Poema escrito depois da ameaça de encerramento da revista Visão ser notícia

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Queria ter outra visão

Por isso comprava a revista Visão

Era uma revista que me punha a pensar

Era uma revista que me desafiava

Depois veio a remodelação

Depois veio a nova imagem

E a revista passou a parecer-se

Com um suplemento da Caras e da Activa

E menos com o Courrier Internacional

E eu como não gosto de maras,

Deixei de comprar!

Era a minha revista preferida,

Com artigos que não se encontravam

Em lado nenhum!

Sínteses semanais

Opiniões portuguesas uteis,

Opiniões estrangeiras interessantes,

Sem artigos roubados à Time!

Mas eles queriam inovar,

Mas eles queriam mais lucros,

E estragaram a minha revista favorita!

Parece que as inovações

Lhe trouxeram mais uns milhões

De vendas!

(Eu não comprei!)

Mas que a divida é tão grande

Que nem com inovações

Será suficiente: o império tem de cair,

Para os chacais sobreviverem!

 

Para saber mais: VISÃO aumenta liderança face à concorrência (notícia da revista de 30-08-2017); Balsemão: 80 anos, um império em risco e um Marcelo no sapato (resumo de uma biografia do proprietário da Visão).

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Sim, sou feminista!

Um pouco de história…

O feminismo nasceu, em finais do século XIX e inícios do século XX, quando algumas mulheres mais informadas e activas decidiram lutar pela promoção da igualdade nos direitos contratuais e de propriedade para homens e mulheres, e na oposição de casamentos arranjados e da propriedade de mulheres casadas (e seus filhos) por seus maridos e, também, pelo direito de voto.
Estas causas perderam sentido? Não me parece! Desde finais do século XIX até hoje (inícios do século XXI) muitas batalhas foram ganhas, mas também existiram muitos retrocessos no percurso.
Por isso quando leio este texto de Bela Barbosa percebo que o feminismo ainda faz sentido hoje e que Sim, sou Feminista!

Mas que feminismo?

Com o tempo as mulheres que compunham o movimento trilharam caminhos opostos, desuniram-se entre si. E foram aparecendo tantos feminismos como pastas de dentes, que levaram a guerras de ideias entre mulheres feministas. Uma vergonha para o movimento e para as próprias mulheres!

Neste texto não vou falar do feminismo das outras mulheres e dos outros homens mas do meu… Defendo que (lista adaptada daqui):

– Mulheres são pessoas. Portanto, merecem direitos iguais;

– Mulheres devem ganhar salários iguais aos dos homens no desempenho da mesma função;

– Mulheres não devem ser discriminadas no mercado de trabalho;

– Nenhuma mulher é uma propriedade. Nenhum homem tem o direito de agredir fisicamente ou verbalmente uma mulher, ou ainda determinar o que ela pode ou não fazer;

– Qualquer ato sexual sem consentimento é violação;

– A representação da mulher nos media não se pode nos reduzir a estereótipos;

– Mulheres não são produtos. Não podem ser tratadas como mercadoria, isca para atrair homens, moeda de troca ou prémio;

– A representação das mulheres deve contemplar toda a sua diversidade: somos negras, brancas, negras, magras, gordas, heterossexuais, lésbicas, bi, com ou sem deficiências;

– Amar o próprio corpo e se sentir bem com a própria aparência não deve depender dos padrões da sociedade: merecemos ser aceites pelo que somos, independentemente do nosso aspecto.

Para mim o feminismo só faz sentido como um subcaminho dos direitos humanos: lutar pelos direitos das mulheres é lutar pela humanidade!

Também só faz sentido com homens…

Como se pode ver pela lista, a luta das mulheres não terminou no inicio da década de 1980, altura em que apareceu a ideia de pós-feminismo. Se terminou foi que muitas mulheres abandonaram a luta; outras sequer se preocuparam (preocupam) em entrar nela.

Por outro lado a luta tem tomado caminhos com os quais não me identifico, e dos quais vou falar um pouco neste texto.

Polémicas Inúteis

O feminismo é uma coisa MUITO BOA que se tem perdido em polémicas inúteis. Um desses casos é precisamente a polémica das mamas da Emma Watson.

Veja-se esse caso: a actriz Emma Watson, que sempre se bateu pelos direitos das mulheres, mas foi acusada de ser hipócrita por ter posado para a Vanity Fair e revelado um pouco dos seios. Olá?! O que é que isso tem a ver com o feminismo?

Micro-agressões: criticadas por se queixarem

A prova que a luta pelo feminismo ainda é válida são as microagressões quotidianas. Mas penso que o “policiamento” contínuo dessas agressões acaba por ter efeitos perversos: acaba por dar pretexto aos agressores para se verem como  “vitimas”. Resultado final: nem os agressores mudam nem a vitima muda.

O feminismo é uma bandeira útil e necessária ainda. Mas as mulheres têm de juntá-la a uma análise cuidada da situação politica, económica e social actual: sem essa análise muita luta serão palavras vãs.

O que nao e feminismo

Portugal, Portugal…

Em Portugal a revolução de Abril trouxe finalmente o direito de ser pessoa às mulheres. O feminismo é algo incipiente e mal-visto. Pior: muitas vezes são as mulheres o maior obstáculo à evolução umas das outras.

Tal como em todos os assuntos, as feministas portuguesas refugiam-se em espaços (virtuais ou físicos) fechados e não comunicantes. Cada “associação” é uma “capelinha”, que pouco comunica realmente com as mulheres portuguesas. Muitas vezes nem há real interesse nisso. Vive-se do que as celebridades dizem e fazem e, claro, comenta-se mais as noticias dos Estados Unidos que as noticias portuguesas.

Prova disso: não consegui encontrar em sites e blogues portugueses imagens EM PORTUGUÊS para ilustrar este texto.

Quotas?!

Num mundo ideal não seriam necessárias quotas especiais para mulheres nas empresas e na politica. Durante muitos anos eu fui contra isso. As mulheres têm mérito suficiente para não precisarem delas! Mas como mérito não é tudo… No Portugal de 2017, depois de assistir a tantos retrocessos no país acabei por me render e concordar com quotas de género.

Portanto, não há dúvidas: sou feminista…

E termino com uma citação de Chimamanda Ngozi Adichie retirada de uma revista brasileira online:

«A questão de género é importante em qualquer canto do mundo. É importante que se comece a planejar e a sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos com si próprios. É assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de um outro modo. O modo como criamos nossos filhos homens é nocivo. Nossa definição de masculinidade é muito estreita. Abafamos a humanidade que existe nos meninos, enclausuramo-los numa jaula pequena e resistente. Ensinamos que eles não podem ter medo, não podem ser fracos ou se mostrar vulneráveis, precisam esconder quem realmente são – porque têm de ser, como se diz na Nigéria, homens duros.»

mentir feminismo nao prega odio

Nota: Agradeço aos / às membr@s do Clube de Leitura Conversas Livrásticas a inspiração para escrever este texto.

Leituras Complementares: Feminismo na Wikipédia; 11 mentiras batidas sobre feminismo que precisam de ser deletadas (em português do Brasil);  Aprovada lei das quotas de género nas empresas.

Última Actualização: 18/08/2017

 

 

 

Rumo a Terceira Guerra Mundial?


Qual é o pape d@s portugueses no futuro?

Apple, monopólios e gestão do século XXI

«(…) é curioso observar a posição da Apple, enquanto empresa monopolista, e a sua relação recente com os mercados financeiros. Sem grandes incentivos ao reinvestimento dos seus lucros, esta empresa acumulou ao longo dos anos 145 mil milhões de dólares. No entanto, no passado mês de Abril, a Apple decidiu endividar-se nos mercados com obrigações no valor de 17 mil milhões de dólares. Naquela que aparentemente foi a maior emissão de dívida de sempre de uma empresa privada, as taxas de juro variaram entre 0,5% nas obrigações a três anos e 3,8% a trinta anos.

Todavia, porque é que uma empresa se vai endividar se está a nadar em liquidez? A razão é bastante prosaica. Boa parte dos 145 mil milhões de dólares disponíveis foi ganha e está depositada fora dos EUA. O seu repatriamento implicaria o pagamento do imposto sobre lucros norte-americano (35%). Por outro lado, o juro pago nesta emissão de dívida será dedutível na factura fiscal da Apple, resultando aparentemente numa poupança de 100 milhões de dólares todos os anos. Este dinheiro angariado nos mercados não servirá para financiar novos investimentos (e emprego), mas sim para permitir uma maior distribuição de dividendos pelos accionistas e financiar um programa de recompra de acções cujo objectivo é elevar a sua cotação na Bolsa.

Conclusão, a Apple beneficia de uma posição no mercado que lhe permite focar-se na valorização financeira das suas acções em vez da sua actividade produtiva, foge descaradamente ao fisco do país que lhe deu as condições físicas e humanas para florescer e, não contente, financia os ganhos dos seus accionistas através de um subsídio implícito dos contribuintes norte-americanos graças às deduções fiscais.»

Nuno Teles (22/07/2013) (1)

(1) Blogue Ladrões de Bicicletas.