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Leiria, 2014: O alternativo é o novo mainstream?

«E vai daí, parece que a chamada ‘Grande Cultura’ (a dominante, a predominante, a reinante… essa toda!) já não é aquela coisa inquestionável, indiscutível, incontestável. O espectro alargou-se de tal forma que o alternativo é o novo mainstream. Será?

A boa notícia é que quando se vai aos saldos, já não é preciso gramar com o unts unts unts unts… onde somos todos obrigados a ser jovens e modernos, e a saltar ao som de frases soltas sobre amor. Népias… para além das T-shirts dos Ramones da Pull, o ambiente sonoro mudou.

Não há fome que não dê em fartura – e não, não falo dos lucros fabulosos que a lojas independentes de discos fazem, precisamente porque não são nada fabulosos. Basicamente disseminou-se a estética, mas os discos ficam na prateleira. Todos conhecemos lojas que, a certa altura, começaram a vender roupa, não é?

A identidade anda de mão dada com a diversidade, e apesar de a Beyoncé continuar a incendiar plateias, o mainstream continua a ser o mainstream. O seu público é que consome um look mais apunkalhado.

Por outro lado, há todo um movimento contemporâneo, válido e marcante, que tem deixado a sua impressão digital nas cidades, e apesar de ser olhado com alguma condescendência – ou como se de uma actividade menor, ou menos nobre, se tratasse -, o facto é que ele existe, existiu e existirá, e incontornavelmente a história das cidades também passa por aqui.

Em Leiria, como em outros sítios, já é tempo de não se olhar para certas manifestações artísticas como um sub-género marginal, alternativo ou – como alguém romanticamente lhe chamou – Contracultura.

Terá certamente toda a pertinência de catalogação em áreas como a Sociologia ou Antropologia, mas era interessante notar que marginal é quem se coloca à margem ou quem funciona em circuito fechado onde o direito de admissão é reservado.

A cultura que a Preguiça Magazine promove, por exemplo, saiu à rua há muito tempo, e entranhou-se na cidade. Merece, por isso, todo o respeito e consideração, e não é de todo válido que se veja numa óptica de ser do contra, antes pelo contrário. É do mais democrático que há.

Assim, não se perde muito tempo em distinções sobre a Alta ou Baixa Cultura, o que é popular e o que é erudito, o que é contracultura e o que é normativo. Parte-se com a perfeita noção do meio em que se insere, dos conhecimentos que se tem, das suas capacidade de mobilização, sem, no entanto, perder a percepção de que há espaço para todos, e diversas variáveis sócio-económicas.

Ainda hoje, alguma cultura menos imediata é olhada com desconfiança. A herança cinzenta e salazarenta ainda faz com que se sinta a necessidade de haver alguém acima de nós, e que, mesmo que involuntariamente, se eleja uma elite, sem que ela necessariamente o seja.

Este provincianismo latente e adoração a uma suposta elite atávica, faz com que se olhe para algo menos normativo ou fora desse circuito premium, como fracturante e outsider.

Não é. Apenas é inventivo, e isso está muitos anos-luz de ser banal ou menor. É válido, é pertinente, tem uma função social benéfica e contribui para o desenvolvimento. Capisce?»

Pedro Miguel (03/04/2014) (1)

Comentarium: O alternativo é o novo mainstream… dependendo quem são os nossos amigos.

(1) Texto publicado no Preguiça Magazine.


A seguir em 2014…

«(…) Janeiro/Fevereiro – CDS e PSD reunem os seus congressos electivos. E se deles não sairão novos líderes, as moções e discursos balizarão o terreno político que cada um quer trilhar no futuro. Ao mesmo tempo, no Governo, estarão juntos a negociar o pós-troika entre si e com os credores.

Março – Na Primavera deverá ser conhecida a decisão do Tribunal Constitucional sobre as normas do Orçamento do Estado que venham a constar dos pedidos de fiscalização sucessiva, feitos pelos partidos e/ou pelo Presidente.

25 de Abril – O 40º aniversário da Revolução dos Cravos será um ponto alto dos discursos dos agentes políticos. Mas também uma oportunidade de aferir a cidadania e a paz social. A forma como a sociedade civil se manifestar será também ouvida nas negociações internacionais.

17 de Maio – Termina o programa de assistência financeira a Portugal. O que se seguirá tanto pode ser um programa cautelar, um pleno regresso aos mercados ou um segundo resgate. A cada cenário poderá corresponder uma diferente situação política. A hipótese de crise política não pode ser afastada se a solução for a última.

25 de Maio – As eleições europeias serão o termómetro político para aferir a consistência das lideranças dos partido, a um ano de legislativas. Depois de ter ganho as autárquicas, o PS precisa de outra vitória para ficar incontestável. Para o BE, uma segunda derrota nas urnas poderá ser a sentença de morte da liderança bicéfala.»

Margarida Gomes (31/12/2013) (1)

Comentarium: Não vale a pena fazer balanços de um ano em permanente “crise” criada artificialmente pela troika e por um governo que fez questão de ir para além dela. Em Portugal, seguindo a tradição iniciada em 2011, foi um ano cheio de coisas giras. E mais e melhores coisas giras nos esperam em 2014. De qualquer forma, podemos agradecer ao Público o podermos marcar na agenda, antecipadamente, os dramas de 2014.

Este artigo apenas peca por omitir a possível promoção do “grande” Vítor Gaspar.

(1) Reprodução de parte de notícia publicada no Público Online.


Feliz Natal de Austeridade

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Fonte da Imagem: Entre as Brumas da Memória.


Novas Receitas para Recuperar Audiências ou Como Portugal É uma Casa dos Segredos

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Ingredientes encontrados para a edição 4 da Casa dos Segredos:

– Alguns segredos.

– Uma produção que decidiu ignorar das regras existentes no(s) programa(s) deste tipo em nome das audiências.

– Teresa Guilherme, uma apresentadora alcoviteira e chata, sempre a fazer o número “eu é que mando” ou “eu sou muito boa”. A malta toda adora esses números televisivos…

– Uma jovem mãe sofrida, vingativa, passivo-agressiva e que se pretende dar bem a qualquer custo chamada de Sofia. Foi durante alguns meses a rainha dos triângulos amorosos mas aposentou-se agora, porque o programa está a terminar.

– Um betinho que procurava uma namorada e já encontrou: a Sofia.

– Um ex-namorado, modelo internacional mulherengo, egocêntrico e manipulador designado de Tierry.

– Uma bebé pequenina com dois pais imaturos e manipuladores (Tierry e Sofia) e com uma (restante) família de doidos, arrastada numa confusão criada pelos pais, avós e produção do programa.

– A Érica, a mulher das amizades coloridas e das ameaças físicas. Vive na Madeira e conhece muitos famosos, desde jogadores de futebol a músicos e actores. Veio para fazer um triângulo amoroso, mas este acabou antes do programa começar.

– A Joana, que uma bailarina de alta competição que não ameaça mas bate mesmo. Fora disso é muito engraçada e brincalhona, por isso a produção quere-a na final.

– O Luis, que é vitima de violência e gosta. Ah, é irmão do Cláudio Ramos.

– O Aníbal, irmão gémeo do malogrado Marco Borges, cujo espírito militar e as humilhações aos colegas da casa o expulsaram do programa logo nas primeiras semanas. Logo, neste programa a disciplina é uma utopia.

– Um stripper e barman que se mete com gente de todos os tipos e formas, mas sobretudo com mulheres, também designado de João. Era para ser o centro de um triângulo amoroso, mas é questionável se ele tem amor para dar. Sexo tem de certeza.

– Uma ex-acompanhante de luxo com um passado traumático e uma filha menor (para colocar à disposição dos rapazes?).

– Uma modelo de 19 anos, mimada, egocêntrica e que pensa que tem jeito para cantar. Foi vitima de roubo da sua identidade na internet. Pôs-se a hipótese, durante o programa, dela fazer parte de um triângulo amoroso.

– Dois nadadores-salvadores lindos e novinhos em folha.

– Um mulherengo admirador de Ze-zé Camarinha que sonha em ser político mas cuja ocupação principal é praticar relações sexuais com a javardina.

– Uma javardina, podendo também designar-se de Bernardina, doida por sexo e drogas.

– Um rapaz novinho e bonito cujo sonho é montar um harém, no qual ele seja rei e senhor.

– Um conjunto de fãs doidos que poluam na(s) rede(s) social(is) e que conhecem melhor as regras que a própria produção.

– Uma emigrante ucraniana com jeito para desenho e para aparecer nua.

– Um rapaz herdeiro de uma grande fortuna e com problemas psicológicos. Quem os não tem?

– Uma rapariga que se veste e pinta como a Barbie, cujo maior sonho é ser a Barbie.

– Uma rapariga de origem alemã, que vem de famílias aristocratas, para representar o mundo civilizado no programa. Pôs-se a hipótese, durante o programa, dela fazer parte de um triângulo amoroso.

– Um transexual (que mudou de sexo em 2013) que ora é simpático ora é violento.

– Uma estudante de advogacia ciumenta e que tenta criar a imagem de rapariga sexy.

– Vários ex-residentes de outras casas, nomeadamente Fanny Rodrigues, Wilson Teixeira e Petra Spínola.

– Uma apresentadora boa em obedecer aos chefes: Leonor Poeiras.

– Um painel de comentadores pronto a atacar a Sofia sofrida:  Flávio Furtado, Alexandra Lencastre, Fanny Rodrigues e Nuno Eiró.

– Dois apresentadores insultados pela Bernardina, que entrevistam laboriosamente os concorrentes expulsos: Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira.

Portanto, podemos comentar, com conhecimento de causa, que esta Casa dos Segredos mostra o que há de pior em Portugal. Esta carne e este sangue português estão dispostos a ir longe para manipularem e serem manipulados. Portanto, que ganhe o/a pior.

Ver Também:

Carne e sangue português

Dinâmicas de grupo para horário nobre

Fonte da Imagem: TV Mais.

Última Actualização: 23/12/2013