Feminismo Quotidiano: #MeToo, a Carta das Francesas e o Feminismo

(O título desta série de textos poderia ser “Quando lês as noticias e parece que o mundo endoideceu” ou “O Meu Feminismo” mas optei por um titulo mais “neutral”: Feminismo Quotidiano.)

E o título deste post poderia ser: a verdade é muito complexa…

MetooTenho acompanhado a polémica à volta do #MeToo com muita preocupação e cepticismo: porque eu, para além de ser feminista sou céptica. Por isso decidi escrever este texto para explicar como vejo as situações.

Em primeiro lugar quero esclarecer que para mim existem vários níveis numa relação. Um esquema básico:

1º Sedução ou assédio sexual. A sedução torna-se assédio sexual quando uma das partes não deseja.

O Código do Trabalho português no seu  artigo 29º define assédio:

«1 – Entende-se por assédio o comportamento indesejado, nomeadamente o baseado em factor de discriminação, praticado aquando do acesso ao emprego ou no próprio emprego, trabalho ou formação profissional, com o objectivo ou o efeito de perturbar ou constranger a pessoa, afectar a sua dignidade, ou de lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador.

2 – Constitui assédio sexual o comportamento indesejado de carácter sexual, sob forma verbal, não-verbal ou física, com o objectivo ou o efeito referido no número anterior.»

Notar que cito a legislação portuguesa e não a norte-americana, que é diferente.

Notar também que a palavra-chave a reter aqui é “indesejado”: é isso que transforma uma legítima e não criminosa sedução num crime que deve ser denunciado.

2º O abuso sexual se dá quando alguém em uma posição de poder ou de autoridade se aproveita da confiança e do respeito de uma pessoa para envolvê-la em actividades sexuais não consentidas. É crime!

3º Violação. É crime!

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Penso que as norte-americanas do movimento #MeToo não fazem a separação entre sedução e assédio sexual. Não fazem porque são puritanas mas também porque a própria cultura norte-americana onde elas vivem é puritana. Desse ponto de vista concordo com as ideias da actriz Catherine Deneuve e de centena de mulheres em França. No entanto as francesas erram na carta ao dar entender que o único tipo de relação não consentida é a violação. De facto, antes de se chegar até aí existem inúmeras modalidades de situações sexuais não consentidas!

O assédio sexual e o abuso sexual – e às vezes até a violação – no meio cinematográfico em geral e em especial no meio cinematográfico norte-americano sempre existiram: muitas vezes o único “teste” que é necessário fazer é o “teste do sofá”. Sempre se soube isso nos corredores das galas e das produções norte-americanas. Muitas actrizes – e actores – beneficiam-se deste “teste” para ascenderem profissionalmente. Talvez agora as coisas mudem ou então tudo mude para que tudo fique igual.

Porquê só agora as denúncias? O facto de Donald Trump ser presidente e dele e dos seus apoiantes conhecerem minimamente e terem contacto com @s abusadores e @s abusad@s terá alguma coisa a ver? Penso que sim.

O escândalo só rebentou quando o produtor de sucesso Harvey Weinstein ser acusado por Ronan Farrow, num artigo publicado na revista The New Yorker, em 10 de Outubro de 2017 (Dez dias antes tinha sido publicada uma noticia sobre o facto no The New York Times que não teve grande impacto). É engraçado que a primeira queixa contra Weinstein aconteceu em 1998, no programa Late Show with David Letterman e foi feita por Gwyneth Paltrow. E entre 1998 e 2017 várias pessoas repetiram a queixa. Portanto Oprah Winfrey (e muitas outras mulheres) sabiam e nunca disseram nada. Foram hipócritas.

Duas coisas há que ter em atenção quando se olha para o movimento #MeToo norte-americano:

  1. Há mulheres que fazem parte do movimento que foram realmente assediadas, ou abusadas e mesmo violadas.
  2. Há homens inocentes: estamos numa fase do movimento em que toda a gente- sobretudo homens – é acusada por tudo e por nada logo é impossível não existirem inocentes. Não me parece que vá durar para sempre. Mas enquanto durar vai prejudicar as carreiras de muitos homens inocentes e de muitos homens culpados.

Num Estado de direito normal seriam os juízes a punir os criminosos. Mas como o Estado de direito já deixou de morar nos Estados Unidos ANTES da eleição de Donald Trump exige-se que sejam as empresas privadas que façam de sua justiça através do despedimento. Weinstein deu o exemplo despedindo-se da empresa que geria e sendo expulso da Academy of Motion Picture Arts and Sciences (que atribui os Óscares). A propósito a actriz Rose McGowan disse em Novembro de 2017: «Está na hora de limpar a casa».

E foi isso que aconteceu com Kevin Spacey, quando também ele foi acusado de assédio sexual: primeiro a Netflix suspendeu as filmagens da série  House of Cards; depois de mais acusações deste género foi despedido da série; e foi substituído por Christopher Plummer no filme Todo o Dinheiro do Mundo, num passo que foi considerado um exemplo para a industria cinematográfica norte-americana.

Outros aspectos ainda do #MeToo de Hollywood:

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Nas galas as mulheres são “convidadas” e “oprimidas para” (embora nenhuma mulher seja coagida a agir assim oficialmente) usarem pouca roupa e serem vistas em formas provocantes por outras mulheres e também por homens. Na minha opinião essas modas são prejudicais para as mulheres: tornam-se mais vulneráveis. (Parágrafo puritano mas cheio de bom senso).

– Independentemente de uma mulher estar mais despida ou mais vestida Ninguém Deve fazer assédio, abuso ou mesmo violação.

Concluindo: A verdade sobre o que se passa nos Estados Unidos não é simples, o assédio sexual, o abuso sexual existem e nem todos os homens são culpados. Também e necessário acrescentar que ser feminista é procurar a verdade e a justiça.

Para Saber Mais:

Escândalos sexuais: Ian McKellen diz que algumas atrizes também trocaram sexo por trabalho

Assédio: 6 poderosos do showbizz que caíram em 2017 após denúncias das vítimas

Você não percebeu, mas 8 ativistas feministas passaram pelo tapete vermelho do Globo de Ouro 2018
Manifesto francês denuncia puritanismo da campanha #MeToo
“Nous défendons une liberté d’importuner, indispensable à la liberté sexuelle” (a Carta das Francesas no original)

Resposta a Catherine Deneuve: “Os porcos e os seus aliados estão inquietos?”
Uma carta polémica (“seduzir alguém de forma persistente não é crime”) e uma resposta dura (“estou chocada”)
Lutamos, lutamos. Mas… E depois?
Globos de Ouro: É Preciso Sair do Truman Show (com amigos)
Assédio sexual ou Sedução?
Sem-noção, distorção e outros nãos ao manifesto de Catherine Deneuve & 99 francesas

Catherine Deneuve: “Aos conservadores, racistas e tradicionalistas, que estrategicamente me vieram apoiar, gostaria de lhes dizer que não me enganam”

Última Actualização: 16/01/2018

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Leituras: Quando Daniel H. Pink me compeliu a escolher os meus passatempos…

A-Nova-InteligenciaDaniel H. Pink estudou na Northwestern University (uma universidade privada dos Estados Unidos) e conseguiu fazer-se eleger para a Phi Beta Kappa, a mais antiga sociedade de honra nas áreas de ciência e arte liberal dos Estados Unidos da América. Também recebeu uma Bolsa Harry S. Truman. Depois formou-se em jurisprudência na Yale Law School. Decidido a não praticar direito, dedicou-se à acessoria política durante a presidência de Bill Clinton. Fez parte do gabinete de Robert Reich quando ele foi Secretário para o Emprego e foi escritor de discursos de Al Gore, quando este era Vice-presidente. Mas em 1997 desistiu deste trabalho. Em 2001 publicou o seu primeiro livro, sobre a emergência do trabalho independente e em louvor dos empresários por conta própria, baseado em artigos publicados em jornais e revistas desde 1997. Em 2005 publicou o seu segundo livro, este. Hoje é empreendedor e aclamado como guru no mundo da gestão.
Em Portugal este livro foi editado a primeira vez em 2009. Em 2017 foi reeditado e tornou-se no livro da moda.
No primeiro capitulo o autor faz uma pequena reflexão sobre o hemisfério esquerdo (o lugar do raciocínio e da linguagem oral) e o hemisfério direito (hemisfério das emoções e da linguagem visual (imagem, desenho)).
No segundo capitulo o autor analisa de forma ultra-superficial três eras: primeiro a Era da Abundância (ou seja, do hemisfério esquerdo e do consumismo), segue-se a Era da Ásia (ou seja, do outsourcing), a Era da Automação (ou seja da ascensão da Inteligência Artificial).
No capitulo terceiro o autor convida-nos a pensar nos últimos 150 anos como um drama em três actos:
1º A Era Industrial (a partir de 1850)…
2º A Era da Informação (os “trabalhadores do conhecimento”)…
A actualidade – a Era Conceptual. Nesta era o hemisfério direito (ou seja, a criatividade) predomina. Nesta nova Era, a arte, a inteligência emocional e a procura de sentido predominam.
Para o autor o essencial é cada um desenvolver sete habilidades (o autor chamas-lhes “sentidos”):
Design – Descobrir o artista que há em nós.
Capacidade de contar histórias – Essa capacidade é importante para cada um de nós alcançar sucesso.
Sinfonia – Para saber criar ligações entre coisas e assuntos opostos.
• Empatia – Para perceber os outros e liderar melhor. Inclui a Inteligência Emocional.
Diversão – Terminou a compartimentação entre trabalho e diversão. Necessário jogar jogos, divertir-se a trabalhar e ter humor no quotidiano.
Sentido – Partindo das teorias de Viktor Frankl, que descobriu que em situações extremas como um campo de trabalhos forçados ter um sentido para viver e objectivos é meio caminho andado para a resiliência. Aqui entra também a ideia de que o lado espiritual do homem tem de ser levado a sério, assim como a sua procura da felicidade. Aqui o livro começa a parecer um compêndio das ideias da Psicologia Positiva e de conceitos de auto-ajuda da moda.
Para cada um destes temas o autor propõe recursos para a desenvolver. Essa é, aliás, a grande utilidade do livro.
Ao ler este livro sinto-me num campo de trabalhos forçados que explora os meus tempos livres. (Pode escrever-se que as ideias de Byung-Chul Han se opõe às ideias de Daniel H. Pink e que o último faz psicopolitica.)
No entanto tenho grande interesse em ouvir e contar histórias (storytelling) e a minha necessidade de organização levam-me a estabelecer objectivos (a procurar um sentido). Todos os dias pratico a empatia (fazer atendimento ao público é também isso). E a minha curiosidade leva-me escolher como passatempos para este ano, para além de escrever neste blogue e de ler, experimentar desenhar algo, ouvir sinfonias e trazer diversão para o quotidiano.
É claro que desenvolver estas habilidades não livrará ninguém do desemprego, mas isso o autor não diz. Todavia são boas ideias para actividades de lazer e nesse sentido o livro não é inútil.

Leitura de: Daniel H. Pink, A nova inteligência (Alfragide, Texto, 2013)

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Os Factos Que Marcaram a Nível Mundial em 2017

    1. Donald Trump tomou posse como presidente dos Estados Unidos da América em 20 de Janeiro. De tudo o que fez depois disso, merece ser destacado:

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a) Está a promover uma descida brutal dos impostos dos mais ricos!

b) Reconheceu Jerusalém como capital de Israel e ordenou a transferência de embaixada americana, pondo assim em causa as ambições palestinianas em relação à cidade;

c) A saída do Acordo de Paris e o estar-se a “borrifar” para as alterações climáticas

d) 12 de Agosto, centenas de nacionalistas brancos, membros da chamada direita alternativa e neo-nazis deslocaram-se a Charlottesville, Virginia, Estados Unidos da América, para participarem numa marcha denominada “Unite the Right”.

A “direita alternativa” norte-americana a curto prazo, apoiam fervorosamente as ideias de Trump, em questões como a imigração e a guerra ao islão. A longo prazo, querem seriamente estabelecer um “estado étnico”, só para brancos, dentro dos EUA.

e) Reverteu parte do acordo de Obama com Cuba e reverteu parte do acordo nuclear com o Irão;
f) Deixou a Parceria Transpacífico;
g) Suspendeu a entrada de pessoas transgéneros nas forças armadas;
h) Tornou facultativo o financiamento de contraceptivos por parte dos planos de saúde;
i) Acabou com o princípio da neutralidade da internet;
j) A morte sem fim nos Estados Unidos e Trump apoia posse de armas de fogo!
«Os Estados Unidos vivenciaram ao menos 273 tiroteios em massa em 275 dias. Os números chocantes são resultado de um levantamento conduzido pelo grupo de pesquisa Gun Violence Archive, que monitora esses incidentes desde 2013 e mantém registos actualizados com base em dados de autoridades americanas.» (Fonte).

    1. Atentados por todo o mundo, especialmente em países com maioria muçulmana.

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3. Pobreza e não só no seculo XXI!

«As notícias relacionadas com os milhões de crianças a viver em extrema pobreza, a crise de fome no Iémen, a fuga dos muçulmanos rohingyas de Myanmar, a problemática dos refugiados na Austrália, e o tráfico de seres humanos na Líbia, mostram que a Humanidade precisa de férias (e porque estás por aqui, “checka” a sensibilidade do vídeo acima).» (Fonte)

  1. O Brexit ( A ruptura oficial está marcada para 29 de Março de 2018).
  2. Paraísos Fiscais e Legais

Muitos escândalos, periodicamente irão aparecer. Mas nada muda, pois até os governos estão dependentes de paraísos fiscais.

    1. A propósito de paraísos: a corrupção no mundo está boa e recomenda-se!
    2. A luta pela independência da Catalunha…

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8. A subida da extrema-direita no mundo…

Se a esquerda não parece ser alternativa e nós adoramos ser explorados pelo capitalismo, porque não votar extrema-direita? Há muita gente no mundo a pensar assim. Eu não sou uma delas! E essa gente é inteligente, tem licenciaturas, mestrados e doutouramentos. Há também gente que vota extrema-direita e tem pouca instrução. Todos têm em comum muita frustração com o statuos quo!

  1. Emmanuel Macron ou mais do mesmo com um estilo diferente!

(Mais uma razão para a extrema-direita subir!)

    1. O novo presidente angolano, João Lourenço.

«É só uma operação de cosmética (apesar das dezenas de exonerações), ou significa que está a pensar em todos e não só em benefício de alguns?» (Fonte).

    1. No Zimbabwe sai Robert Mugabe para que tudo fique na mesma??
    2. Brasil ou o retrocesso continua (e chamam-lhe progresso)!

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13. #MeToo ou quando o feminismo foi usado por outros interesses…

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14. Xavier Bettel, primeiro-ministro do Luxemburgo…

« Tornar o que poderia ser considerado um embaraço de protocolo num momento perfeitamente banal. Alguém tinha de ser o primeiro e Xavier Bettel fê-lo: “Ecco mio marito (este é o meu marido)”, disse o primeiro-ministro luxemburguês num tom descontraído. Foi assim que, com a maior naturalidade, Xavier Bettel apresentou o seu marido, Gauthier Destenay, aos seus homólogos líderes europeus numa cimeira da União Europeia.» (Fonte).

    1. A promoção da inteligência artificial a substituta do trabalho humano ou patrões procuram empregados doces e com cérebro programável?

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16. A bolha da procura da bitcoin!

«Esse foi um ano e tanto para as criptomoedas. O bitcoin começou 2017 valendo menos de US$ 1 mil (aproximadamente R$ 3,3 mil) e, em dezembro, quase ultrapassou US$ 20 mil em meio a dois meses de grande flutuação.

Durante toda a curva de ascensão do preço da moeda, céticos previram que a bolha iria estourar – e, há duas semanas, parecia que isso estava de fato ocorrendo.

O preço da moeda caiu até quase US$ 13 mil – e passou a flutuar neste patamar. Na sexta, abriu o dia em US$ 14,4 mil e fechou em US$ 13,3 mil. As mudanças têm acontecido com tanta velocidade que qualquer artigo ou matéria sobre a flutuação ficam velhos cinco minutos depois de serem escritos.» (Fonte).

cartoon686017. Aumento da depressão e das doenças mentais no mundo…

Screen-Shot-2016-03-04-at-12.18.05-PM118. Obsessão com o corpo no mundo ocidental…

19. Nu, o novo normal nas redes sociais do mundo ocidental…

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20. E no meio de tudo isto António Guterres é o secretário-geral da Organização das Nações Unidas… até agora uma belíssima figura decorativa!

Leituras: O paradoxo sexual?!

Enquanto feminista gosto de pensar sobre estes assuntos:
Os homens são o sexo forte? Ou serão as mulheres? A paridade deve ser exigida pelas mulheres ou não?
Este livro trata disso!
“Os homens são de extremos por isso morrem mais cedo”, dizem-me às vezes. O senso comum. A autora procura demonstrar esta tese.

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Susan Pinker é psicóloga e colunista no The Wall Street Journal. Este livro foi editado em 2008.
A tese da autora é que a situação das mulheres no mundo do trabalho deve-se sobretudo às suas características biológicas e psicológicas, que as faz ser mais empáticas, preocupadas com os outros e claro, com os seus filhos. Para Susan Pinker, muitas mulheres que têm escolha (que fazem parte das elites) acabam por deixar os empregos mais competitivos para se dedicarem à família e/ou a empregos menos remunerados e de menos poder mas onde se sentem melhor.
Susan Pinker demonstra as suas ideias através de:
a) Entrevistas às mulheres das elites referidas anteriormente. Todas dizem milagrosamente (ou não) a mesma coisa.
b) Sistematização de estudos realizados por cientistas de várias áreas (sobretudo da área da biologia, mas também alguns das ciências sociais e humanas) das universidades norte-americanas e europeias, às quais não faz qualquer tipo de análise à metodologia usada nem a qualquer aspecto: aceita todos os resultados como se fossem A Verdade.
Susan Pinker consegue até certo ponto demonstrar as suas ideias. Que não haja dúvidas que concordo com ela:
As mulheres são Biologicamente e Psicologicamente DIFERENTES dos homens e isso interfere na forma como vivem e nas suas escolhas.
Mas a própria autora chega à conclusão que a sociedade tem de ser um factor a ter em conta: existe a interferência de um factor chamado A Sociedade Que Discrimina as Mulheres Disfarçadamente (Note-se que Eu Defendo Que As Mulheres Não São Sempre Vítimas).
De facto, todos os empregos fora do lar foram inicialmente pensados e ocupados por homens solteiros e/ou casados-com-mulher-a-cuidar-sempre-dos-filhos, com horários de 16 horas por dia, no mínimo. Ter vida familiar é um sonho irrealizável nestes empregos e a autora quase que defende que continue a ser assim. Quase!… Na conclusão dá de facto a entender que se preocupa com essa situação!
Por exemplo, eis a análise que a autora faz da situação das advogadas nos Estados Unidos:
«Embora se sentisse sozinha, a sensação de estar deslocada era uma característica do movimento em massa das mulheres dos anos de 1970 e 1980 para entrar em carreiras tipicamente masculinas. A maior parte desses ambientes de trabalho não se adaptou às mulheres – e também não se esperava que o fizessem. (…) Desde que a legislação de direitos iguais modificou a paisagem laboral, mais mulheres entraram em advogacia do que em qualquer outra profissão outrora masculina. No entanto, não foi feita grande coisa para alterar a fórmula para promoções e associações em gabinetes de advogados (…)»
Aqui temos a chamada Sociedade a interferir nas escolhas das mulheres!
Resumindo:
– Existem factores biológicos e psicológicos que interferem na escolha das carreiras pelas mulheres e que têm de ser respeitados;
– A sociedade é um factor que não pode ser menorizado;
– A paridade absoluta entre homens e mulheres é inalcançável.

Leitura de: Susan Pinker, O paradoxo sexual (Lisboa, Planeta, 2011)