educação Literária. Recordo que a este domínio surge associada uma listagem de obras recomendadas (sim, estão lá autores como Sidónio Muralha, Redol, Ilse Losa, Papiniano Carlos, Eugénio de Andrade, Saramago, Pina e vários textos clássicos… – para apenas mencionarmos listas para o ensino básico). A crítica mencionada é feita em nome de uma pretensa falta de liberdade na escolha de obras a ler pelos alunos – como se as Metas não remetessem constantemente para a gigantesca listagem de obras do PNL (e deixo duas perguntas: as Metas têm sido lidas com atenção?; a quem incomoda a existência de uma listagem de obras para a Educação Literária?).

Entretanto, o fim do ano traria uma estranha notícia: o inquérito à fuga de informação no exame nacional de Português de 12.º ano determinou a abertura de um processo disciplinar a uma professora «para apuramento de responsabilidade nesta esfera», afirma o Ministério da Educação – docente que teria sido, antes, presidente da Associação de Professores de Português. Esta é uma das duas associações ligadas a esta disciplina e tem-se manifestado contra as Metas Curriculares de Português e o domínio da Educação Literária, parecendo privilegiar uma abordagem comunicativista e pragmática do ensino da língua que habitualmente tende à desvalorização dos clássicos e do próprio discurso literário.

Mantenho sobre este tema a seguinte posição geral: a escolaridade obrigatória deve permitir a todos (incluindo os filhos da classe operária e dos trabalhadores) o acesso democrático àquilo que é da ordem da complexidade discursiva: literatura, filosofia, obras científicas, historiografia política e económica… Como tal, impõe-se que o ensino obrigatório e as suas práticas de leitura não prescindam dos clássicos e das obras literárias de reconhecida qualidade estética. Impõe-se que seja dada a todos a oportunidade de aprender a ler e desmontar criticamente estes textos mais complexos – caso contrário, favorecer-se-á uma posição elitista, paradoxalmente em nome de uma abordagem alegadamente mais facilitadora e democratizante.»

José António Gomes (1)

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(1) Fonte: Abril Abril.

José António Gomes é escritor, especialista em literatura portuguesa e professor universitário. É mais conhecido pelo pseudónimo João Pedro Mésseder.

Última Actualização: 02/01/2018

Os Factos Que Marcaram a Nível Nacional em 2017

O maior acontecimento do ano foi o saborearmos todo o ano as consequências da austeridade e do Estado mínimo imposto pelo FMI e pela União Europeia. Este trago amargo vai continuar a ser servido durante 2018 e nas próximas décadas, estejamos descansados. Por isso o Estado não respondeu de maneira satisfatória a quase nenhum problema do País. E isto vai continuar a acontecer!

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Mas avancemos e detalhemos os principais acontecimentos de 2017:

  1. Pedrogão Grande e os incêndios de 15 de Outubro foram maus demais para ser verdade. As mais de 100 mortes são um dado horripilante. Fora os outros incêndios ao longo do Verão!

«Incêndios em Portugal no ano de 2017 fazem 116 vitimas mortais (o ano mais mortal de que há registo) e ainda 500 mil hectares de territórios destruído. Em consequência a ministra da Administração interna Constança Urbano de Sousa pede a demissão a 18 de Outubro (depois do Presidente Marcelo lhe ter aberto a porta de saída) e ficou a conhecer-se as fragilidades do Sistema Integrado de redes de emergência de segurança (SIRESP)» (Fonte).

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2. Nesta conjuntura, é normal os Bombeiros serem eleitos a personalidade do ano por mim:

a) Os bombeiros são heróis que morrem a lutar contra as chamas, para salvar vidas;

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b) A situação dos bombeiros é precária (como todas as outras em Portugal) e eles ganham menos do que deveriam ganhar;

c) Os bombeiros também são corruptos. Um exemplo: Uma teia de interesses entre bombeiros.

3. A seca extrema em Portugal (e Espanha)!

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97% do País encontra-se em seca extrema ou severa depois de um ano com mínimos históricos de precipitação.

4. O governo António Costa “Geringonça”:

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a) Ao longo do ano foram aparecendo as incongruências, erros e possível corrupção do governo PS de António Costa…

«O caso das armas de Tancos (e as tolas afirmações do ministro da Defesa e do presidente da Assembleia da República); a mudança repentina do Infarmed para o Porto (alguém tomou Kompensan a mais, só pode…); o prometer de mundos e fundos aos professores, com as outras corporações à espreita; a traição ao Bloco por causa da taxa das renováveis; e até o não assunto sobre o jantar da Web Summit, no Panteão; servem de exemplos da inépcia de António Costa e dos seus comandados.» (Fonte).

b) Os acertos do governo de António Costa: reposição de direitos e rendimentos dos trabalhadores, reformados e pensionistas. E ainda a saída do procedimento europeu por défice excessivo.

5. Os Bancos marcam sempre o ano em Portugal…

a) A venda do Novo Banco;

b) Mais de 300 agências bancárias fecharam portas este ano, ficando 1300 trabalhadores sem emprego.

6. Os novos F portugueses: Futebol, Fátima, Facebook e Festivais de Música! (Fonte)

a) O Papa Francisco visitou pela primeira vez Portugal e canoniza os beatos Francisco e Jacinta.

b) O Benfica sagrou-se pela primeira vez tetra-campeão nacional de futebol.

E Bruno de Carvalho venceu por 86,13% as eleições no Sporting. Em alguns balanços figurará como personalidade do ano, mas aqui serve para destacar o amor dos portugueses pelos maus líderes e (claro) pelo futebol.

c) O tempo excessivo que passámos nas redes sociais, sobretudo no Facebook, durante 2017!

d) Festivais de Música: a partir de Maio até ao final de Verão, não há Festival que falte no calendário de Norte a Sul do País!

8. Portugal corrupto: Operação Marquês, no caso EDP, no caso Vistos Gold, na Operação, viagens da GALP, caso da correspondência electrónica do Benfica, etc.

9. A luta pelo aumento do Salário Mínimo: ficou-se pelos 580 Euros!

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10. Mário Centeno como presidente do Eurogrupo é uma óptima ou péssima notícia? Em breve saberemos!

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11. O Portugal retrógrado e hipócrita está bom e recomenda-se:

a) «O juiz Neto de Moura atenua a pena de dois agressores (homens) por causa do adultério da vítima (mulher), num acórdão escrito no século XXI, como se estivesse no século XIX. Se calhar, a toga só lhe cabe na “cabeça de baixo”.» (Fonte).

b) Duas alunas beijam-se na Escola Secundária em Vagos e são chamadas pela direcção do estabelecimento.

12. Cristiano Ronaldo um fenómeno…

a) Graças ao Sporting Clube de Portugal, Manchester United e Real Madrid, Cristiano Ronaldo é o melhor jogador português de sempre (e um dos maiores da história do futebol). O ano foi novamente repleto de troféus individuais e colectivos – com destaque para a vitória na Champions.

b) Tal como todos os milionários mundiais, Cristiano Ronaldo sonhou fugir aos impostos. Mas em Espanha não lhe querem fazer vida fácil. O jornal espanhol El Mundo publicou recentemente declarações de Caridad Gómez Mourelo, responsável da unidade central de coordenação do Tesouro espanhol e especialista em crime fiscal. Caridad Gómez Mourelo destacou que a evasão fiscal do jogador do Real Madrid, que terá cometido quatro delitos fiscais, defraudou o estado espanhol em 14,7 milhões de euros e que terá sido voluntária. Para esta especialista Cristiano Ronaldo devia ser preso. (Fonte).

13. Violência e racismo continuam na moda…

«Os alegados actos de violência e racismo na esquadra da Cova da Moura, a par da selvajaria dos seguranças do Urban Beach e de uma discoteca em Cinfães, demonstram que afinal há quem só tenha testosterona e malvadez no cérebro.» (Fonte).

14. Salvador Sobral outro fenómeno, mas mais relutante…

Finalmente Portugal venceu o Festival da Eurovisão, com uma música de que não gosto muito, cantada por Salvador Sobral e composta pela sua irmã, a cantora de jazz Luísa Sobral. Salvador Sobral tornou-se para os portugueses um fenómeno:

a) Os seus fãs comportaram-se de forma tão acéfala que o próprio os criticou (e bem): “sinto que posso fazer qualquer coisa que vocês aplaudem. Vou mandar um peido para ver o que acontece” (Fonte).

b) “Amar pelos Dois” tornou-se genérico da novela brasileira Tempo de Amar.

c) O problema de coração de Salvador Sobral e a sua necessidade de um transplante tornou-se notícia, tanto nas revistas cor-de-rosa como na imprensa internacional.

d) A vitória portuguesa na Eurovisão foi contada em minissérie da RTP: Sem Fazer Planos Do Que Virá Depois

15. O sobressalto da Altice e a embaraçosa agonia da ERC…

16. A novela Manuel Maria Carrilho (ex-ministro da Cultura) e Bárbara Guimarães (apresentadora da SIC) teve muitos capítulos. Coitados dos filhos: eis o único comentário possível!!

17. Boom do turismo ou a herança da austeridade…

a) É bom Portugal ter muitos turistas e ser o vencedor dos World Travel Awards 2017? É! Mas existe um lado M de Mau disso…

Entre as heranças da austeridade, a abertura de monumentos nacionais para tudo quanto é eventos! O patrão do Web Summit quer um jantar no Panteão? ‘Bora lá! É legal e tudo!! (estou a ser irónica).

b) Alojamento local: um problema com muitas soluções, mas parco em consensos (Fonte).

18. Aprovação do projecto lei do BE e PAN em que é permitida a entrada de cães e outros animais de companhia nos restaurantes. A sério??

19. Os imitadores das técnicas de Trump e da Alt-Right em Portugal…

André Ventura usa a bandeira anti-ciganos para obter votos, em Loures, e procura chamar a atenção nas autárquicas. Esse é o exemplo mais conhecido. Mas há gente mais descreta, que quase passa desapercebida…

20. Cristina Ferreira ou o fenómeno continua…

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Cristina Ferreira continua a ser um génio do marketing, sobretudo ajudada pelos fãs dos seus (secantes e horríveis) programas de televisão. Fechou a sua revista para depois voltar a abri-la. Cristina Ferreira e a sua equipa (é preciso não esquecer que há uma equipa) criaram capas propositadamente polémicas para vender. Pelo meio, satisfizeram alguns egos e fizeram campanhas por boas causas…

  1. “E Se Fosse Consigo? “ com Conceição Lino…

«O programa de Conceição Lino na SIC vai numa nova temporada seguindo a mesma fórmula: confrontar os portugueses com os seus preconceitos. Continua a ser um sucesso de audiência, com um milhão de portugueses a verem o programa, o que significa que é mais eficaz que muitas campanhas anti-discriminação. Assédio sexual, transexualidade e homoparentalidade foram alguns dos temas abordados nesta temporada.» (Fonte).

  1. Hóquei e Atletismo:

a) A Selecção Portuguesa de Hóquei em Patins consegue um honroso 2º lugar no Mundial do Japão.

b) Inês Henriques conquistou em Agosto a medalha de ouro nos 50 quilómetros marcha dos Mundiais de atletismo.

c) Luís Gonçalves, nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, conquistou o bronze na final dos 400 metros T12 (deficiência visual), com o tempo de 49,54 segundos.

  1. Surtos de Legionela, Sarampo e hepatite A voltam a matar!images
  2. Não esquecer Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente dos afectos ou o presidente “com a escola toda”….

Marcelo afirmou-se como a personalidade com mais credibilidade para consumo interno à base de beijinhos e abraços, conforme prometeu em campanha eleitoral. E conforme herança familiar… Óptimo para quem gosta do estilo, o que não é o meu caso.

Que ele tem a “escola toda”, expressão popular, não há duvidas e os próximos tempos confirmarão isso.

Sobre o fenómeno Maria Vieira

verdades

 

Eles não sabem nem sonham,

O que é que se cozinha nos bastidores,

Antes de um post da Maria Vieira aparecer!

Eles não sabem nem querem saber

Porque tudo o que a Maria Vieira diz

É considerado assunto principal

Em qualquer ocasião

Eles não sabem nem querem perceber

Porque a Maria Vieira publica um livro

Cheio de insultos

E é a estrela da televisão

E tanto escritor bom

Não tem dinheiro

Para cinco minutos de publicitação!

Eles não sabem e gostavam de saber

E eles têm vergonha de viver

Num país que promove a Maria Vieira

Como a estrela das redes sociais

E omite as ideias de gente mais sensata

E avisada!

Eles não sabem nem sonham,

O que é que se cozinha nos bastidores,

Das palavras da Maria Vieira!

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