Hoje lembrei-me de Eduardo Galeano

«Eu não acredito em caridade. Eu acredito em solidariedade. Caridade é tão vertical: vai de cima para baixo. Solidariedade é horizontal: respeita a outra pessoa e aprende com o outro. A maioria de nós tem muito o que aprender com as outras pessoas.»
Eduardo Galeano

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Pessoa e Mercadoria

«Se você busca a verdade, beba a cerveja Heineken. Quer autenticidade? Fume cigarros Winston. Busca a rebeldia? Compre uma máquina Canon. Está inconformado com a situação do mundo? Coma um hambúrguer da Burger King. Deseja afirmar sua personalidade? Use um cartão Visa. Quer defender o meio ambiente? Espelhe-se no exemplo da Shell. Hoje em dia, a publicidade tem a seu cargo o dicionário da linguagem universal. Se ela, a publicidade, fosse Pinóquio, seu nariz daria várias voltas ao mundo»

Eduardo Galeano

Comentarium: A publicidade existe para criar necessidades… artificiais. Comprar algo traz sempre uma (falsa) ideia de identidade, e uma (falsa) ideia de novos valores. A publicidade existe para isso mesmo.

Estamos já tão habituados a olharmo-nos como consumidores – ou melhor, como compradores, que há medida que o tempo passa nos esquecemos que temos outras vertentes a desenvolver na nossa personalidade. O consumo invadiu todas as esferas da nossa vida, deixando quase nenhum espaço para outras coisas. Resultado (relembrando Hannah Arendt): um vazio, ocupado apenas por objectos e serviços das marcas mais populares; uma menorização da esfera política; uma menorização da esfera pessoal e privada.

Fonte da Imagem: Melodies in Marketing.