Como o feminismo se tornou um truque (Maio 2017)

O feminismo continua a ser necessário. Mas da maneira como vem ser usado, é apenas um argumento para “caçar votos” e “aceitação”. É apenas um “tricket”, um “truque” para se jogar!

Eis que Angela Merkel recebe em Berlim, a diretora do FMI, Christine Lagarde, e Ivanka Trump, filha do Presidente dos EUA, para a cimeira Women 20 (W20) sobre a igualdade de género. Será que elas vão mudar o mundo? O feminismo ganhou mais três apoiantes? Não!

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Marine Le Pen preocupa-se em falar de mulher para mulher, durante a campanha eleitoral. Será ela feminista? Não me parece!

Emmanuel Macron, por exemplo, tem 11 mulheres no governo. Isso fá-lo-à preocupar-se mais com os problemas das mulheres? Isso fá-lo-à preocupar-se mais com os problemas dos franceses? Não me parece!

Como se pode ver por estes exemplos, o feminismo vem sendo esvaziado, por políticos que se preocupam pouco ou nada com os direitos humanos e menos com os direitos das mulheres!

Neste contexto, há mulheres e homens que aproveitam para opinar que o feminismo já não é necessário… mas é!

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Do desmantelamento da democracia usando técnicas inovadoras em Portugal, no século XXI

Graças às técnicas inovadoras vindas de cérebros ultra-inteligentes, podemos hoje escrever, com tristeza mas com certezas, que a democracia acaba de ser morta em Portugal pelo neo-liberalismo.

Mas vai demorar muito a ser notado no dia-a-dia das pessoas, porque a coisa será feita lei a lei, pessoa a pessoa.

Avisem-nos, portanto, quando sua excelência o presidente da República, Cavaco Silva, deixar de apelar ao consenso e de mandar prender quem o manda ir trabalhar.

Avisem-nos quando sua excelência, Paulo Portas, deixar de fingir que se opõe às medidas tomadas pelo governo de que faz parte.

Avisem-nos quando suas excelências digníssimas Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar & restante governo deixarem de fazer golpes de teatro diários.

Avisem-nos quando a excelentíssima União Europeia, a digníssima Alemanha, o emigrante de luxo e orgulho dos portugueses (a) Durão Barroso e restantes dignidades e excelências não mencionadas mas que poluam no espaço europeu tornando-o mais inovador e respeitável, pararem com os discursos que fazem a fingir que são muito contra tudo o que se passa em Portugal.

Avisem-nos quando os funcionários do FMI, provavelmente as pessoas mais perspicazes à face da Terra, deixarem de emprestar dinheiro a Portugal e de cobrar juros criminosos pelo empréstimo e de sugerir estratégias para acabar com o que resta da democracia em Portugal. Isto depois de um relatório recente, muito constrangedor, a explicar como conseguiram fazer muita coisa (ou tudo) mal na Grécia.

Avisem-nos quando o muitíssimo sereno e altamente democrático António José Seguro decidir fazer oposição e apresentar uma ideia do tipo deixar de pedir mais dinheiro à União Europeia e renegociar a dívida.

Avisem-nos quando o(s) governo(s) deixarem de usar a(s) greve(s) para aumentar a repressão e a manipulação.

Avisem-nos quando existir um governo português que seja patriota mas não fascista.

Avisem-nos quando os portugueses acordarem.

(a) Portugueses cegos intelectualmente, claro.

Última Actualização: 19/06/2013

Grandes Traidores da História de Portugal (3)

Conhecendo a forma de pensar dos neo-liberais portugueses…

«O neoliberalismo é mais do que uma visão da economia: é uma verdadeira doutrina filosófica.

Partindo de um individualismo extremo (“só o individuo existe, a sociedade é uma ficção, como dizia a antiga primeira-ministra inglesa, a Sra. Thatcher), defende que o Estado só deve intervir de forma minimalista na sociedade e na economia, limitando-se a tarefas de defesa ou justiça.

(…) No Tratado de Maastricht, a inflação é um fenómeno apenas monetário (uma das afirmações do monetarismo, que é uma componente importante do neoliberalismo) e a política monetária tem como objectivo único a estabilidade de preços. O combate ao desemprego não emerge como objectivo da política macroeconómica, o equilibrio orçamental surge (na realidade, este objectivo será tornado mais estrito já depois de Maastricht) como objectivo em si mesmo, é proibida a emissão monetária destinada a financiar estados, de forma a enfraquecer o poder desses mesmos estados (grande desígnio do neoliberalismo) e colocá-los sob a tutela dos mercados financeiros, e o banco central torna-se independente do poder político.

(…) Na realidade, é dificil imaginar um projecto mais pernicioso para o modelo social europeu do que aquele que foi instituído para a moeda única e que fornece as bases necessárias para a doutrina da austeridade permanente , advogada actualmente pela Sra. Merkel e pelos seus seguidores, como o Governo de Passos Coelho.

Não é por acaso. A austeridade permanente, ou seja, a recessão tornada virtude e o desemprego desígnio, torna impossível a sobrevivência do Estado social. Tudo está em saber o que é que os defensores da austeridade propõe se os deixarem destruir o Estado social. Praticam a eutanásia nos idosos? Prendem e isolam os desempregados?»

João Ferreira do Amaral

«Portugal está hoje sujeito a um programa de ajustamento imposto como condição pela chamada Troika para poder obter financiamento, quer para o sector público quer para a banca.

Este nosso programa, tal como o da Grécia, é um verdadeiro absurdo. Estou mesmo convicto de que ambos os programas irão constituir uma machadada fatal na credibilidade do FMI e da Comissão Europeia.

Visando objectivos inconsistentes e apoiando-se numa análise muito defeituosa da real situação da economia portuguesa, estes programas revelam uma triste incompetência das entidades que o impuseram. Mas vamos primeiro aos objectivos.

A finalidade prioritária do programa é a de reduzir o endividamento do País. Como esse endividamento tem uma dupla faceta – a do endividamento da economia como um todo e a do endividamento do Estado –, o programa tem dois objectivos: reduzir o endividamento externo da economia e o endividamento do Estado.

O que foi dito nos capítulos anteriores é suficiente para se compreender como é que surgiram estes dois grandes desequilíbrios. Uma moeda demasiado forte gerou elevados défices com o exterior, que, acumulando-se ao longo do tempo, geraram uma dívida externa insustentável e que cortou praticamente o crédito externo privado a Portugal desde que a crise teve início. A acumulação de défices da dívida pública e a impossibilidade de recorrer ao financiamento dos défices do Estado através da emissão monetária quase levaram o Estado à bancarrota no primeiro semestre de 2011.

Percebe-se que numa situação destas não houvesse grande margem senão para executar um programa de ajustamento com auxílio externo. Mas o que não se percebe é que estes programas sejam concebidos de tal forma que, ao invés de resolverem os problemas, os agravam.

Começam logo por propor como objectivo reduções drásticas dos dois défices, o externo e o público. Mas como estes objectivos são conflituantes, não os atingem. Porque é que são conflituantes? Significa que para atingir um tenho de prejudicar o outro?

Tomemos como exemplo a redução do défice da balança com o exterior. Na ausência da desvalorização cambial, tal redução – para ser muito profunda – só pode ser feita provocando uma forte redução da procura interna, de modo a reduzir-se o consumo das famílias e o investimento, e com isso diminuir significativamente as importações.

Mas ao reduzir-se a procura interna está-se a provocar uma recessão e um crescimento do desemprego, o que faz baixar as receitas fiscais e as contribuições sociais e aumentar as despesas de apoio aos desempregados. Resultado: um agravamento do défice público. Foi o que sucedeu em 2012 em Portugal. Reduziu-se muito o défice externo, mas o défice público ficou acima do pretendido.

A forma inteligente de lidar com esta conflitualidade entre objectivos é estabelecer como metas reduções graduais e de menor dimensão nos défices, de forma a não instabilizar a economia e a provocar por essa via um incumprimento do programa, condenando a economia – como aconteceu na Grécia e talvez Portugal lhe siga os passos – a anos e anos de descalabro.

A forma pouco inteligente é aquela que tem sido seguida na Grécia e a que moldou o orçamento de Estado 2013: consiste em forçar ainda mais a austeridade, o que irá agravar o descalabro económico e social, sem resolver o problema do financiamento.

Para se conseguir reduzir significativamente o problema do financiamento é preciso dispor de moeda e da desvalorização cambial, o que permite reduzir o défice da balança com o exterior sem forçar uma recessão e aumentar o desemprego. Por outro lado, o facto de dispor de emissão monetária torna o objectivo do défice público secundário, pois o Estado não fica dependente da redução do défice para cumprir os seus compromissos internos.»

João Ferreira do Amaral

Nota: Os neoliberais abundam em Portugal. E adoram fingir que discordam entre si.

Há que destacar, entre eles, um trio de iluminados: Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Vítor Gaspar. Graças a eles, Portugal vai no caminho do sucesso, rumo à falência do Estado e à pobreza geral.

Última Actualização: 18/05/2013

O regresso de José Sócrates, os comentadores, o situacionismo

Miguel Relvas, José da Ponte e Luís Marinho têm o prazer de apresentar o odiado José Sócrates, agora elevado a político brilhante e com direito a tribuna sem contraditório… Para que a populaça faça muito barulho à volta dele e a televisão pública tenha alguma audiência. E para que haja confusões e ódios a vir ao de cima. Ou para se descobrir que José Sócrates é apenas um anjo que merece o nosso voto…

Também para que o governo tenha “paz” para fazer mais cortes para criar mais desemprego, mais pobreza, mais deficit e mais dívida…

Desse ponto de vista, o “ministro da ética descartável”, o ex-gestor de fábrica de cervejas e o “jornalista promovido” merecem todo o mérito…

Ouvir José Sócrates é de facto pedagógico (e melhor que a programação por eles inventada para tornar o canal público inviável economicamente, e assim ter de ser fechado ou privatizado mais depressa).

Para além disso, ter José Sócrates implicará pagar-lhe (coisa que também contribuirá para a falência do canal público: estamos portanto no paraíso graças a Miguel Relvas & companhia).

Ter José Sócrates implicará que os poucos portugueses interessados poderão brincar às democracias (dado que a União Europeia não parece estar interessada em democracia a sério lançou à muito o seu sucedâneo: a democracia sem democracia).

Vive-se, portanto, no melhor dos mundos em Portugal…

Quanto ao personagem José Sócrates… Este blogue ajustou todas as contas com José Sócrates na altura certa (na data do anúncio da negociação com a troika). Se houver mais contas a ajustar no futuro (coisa que acontece habitualmente com os gurus portugueses) essas serão ajustadas quando for de conveniência.

Para já este blogue não comunga do ódio nem do amor generalizado que polua nesta doce nação portuguesa…

Afinal, já se sabe (quem quer saber) que é sempre possível fazer pior que José Sócrates.

Para fazer melhor implica mudar muita coisa e o português normal (tipo José Sócrates) não gosta de resolver problemas: gostam que lhe soprem ao ouvido soluções ou tirá-las do manual do guru mais citado internacionalmente. Ora, qual tem sido a principal função da Alemanha na União Europeia? Soprar aos ouvidos dos vários países soluções que beneficiem a Alemanha. Isso para o português normal  (tipo José Sócrates) costuma ser o suficiente, até porque seguir por outros caminhos implicaria riscos… e em Portugal a única coisa que se ambiciona é ser-se o “aluno favorito do(a) professor(a)” (para Passos Coelho nem isso é suficiente).

Por fim apenas se cita Luis Bernardo (25/03/2013):

«(…) Afinal, o “pai de todos os males” terá, a partir de agora, uma tribuna mediática e alimentará a máquina de ‘spin’ do PSD. Uma máquina que não terá pejo em colar Sócrates ao PS e atribuir-lhe uma importância que, podendo ser pouco significativa no início, rapidamente passará a existir e a pesar nas decisões das cúpulas de um partido esvaziado, enfraquecido e esmagado entre o compromisso memorandista e a tentação eleitoralista.

Este é, se quisermos, o ângulo morto dos partidos pós-ideológicos: centrados na política personalista e no marketing político, desprovidos de um programa sólido e consistente, ficam à mercê de flutuações como o regresso do filho pródigo ao seu ambiente favorito: a tribuna. O exemplo que estará na mente de todos: Marcelo Rebelo de Sousa, o auto-ungido tribuno da plebe que, todos os domingos, inventa alguma da opinião pública e publicada na semana seguinte. Seja como for, as cúpulas do PS devem estar preocupadas. E têm razão para isso.»

Ver Também:

Coisas Giras de Portugal em 2012 (27)

Há necessidade de um vilão ausente para o “mau de serviço” para que não se vejam os outros

Última Actualização: 29/03/2013