Palavras soltas

Acreditar
«Quando as pessoas não acreditam em ti, tens de acreditar em ti proprio.»

Pierce Brosnan

Amizade
A amizade precisa e de tempo.
E capacidade de ouvir e gostar.

Caminho (1)
Por vezes precisamos de mudar de rota ou experimentar novas abordagens para encontrar o NOSSO caminho…

Caminho (2)

Só há uma forma de percorrer o Caminho da nossa vida: olhando e caminhando em frente, sempre!
(Anónimo)

Capa
É melhor não julgar um livro pela capa.

 

Cidadania

Intervir na “polis” não é só votar ou candidatar-se a um partido político. É sobretudo dar a nossa opinião e às vezes ver o que os outros não vêem.

 

Desafio

Cada dia é um desafio. Vence-o, porque quando deixar de haver desafios é mau sinal.

Dividir

Podemos dividir o mundo entre os fortes e os deprimidos?
A mim parece-me que não. Todos somos frágeis em algum momento.

Errar
Errar é o único caminho até acertarmos.

 

Inteligência

«Eu aprendi que para se crescer como pessoa é preciso me cercar de gente mais inteligente do que eu.»
William Shakespeare

Mudar

Mudar de vida custa. Tem de ser um passo de cada vez!

Rugas
As rugas são uma dádiva da vida.

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Leiria, 2014: O alternativo é o novo mainstream?

«E vai daí, parece que a chamada ‘Grande Cultura’ (a dominante, a predominante, a reinante… essa toda!) já não é aquela coisa inquestionável, indiscutível, incontestável. O espectro alargou-se de tal forma que o alternativo é o novo mainstream. Será?

A boa notícia é que quando se vai aos saldos, já não é preciso gramar com o unts unts unts unts… onde somos todos obrigados a ser jovens e modernos, e a saltar ao som de frases soltas sobre amor. Népias… para além das T-shirts dos Ramones da Pull, o ambiente sonoro mudou.

Não há fome que não dê em fartura – e não, não falo dos lucros fabulosos que a lojas independentes de discos fazem, precisamente porque não são nada fabulosos. Basicamente disseminou-se a estética, mas os discos ficam na prateleira. Todos conhecemos lojas que, a certa altura, começaram a vender roupa, não é?

A identidade anda de mão dada com a diversidade, e apesar de a Beyoncé continuar a incendiar plateias, o mainstream continua a ser o mainstream. O seu público é que consome um look mais apunkalhado.

Por outro lado, há todo um movimento contemporâneo, válido e marcante, que tem deixado a sua impressão digital nas cidades, e apesar de ser olhado com alguma condescendência – ou como se de uma actividade menor, ou menos nobre, se tratasse -, o facto é que ele existe, existiu e existirá, e incontornavelmente a história das cidades também passa por aqui.

Em Leiria, como em outros sítios, já é tempo de não se olhar para certas manifestações artísticas como um sub-género marginal, alternativo ou – como alguém romanticamente lhe chamou – Contracultura.

Terá certamente toda a pertinência de catalogação em áreas como a Sociologia ou Antropologia, mas era interessante notar que marginal é quem se coloca à margem ou quem funciona em circuito fechado onde o direito de admissão é reservado.

A cultura que a Preguiça Magazine promove, por exemplo, saiu à rua há muito tempo, e entranhou-se na cidade. Merece, por isso, todo o respeito e consideração, e não é de todo válido que se veja numa óptica de ser do contra, antes pelo contrário. É do mais democrático que há.

Assim, não se perde muito tempo em distinções sobre a Alta ou Baixa Cultura, o que é popular e o que é erudito, o que é contracultura e o que é normativo. Parte-se com a perfeita noção do meio em que se insere, dos conhecimentos que se tem, das suas capacidade de mobilização, sem, no entanto, perder a percepção de que há espaço para todos, e diversas variáveis sócio-económicas.

Ainda hoje, alguma cultura menos imediata é olhada com desconfiança. A herança cinzenta e salazarenta ainda faz com que se sinta a necessidade de haver alguém acima de nós, e que, mesmo que involuntariamente, se eleja uma elite, sem que ela necessariamente o seja.

Este provincianismo latente e adoração a uma suposta elite atávica, faz com que se olhe para algo menos normativo ou fora desse circuito premium, como fracturante e outsider.

Não é. Apenas é inventivo, e isso está muitos anos-luz de ser banal ou menor. É válido, é pertinente, tem uma função social benéfica e contribui para o desenvolvimento. Capisce?»

Pedro Miguel (03/04/2014) (1)

Comentarium: O alternativo é o novo mainstream… dependendo quem são os nossos amigos.

(1) Texto publicado no Preguiça Magazine.

In memoriam Aaron Swartz

AaronSwartzPIPA

«Information is power. But like all power, there are those who want to keep it for themselves. The world’s entire scientific and cultural heritage, published over centuries in books and journals, is increasingly being digitized and locked up by a handful of private corporations. Want to read the papers featuring the most famous results of the sciences? You’ll need to send enormous amounts to publishers like Reed Elsevier.

There are those struggling to change this. The Open Access Movement has fought valiantly to ensure that scientists do not sign their copyrights away but instead ensure their work is published on the Internet, under terms that allow anyone to access it. But even under the best scenarios, their work will only apply to things published in the future. Everything up until now will have been lost.

That is too high a price to pay. Forcing academics to pay money to read the work of their colleagues? Scanning entire libraries but only allowing the folks at Google to read them? Providing scientific articles to those at elite universities in the First World, but not to children in the Global South? It’s outrageous and unacceptable.

“I agree,” many say, “but what can we do? The companies hold the copyrights, they make enormous amounts of money by charging for access, and it’s perfectly legal — there’s nothing we can do to stop them.” But there is something we can, something that’s already being done: we can fight back. (…)»
Aaron Swartz (Julho 2008)

Fonte da Imagem: Wikipédia.

Leituras Complementares:

Remember Aaron Swartz

MIT investiga responsabilidade na morte de Aaron Swartz

Internet pioneer and information activist takes his own life

Consequências da desinformação sobre o copyright

«1992, o ano em que o Congresso Americano aprovou o Audio Home Recording Act, parece marcar o ponto em que as editoras que fazem lobby pelo copyright abandonaram a estratégia do Legal vs. Ilegal.

O objectivo destas editoras é convencer os nossos políticos a criarem uma lei de copyright total (sem excepções) e eterno. Ao mesmo tempo, desdobram-se em campanhas de propaganda com o objectivo de tentar convencer os cidadãos e autores que os cidadãos têm MENOS direitos do que os que a lei realmente dá.

Num ano recente, a primeira coisa que víamos quando nos aproximavamos da Feira do Livro de Lisboa era uma faixa enorme a dizer “Diga não à cópia”. Eu tenho livros com a mesma frase impressa.
As editoras e associações gestoras de direitos têm-se desdobrado em campanhas que têm como objectivo denegrir vocábulos como “cópia”, “fotocópia” ou “downloads”.

Recentemente, a APEL lançou um “estudo” sobre a dimensão da cópia ilegal de livros no Ensino Superior e Profissional em Portugal. Nesse “estudo”, a APEL descreve sete métodos de cópia e classifica-os a todos como ilegais.

Se confrontarmos o “estudo” com o Código de Direito de Autor e Direitos Conexos Português, verificamos que apenas dois (dos sete) métodos descritos são manifestamente ilegais.

No sumário executivo deste estudo (pág.12), é dito
“Apenas 3% dos estudantes dizem desconhecer a lei da proibição da fotocópia;”

Isto é absolutamente extraordinário: 97% dos estudantes inquiridos afirmam conhecer uma lei que não existe! Não existe em Portugal nenhuma lei com o título ou o tema “proibição da fotocópia”. As fotocópias não são proibidas em Portugal. Mal de nós se assim fosse porque isso significaria que tínhamos perdido o direito à cópia privada.

O estudo refere ainda por várias vezes a “lei da proibição da cópia integral”, que também não existe: quando o cidadão faz uma cópia privada pode fazer a cópia integral da obra.

Quando vocês passam um CD para o formato mp3, para o poderem ouvir no vosso leitor de mp3, estão a fazer uma cópia privada e têm todo o direito de fazer uma cópia integral. Nem faria sentido que vocês só pudessem passar uma parte do CD para mp3!

As únicas situações em que a lei restringe a cópia integral são aquelas em que a lei permite também a distribuição e disponibilização ao público dessa cópia. E é por permitir a distribuição e disponibilização ao público que a lei faz esta restrição e nunca por ser uma cópia.

Mas muitas vezes acontece (e eu já presenciei isto) um aluno ir à biblioteca requisitar um livro, dirigir-se a uma loja de fotocópias, pedir para fazerem uma cópia e dizerem-lhe que só podem fotocopiar x páginas ou x% do livro. Mas a lei não impõe nenhum limite à cópia privada.

Esta desinformação é muito útil às editoras e sociedade de gestão de direitos: se conseguirem convencer os cidadãos de que estes têm menos direitos do que os que realmente têm, quando conseguirem convencer os políticos a retirarem estes direitos da lei, os cidadãos não se vão queixar, pois acham que já não tinham esses direitos de qualquer maneira.

Esta propaganda tem e terá também efeitos práticos terríveis: nos últimos dias um conjunto de autores conseguiu deitar abaixo um site que facilitava o empréstimo de livros digitais legal.

O Lendink era um site que ajudava pessoas que compraram livros digitais na Amazon ou na Barnes & Noble a encontrar outras pessoas que quisessem emprestar os seus livros digitais. Quando isto acontecia, os utilizadores eram redireccionados para os sites da Amazon e Barnes & Noble onde o empréstimo era efectuado.

Alguns autores começaram a dizer no Twitter que não tinham dado autorização para empréstimo dos seus livros (o que é mentira porque deram essa autorização quando assinaram o contrato com a Amazon ou a Barnes & Noble), que o Lendink era um site pirata, que permitia o “roubo”, etc, numa caça às bruxas execrável.

(…) Este mês foi o Lendink, amanhã pode ser um site vosso. Não abdiquem dos vossos direitos, nem se deixem enganar: a lei portuguesa está disponível para toda a gente ler.»

Paula Simões (10/08/2012) (1)

(1) Paula Simões’ Blog.