Cidadãos não são jornalistas

A Imagem:

20799563_10213430141173253_6887631817732475320_n

O meu Comentário:
Inicialmente partilhei esta imagem no Facebook por concordar com ela. Mas mudei de opinião!
As pessoas (Cidadãos) não têm o dever de procurar ouvir os dois (ou mais) lados da notícia para alcançarem a verdade. Isso é dever dos jornalistas.

As pessoas (no Facebook e fora do Facebook) são todos os dias “bombardeadas” com notícias sensacionalistas e opinião disfarçada de informação. Para além disso têm sites e blogues com notícias falsas, desactualizadas e ainda sítios de anedotas disfarçadas de notícias.

Por isso as pessoas (Cidadãos) devem cultivar o sentido critico e a literacia da informação.

Mas não podem sem obrigados a desfazer-se de repente das suas  crenças e a ser “objectivos”. Esse é o papel dos jornalistas!

Anúncios

Bibliotecas, Democracia, Conhecimento – parte 1 (09-02-2015)

biblioteca2
Fazer chegar o conhecimento às pessoas parece uma tarefa fácil, até às vezes uma futilidade. Mas para que isso aconteça são necessários muitos passos, muita boa vontade, muito dinheiro. É preciso encontrar pessoas que precisem do conhecimento e que o desejem receber. Uma biblioteca mexe com toda a sociedade! Por isso adoro trabalhar numa biblioteca pública! Desejo, luto e espero que o conhecimento não se volte a fechar em armários com chave, como acontecia há uns anos. Podem até ser armários com chave electrónicos… o tempo trouxe inovações nas tecnologias mas não na maioria das ideias.

Wikipédia ou enciclopédia tradicional? (01-02-2015)

A Wikipédia torna-se tendenciosa por é escrita em colaboração por pessoas com diferentes formações e carreiras. Às vezes encontram-se erros crassos, mitologias a gosto, manipulações e outras coisas do género.

Intelectualismo
Mas uma enciclopédia tradicional também é tendenciosa. É escrita por um grupo de pessoas do mesmo meio académico. Ou amigas do mesmo editor. Se consultar a Wikipédia, consute também uma enciclopédia tradicional. E vice-versa.

Leiria, 2014: O alternativo é o novo mainstream?

«E vai daí, parece que a chamada ‘Grande Cultura’ (a dominante, a predominante, a reinante… essa toda!) já não é aquela coisa inquestionável, indiscutível, incontestável. O espectro alargou-se de tal forma que o alternativo é o novo mainstream. Será?

A boa notícia é que quando se vai aos saldos, já não é preciso gramar com o unts unts unts unts… onde somos todos obrigados a ser jovens e modernos, e a saltar ao som de frases soltas sobre amor. Népias… para além das T-shirts dos Ramones da Pull, o ambiente sonoro mudou.

Não há fome que não dê em fartura – e não, não falo dos lucros fabulosos que a lojas independentes de discos fazem, precisamente porque não são nada fabulosos. Basicamente disseminou-se a estética, mas os discos ficam na prateleira. Todos conhecemos lojas que, a certa altura, começaram a vender roupa, não é?

A identidade anda de mão dada com a diversidade, e apesar de a Beyoncé continuar a incendiar plateias, o mainstream continua a ser o mainstream. O seu público é que consome um look mais apunkalhado.

Por outro lado, há todo um movimento contemporâneo, válido e marcante, que tem deixado a sua impressão digital nas cidades, e apesar de ser olhado com alguma condescendência – ou como se de uma actividade menor, ou menos nobre, se tratasse -, o facto é que ele existe, existiu e existirá, e incontornavelmente a história das cidades também passa por aqui.

Em Leiria, como em outros sítios, já é tempo de não se olhar para certas manifestações artísticas como um sub-género marginal, alternativo ou – como alguém romanticamente lhe chamou – Contracultura.

Terá certamente toda a pertinência de catalogação em áreas como a Sociologia ou Antropologia, mas era interessante notar que marginal é quem se coloca à margem ou quem funciona em circuito fechado onde o direito de admissão é reservado.

A cultura que a Preguiça Magazine promove, por exemplo, saiu à rua há muito tempo, e entranhou-se na cidade. Merece, por isso, todo o respeito e consideração, e não é de todo válido que se veja numa óptica de ser do contra, antes pelo contrário. É do mais democrático que há.

Assim, não se perde muito tempo em distinções sobre a Alta ou Baixa Cultura, o que é popular e o que é erudito, o que é contracultura e o que é normativo. Parte-se com a perfeita noção do meio em que se insere, dos conhecimentos que se tem, das suas capacidade de mobilização, sem, no entanto, perder a percepção de que há espaço para todos, e diversas variáveis sócio-económicas.

Ainda hoje, alguma cultura menos imediata é olhada com desconfiança. A herança cinzenta e salazarenta ainda faz com que se sinta a necessidade de haver alguém acima de nós, e que, mesmo que involuntariamente, se eleja uma elite, sem que ela necessariamente o seja.

Este provincianismo latente e adoração a uma suposta elite atávica, faz com que se olhe para algo menos normativo ou fora desse circuito premium, como fracturante e outsider.

Não é. Apenas é inventivo, e isso está muitos anos-luz de ser banal ou menor. É válido, é pertinente, tem uma função social benéfica e contribui para o desenvolvimento. Capisce?»

Pedro Miguel (03/04/2014) (1)

Comentarium: O alternativo é o novo mainstream… dependendo quem são os nossos amigos.

(1) Texto publicado no Preguiça Magazine.