A sabedoria de Rosa Oliveira

«P.: O primeiro livro foi distinguido com um prémio revelação, inaugurou a par de um outro a coleção de poesia da Tinta-da-China, esgotou uma primeira edição de 500 exemplares, algo tão difícil em Portugal quando se trata de poesia, mas mesmo assim este é um tempo em que a poesia tem menos repercussão do que nos tempos em que começou a interessar-se por ela. O que mudou de lá para cá?

R.: Tudo mudou muito. O mundo mudou muito, não só em relação à edição de livros. Mas publica-se hoje muito mais. Há mais variedade e isso também no que toca à qualidade. Quanto à receção: a crítica está de rastos, mas a verdade é que neste país nunca foi portentosa. Neste país a literatura sempre foi 100 pessoas a escreverem para as mesmas 100. Não sei se isso se terá alterado muito. O que acontece é que antes, editando-se menos, quando certos livros saíam nós sabíamo-lo, íamos à procura. Mas o mesmo se passava com a música, com o cinema. Ao democratizar-se o acesso à cultura, há muito mais coisas mas também a reação a elas se torna muito mais ligeira e passageira

Rosa Oliveira (1)

 

(1) Fonte: jornal I, 24/04/2017.

Rosa Oliveira é critica literária, professora na Escola Superior de Educação de Coimbra e escritora. Venceu recentemente o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2017.

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Leituras: Rainer Maria Rilke e Virginia Woolf reflectem sobre a escrita da poesia, a vida e tudo o mais

Cartas-a-Jovens-Poetas

Depois de responder ao desafio da Catarina Duarte ou CD do blogue Insensatez, fiquei com vontade de ler o livro citado por ela: Cartas a um jovem poeta de Rainer Maria Rilke. Tive a sorte de encontrar na biblioteca uma edição espectacular deste livro, que contém também um texto de Virginia Woolf com o mesmo título.

Um cheirinho das biografias

Rainer_Maria_Rilke,_1900Rainer Maria Rilke (1875-1936) nasceu em Praga, que fazia Império Austro-Húngaro e morreu na Suiça. Escreveu poemas em francês mas a sua língua foi sobretudo o alemão. Virginia Woolf (1882-1941) sempre viveu no Reino Unido e escreveu em inglês.

Rainer Maria Rilke era um plebeu que sonhava viver no mundo da aristocracia. Virginia Woolf nasceu em berço de ouro mas sonhava ser uma pessoa anónima.

Rainer Maria Rilke era um simples poeta existencialista. Virginia Woolf era uma escritora modernista que tinha uma empresa editorial, juntamente com o seu marido Leonard Woolf (1880-1969): a Hogarth Press (fundada em 1917 e que agora faz parte do grupo Random House).

Virginia_Woolf_1927Rainer Maria Rilke e Virginia Woolf eram duas pessoas diferentes mas que viveram no mesmo período: fim do século XIX e início do século XX. O que é que essas duas pessoas teriam em comum?

 

O livro

Rainer Maria Rilke e Virginia Woolf escreveram cartas a jovens poetas mas os conselhos são opostos: Rainer Maria Rilke aconselha ao seu correspondente que olhe mais para dentro de si, Virginia Woolf que olhe mais para além do seu umbigo antes de escrever.

Ambos no entanto acabam por dar o mesmo conselho: escrever muito antes de publicar e não ter pressa em publicar. Virginia Woolf aconselha mesmo que se experimente todos os caminhos na escrita antes de se encontrar o nosso e depois sim, publicar-se.

O que lemos de Rainer Maria Rilke neste livro são cartas íntimas, que ele nunca pensou ver publicadas. Quem as publicou, depois da sua morte, foi o destinatário. Não é de admirar por isso que se encontrem aqui conselhos de como viver a vida. Achei engraçado por isso que o tom usado por Rainer Maria Rilke ser muito semelhante aos livros de auto-ajuda (que começaram a ser publicados no século XIX).

A Carta a um jovem poeta de Virginia Woolf foi publicada numa revista, não enviada pelo correio. Mas tanto ela como Rainer Maria Rilke começam a falar sobre poesia e acabam a falar da vida e da morte.

Como se pode ver, estes dois escritores têm muito em comum. Vale a pena ler esta edição!

 

Ver também:

A sabedoria de Rainer Maria Rilke

A sabedoria de Virginia Woolf

Tenho de escrever? A minha resposta!

Hoje lembrei-me de Mariana Mortágua

«Sinceramente não percebo porque é que é uma polémica. Não podemos dizer à boca-cheia que não somos sexistas, que queremos uma sociedade livre de sexismo e depois ser altamente permissivos com todas as formas de sexismo, nomeadamente a reprodução de papéis de género que estão na base do sexismo, ainda mais em materiais educativos para crianças de quatro a seis anos. Ou somos brutalmente exigentes com a democracia que queremos ter, sobretudo na educação, ou continuamos a permitir a reprodução destes estereótipos e não podemos querer depois que a sociedade mude. Para mim é tão óbvio isto. Para mim não tem nada a ver com a liberdade de expressão, não tem nada a ver com liberdade literária, artística, de produção, nada a ver. Estamos a falar de materiais educativos. Não é liberdade ter material educativo que seja sexista; não, não é. Tal como não é liberdade ter material educativo que seja racista. Porque nós assumimos enquanto sociedade, e inscrevemos isso na Constituição, e em várias leis e convenções internacionais, que a sociedade em que queremos viver não é racista nem sexista.»
Mariana Mortágua

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Fonte: Diário de Notícias, 01/09/2017.

Palavras soltas

Acreditar
«Quando as pessoas não acreditam em ti, tens de acreditar em ti proprio.»

Pierce Brosnan

Amizade
A amizade precisa e de tempo.
E capacidade de ouvir e gostar.

Caminho (1)
Por vezes precisamos de mudar de rota ou experimentar novas abordagens para encontrar o NOSSO caminho…

Caminho (2)

Só há uma forma de percorrer o Caminho da nossa vida: olhando e caminhando em frente, sempre!
(Anónimo)

Capa
É melhor não julgar um livro pela capa.

 

Cidadania

Intervir na “polis” não é só votar ou candidatar-se a um partido político. É sobretudo dar a nossa opinião e às vezes ver o que os outros não vêem.

 

Desafio

Cada dia é um desafio. Vence-o, porque quando deixar de haver desafios é mau sinal.

Dividir

Podemos dividir o mundo entre os fortes e os deprimidos?
A mim parece-me que não. Todos somos frágeis em algum momento.

Errar
Errar é o único caminho até acertarmos.

 

Inteligência

«Eu aprendi que para se crescer como pessoa é preciso me cercar de gente mais inteligente do que eu.»
William Shakespeare

Mudar

Mudar de vida custa. Tem de ser um passo de cada vez!

Rugas
As rugas são uma dádiva da vida.