Ainda Catherine Deneuve

A propósito disto:
«Sim, eu amo a liberdade. Não gosto desta característica do nosso tempo em que qualquer um se sente no direito de julgar, de arbitrar, de condenar. Um tempo em que uma simples denúncia nas redes sociais gera punição, demissão e por vezes leva ao linchamento mediático»
«Aos conservadores, racistas e tradicionalistas, de todos os tipos e que estrategicamente me vieram apoiar, gostaria de lhes dizer que não me enganam. Eles não terão nem a minha gratidão nem a minha amizade, pelo contrário. Sou uma mulher livre e continuarei assim»

«Poderia dizer que me chegaram histórias de situações mais do que indelicadas e que sei de outras atrizes que sofreram nas mãos de realizadores que abusaram dos seus poderes. Simplesmente, não serei eu a falar em nome delas»

Catherine Deneuve (1)

Comentarium: Obviamente subscrevo estas palavras da actriz Catherine Deneuve.

(1) Fonte: Sapo 24.

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Citações para Memória Futura (23)

«No Sábado 4 de Junho, pelas 15h, cheguei acompanhada de uma amiga ao Rossio, ao grupo da Acampada. Mal cheguei, vi polícias. Eram da Polícia Municipal a chegarem e a derrubarem tudo e arrancando fotografias expostas sobre fios. Puxavam pelos fios e arrancavam. Empurravam as pessoas que estavam sossegadas. Tudo sem sentido. Empurravam as e os jovens e eu só vi eles quererem explicar e perguntar o que se passava para aquela violência. Não vi ninguém dos jovens bater em polícias. O que vi depois foi um jovem ser arrastado de forma bruta, era um jovem de t-shirt amarela. Os polícias arrastavam-no violentamente pelo chão até o meterem num carro. Acontece que os jovens tinham material de som e fugiam a guardar o material. Ouvi dizer que foram três os arrastados e presos, mas só vi a violência ser feita a um.

Eu, como tenho 79 anos, achei que devia falar com os polícias para ver se ao menos a uma velha eles eram capazes de ouvir e dialogar, se havia vestígios de respeito e dignidade. Mas, sobretudo aos mais velhos, só queriam empurrar e eram incapazes de ouvir o que quer que fosse, era só empurrar. «Estão a meter-se em trabalhos e vocês são novos e há fotógrafos aqui de todo o mundo», disse eu a um dos mais novos que, em fila de defesa em frente a nós, sempre me ouvia. «Não empurrem!» Mas eles empurravam. Então uma rapariga do grupo dos Acampados começou a dizer: «Eis o que fazemos» e atirou pétalas de flores. Eu apanhei as pétalas das flores e colocava-as em cima de um jovem polícia , um com ar terrível como se estivesse a receber flechas (aparece no Público online). Eu só queria ver se eles, que eram jovens, acordavam da emboscada em que os chefes os meteram e recusavam trabalho tão absurdo. Mas o polícia ficava irritado por eu lhe atirar também as pétalas de flores…Devem ser treinados para a violência e não para o apaziguamento, não sabem lidar com calma nenhuma. Houve um que me empurrou de tal maneira com um cassetete que me magoou, mas não foi nada de grave – só um empurrão bruto. Então eu quis falar com os mais velhos dos polícias que tinham ar de chefiar, mas esses empurravam ainda mais e não queriam ouvir nada, mesmo nada, chegar junto deles era só receber empurrão.

A um polícia novo, perguntei: “Qual a razão por que vieram aqui empurrar e magoar os jovens?” . A resposta foi: “São ordens.”. Eu disse-lhe que já conhecia essa frase de a ter ouvido já lá vão sessenta anos. Disse-lhe ainda: “Pensem que os polícias de baixo é que “se lixam”.”. Ele tentou explicar-me “que sendo o Rossio a praça nobre da cidade e a estátua o ícone dela, tinha de ser preservada de papeis e pessoas à volta”. E em resposta ao perigoso que era serem acusados de brutalidades, respondeu-me: “Eu por mim já estou por tudo.”

Depois daquela confusão, todos os polícias se foram embora. Eram 16h30, mais ou menos, enfiaram-se na carrinha que estava mal estacionada (não havia por ali nenhuma Emel para a multar e bloquear…) e isto sobre a bela praça do Rossio e junto ao seu ícone o Rei D Pedro IV.»

Maria Vitória Vaz Pato (06/06/2011) (1)

«Dois dos três detidos no sábado, dia 4, no Rossio, quando iniciavam uma “assembleia popular” no dia de reflexão eleitoral, vão ser julgados por “injúrias, resistência e coacção sobre os agentes de autoridade que estavam no exercício das suas funções”, segundo descrição feita pela advogada dos dois arguidos, Luísa Acabado. O julgamento será a 16 de Junho.

Esta decisão foi hoje conhecida no Tribunal de Pequena Instância de Lisboa e teve direito a uma conferência de imprensa por parte dos membros do Movimento “Democracia Verdadeira Já”, onde militam os dois arguidos, ambos do sexo masculino, de 26 e 27 anos.

“A Polícia Municipal pediu a identificação a dois membros do movimento, mas como não estava ser cometido nenhum crime recusaram identificar-se, pelo que os agentes partiram logo para uma atitude violenta, sem que percebêssemos as razões de tal atitude”, descreveu Inês (só dão a conhecer o primeiro nome), uma das porta-vozes (rotativa) do movimento. De seguida, chegou uma carrinha da polícia de intervenção e “começaram a bater em toda as pessoas, sendo a maior parte transeuntes que apenas mostraram interesse pela nossa iniciativa”, acrescentou Sara, outra das porta-vozes. Foram apreendidos artigos como “geradores, gasolina, fotografias impressas para a exposição, colunas de som e mais material”, revelaram.

As porta-vozes do movimento declararam à comunicação social que “esta carga policial tinha como objectivo o de nos silenciar” e agora pretendem saber “quem ordenou esta carga policial: A Câmara de Lisboa ou o Ministério da Administração Interna?”

Dia 19 de Junho, três dias depois de iniciar o julgamento destes dois arguidos, o Movimento “Democracia Verdadeira Já” vai fazer uma manifestação com partida do Cinema São Jorge, na Avenida da Liberdade. Esta manifestação já estava marcada e está em sintonia com as várias manifestações de igual carácter que ocorrerão em todas as cidades onde houve uma acampada.

Este movimento foi o dinamizador da Acampada de Lisboa (congénere às idênticas manifestações em várias cidades espanholas), que esteve 12 dias a pernoitar numa das praças mais centrais de Lisboa. Desmobilizaram as tendas improvisadas na terça-feira passada.»

Ricardo Vaz Barroso (06/06/2011) (2)

Nota: Está certo que estes acontecimentos se reportam às vésperas das eleições: no Dia de Reflexão. Está certo que esteve envolvida um Município, não um Governo. Mas convém não esquecer.

Leitura Complementar:

Direito de reunião e manifestação

(1) Testemunho reproduzido no blogue Entre as brumas da memória.

(2) Notícia do I.

Citações para Memória Futura (22)

«O tribunal decidiu condenar a RTP, SIC e TVI em mil euros por cada dia decorrido desde esta sexta-feira até ao dia 3 de Junho “em que não cumprirem” a decisão, advertindo que incorrem na prática do “crime de desobediência qualificada”  em caso de infracção.

A decisão do Tribunal, a que a Agência Lusa teve acesso, determina que a organização dos frente a frente visam “a participação de um representante do requerente” (PCTP/MRPP) e de participantes “das restantes forças e partidos políticos concorrentes às eleições legislativas” de 5 de Junho “na medida em que cada um destes últimos assim o deseje”.

Os debates televisivos, no formato de 10 frente-a-frente, foram realizados entre os líderes dos cinco partidos com assento parlamentar, e decorreram entre 6 e 20 de Maio.

Na providência cautelar que interpôs, o MRPP declarava que não foi convidado a participar naqueles debates apesar de se encontrar nas mesmas condições dos outros partidos concorrentes e acusa as televisões de conluio para evitarem cumprir o princípio da igualdade de tratamento.

O Movimento Esperança Portugal tinha também interposto uma providência cautelar com o objectivo de participar nos debates junto do mesmo tribunal que a julgou, na passada quarta-feira, improcedente.»

Correio da Manhã (27/05/2011)

«As televisões vão cumprir a decisão do Tribunal e realizar 16 debates que colocarão o PCTP/MRPP frente-a-frente com cada um dos outros partidos.

A decisão surge depois de uma providência cautelar apresentada por Garcia Pereira, e que foi hoje comunicada aos canais de televisão.

Num comunicado conjunto enviado às redacções, TVI, SIC e RTP, as estações assumem que “aguardam agora para que no prazo de 24 horas todos os partidos políticos concorrentes às eleições de 5 de Junho comuniquem se estão ou não disponíveis para participar nesta ronda de debates”.

“Só então poderão ser distribuídos os debates, que deverão decorrer em simultâneo nos três canais, durante 5 ou seis dias”, pode ler-se no mesmo documento.

Os debates, que terão sempre o MRPP presente, têm de decorrer durante a campanha eleitoral, isto é, até sexta-feira.

As televisões lançaram, no entanto, um recado aos partidos e instâncias judiciais. “As direcções de Informação da TVI, SIC e RTP consideram que esta decisão significa o fim dos debates frente-a-frente, porque a generalizar-se esta interpretação, tal significaria que para estas eleições por exemplo, se realizasse um conjunto de 136 debates, em que cada partido debateria frente a frente com todos os outros partidos concorrentes”.

E esclarecem, também, que, além dos “debates frente a frente entre os partidos com assento parlamentar”, “também já realizaram debates e entrevistas com todos os líderes partidários em diversos espaços informativos das suas grelhas”, diz o comunicado das três televisões.»

Rebeca Venâncio (27/05/2011) (1)

«Assim, na quinta-feira o MEP vai estar num frente-a-frente com o PDA na RTP1, com o PH na RTP2, com o MPT na SIC e com o PPM na TVI.

Na sexta-feira, dia 3 de Junho, o MEP irá debater com o PTP na RTP1; PPV na RTP2; POUS na SIC e PAN na TVI.

No seguimento de uma ordem do Tribunal de Oeiras, RTP, SIC e TVI agendaram, entre si, a realização de um total de oito debates entre o MEP e os restantes partidos candidatos às eleições legislativas.

Os frente-a-frente decorrem em simultâneo em todos os canais e estão marcados para as 20h55.

Em comunicado conjunto, os directores de Informação da RTP, SIC e TVI sublinham “que a marcação destes debates não obedece a critérios jornalísticos”, recordando que a mesma “resulta antes de uma decisão judicial, que obriga as estações de televisão TVI, SIC e RTP a realizar debates frente a frente entre o MEP, e todos os partidos políticos que tenham manifestado essa vontade”, tal como já havia acontecido com o PCTP/MRPP (os debates acabaram por não se realizar, depois de Garcia Pereira não ter comparecido às gravações).

“Este precedente levará ao fim dos debates frente a frente em próximos actos eleitorais porque não se vislumbra nem útil nem razoável nem exequível a organização de tantos frente a frente”, sublinha a nota assinada pelas três direcções de informação.

O comunicado acrescenta que “nenhum dos partidos com assento parlamentar (com excepção da CDU no caso dos debates com o MRPP) manifestou interesse em participar nestes debates”.

Nuno Santos (RTP), Alcides Vieira (SIC) e José Alberto Carvalho (TVI) afirmam ainda que “não obstante respeitarem a decisão judicial, as direcções de Informação das três televisões discordam desta decisão porque não respeita a autonomia e a liberdade editorial dos meios de Comunicação Social. Por outro lado, a ser generalizada a interpretação legal que presidiu a esta decisão judicial, tal levaria a que, por exemplo, nestas eleições tivessem de ser organizados 136 debates entre todos os partidos concorrentes”.»

Correio da Manhã (01/06/2011)

«Quem manda na comunicação social não está de acordo com as políticas de partidos como o POUS, que põem na ordem do dia a retirada do programa da “troika”, disse hoje à agência Lusa a líder do partido, Carmelinda Pereira.

“Estas propostas são consideradas loucas, como se há 500 anos quem dizia que era a terra que girava em volta do sol e não o sol que girava à volta da terra também era louca, até podia ser queimada numa fogueira”, sublinhou.

A líder do POUS, que falava em Portalegre durante uma acção de campanha no mercado municipal da cidade alentejana, garantiu que vai marcar presença no ciclo de debates televisivos, agendados com as forças partidárias sem assento parlamentar.

O Tribunal de Oeiras condenou recentemente as três televisões generalistas a realizarem debates frente a frente com todos os partidos concorrentes às legislativas que assim o desejarem até ao último dia da campanha, dando razão a providências cautelares interposta pelo PCTP/MRPP e MEP.

No entanto, o PCTP/MRPP não aceitou os moldes dos debates propostos pelas televisões, considerando que estas tentaram “sabotar” a decisão judicial, pelo que até agora ainda não se realizou qualquer dos frente-a-frente previstos.

Carmelinda Pereira disse que gostaria de entrar nos debates com os partidos com assento na Assembleia da República (AR) para que o país tivesse oportunidade de assistir a “quem tinha razão” no debate político. (…)»

Lusa (01/06/2011) (2)

Nota: Embora o vencedor já tenha sido conhecido, é necessário não esquecer como foi a campanha eleitoral.

(1) Diário Económico.

(2) Publicado no Público Online.

Citações para Memória Futura (21)

«O risco de Portugal não cumprir as condições do acordo negociado com o FMI e a Comissão Europeia está a levantar grande preocupação entre alguns elementos da Troika. Os prazos são muito curtos e não estão a ser feitos estudos técnicos para ajudar o novo Governo a decidir.»
SIC (30/05/2011)

«O FMI diz que é “falsa” a notícia de que a “troika” estará preocupada com uma eventual incapacidade de Portugal para cumprir as medidas e os prazos do plano de resgate.

No dia em que chega a Portugal o cheque da União Europeia de 1,75 mil milhões de euros, o Fundo Monetário Internacional (FMI) assegurou, em declarações à TSF através de uma declaração por escrito, que é “falsa” a notícia de que a “troika” está preocupada com uma eventual incapacidade do país para cumprir as medidas e os prazos das reformas acertadas em troca do resgate.

Também o porta-voz do comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, Altafaj Tardio, desmentiu qualquer preocupação da parte da Comissão Europeia com uma eventual incapacidade de Portugal para cumprir as medidas acordadas com a “troika”.»

TSF (31/05/2011)

«Francisco Pinto Balsemão avisou esta terça-feira que não será o “esquerdismo tardio” de Paulo Portas, nem o “conservadorismo serôdio” de José Sócrates que farão o PSD “mudar de rumo”.
O fundador e militante “número um” do PSD foi o convidado para o jantar-comício de Coimbra e explicou que o partido tem “um programa corajoso, adaptado ao século XXI, capaz de moralizar Portugal”.
Antecipando uma vitória nas eleições de domingo, o patrão de Impresa puxou pelas qualidades políticas de Passos, “capaz de chefiar uma equipa competente”, mas avisou: “A vitória não está ganha. É preciso lutar contra a abstenção e convencer os indecisos”.
O ex-líder social-democrata perguntou à sala quem tinha ganho o debate televisivo: se Sócrates, se Passos. A sala respondeu, em coro, “Passos”. Porquê? “Porque Sócrates está queimado. Os truques do velho ilusionista estão vistos e revistos.”
Já Pedro Passos Coelho sublinhou que os problemas não são os sacrifícios que será necessário fazer. “O importante é que eles valham a pena e sirvam, não para disfarçar a irresponsabilidade dos governantes, mas para recuperar Portugal”, disse.»
Público (31/05/2011) (1)

«Francisco Pinto Balsemão afirmou no Clube Português de Imprensa (CPI) que “existem novos poderes que utilizam a comunicação social para os seus próprios fins”, pelo que não é possível pensar que a liberdade de expressão “está conquistada”.

O presidente do grupo Impresa, que foi homenageado no Grémio Literário em Lisboa pelo CPI no ano em que este comemora 30 anos de existência, alertou que, atualmente, grande parte das notícias “são rumores perigosíssimos” provenientes de pessoas “que se acovardam”, acrescentando que as fontes jornalísticas cada vez mais “não gostam de dar a cara” e “inventam factos”.

Balsemão, que falava sobre o tema da comunicação social e o futuro de Portugal, sublinhou que os media estão “reféns do jornalisticamente correto” e há que ser inovador nesse aspeto, sem nunca perder de vista as regras deontológicas.»
Lusa (13/05/2011) (2)
(1) Texto escrito por Margarida Gomes e Nuno Simas.
(2) Reproduzido no Expresso Online.