Eu Leitora: Dez Livros que Marcaram a minha Vida

ler100_livros_por_anoInúmeros livros marcaram a minha vida. Não existe “o livro” porque todos se interpenetram, mesmo quando parecem falar de assuntos diferentes, mesmo se uns são ficção e outros não-ficção. (E apr

Marcou a minha infância os Contos populares da Ásia, uma tradução de Pedro Tamen e Os Cinco, as Gémeas e o Colégio das Sete Torres (sagas / séries de livros) de Enid Blyton. Na passagem da infância para a adolescência O Diário de Anne Frank foi fundamental.

E agora vou apresentar mais dez livros extremamente importantes. Eu sou definida por mais de dez livros (muito mais!) mas este é um resumo, para não maçar o/a eventual leitor/leitora deste blogue.

 

A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera

Este livro foi lido na década de 90 do século passado e ainda hoje me marca. Não por acaso, adoptei o pseudónimo de sabine. Todos os personagens me ensinaram algo.

 

Cem anos de Solidão, de Gabriel García Márquez

As histórias de amor e desamor de uma família colombiana, cheia de poesia e realismo mágico.

 

O Nome da Rosa, de Umberto Eco

Este livro foi lido no final da década de 90 e marcou uma certa introdução à profissão que hoje tenho: as bibliotecas. Engraçado como continua actual!

 

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Existem muitas formas de queimar livros hoje, em pleno século XXI. Não é preciso pegar-lhes fogo, como faz o protagonista deste romance extremamente actual.

 

A Doutrina do Choque, de Naomi Klein

Escrito no rescaldo da invasão do Iraque pelos Estados Unidos mostra como vivemos sob a terapia de choque económico, politico, psicológico e ambiental.

 

Império à Deriva, de Patrick Wilken

Em 1807, no auge das guerras napoleónicas, o príncipe-regente D. João decide o impensável: dá ordem para transferir a Corte inteira e o Governo para a maior colónia de Portugal, o Brasil. O que aconteceu a seguir é descrito neste livro. É um óptimo livro de história e de sociologia: é um retracto da mentalidade dos portugueses poderosos nos inícios do século XIX.

 

O Verdadeiro Código da Vida, de Ken Druck

O melhor livro de autoajuda (até hoje). Ken Druck perdeu uma filha em 1996. Neste livro dá conselhos extremamente realistas e sem promover ilusões de que vivemos “no melhor dos mundos”, ao contrário de outros gurus.

 

O Mito da Beleza, de Naomi Wolf

Recomendado a mulheres e homens!

«Será que se deve extinguir a expressividade da maturidade e da velhice? Será que não perdemos nada caso ela se extinga?»

 

Ciência da Treta, de Ben Goldacre

Ben Goldacre é médico e investigador de medicina baseada na evidência. Este livro pretende divulgar o que é a ciência e a analisar a forma como a ciência é vivida e percebida, o que nos induz em erros de análise e más escolhas posteriores. É um livro extremamente útil para quem, como eu é céptica tanto em relação à medicina convencional como às medicinas ditas alternativas.

 

A Mão Esquerda das Trevas, de Ursula K. Le Guin

Entre as revelações de 2018, destaca-se Ursula K. Le Guin, cujos romances são uma enciclopédia de ensinamentos e reflexões.

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É natural? Boa pergunta! Uma reflexão…

Introdução

(Este texto não é um comentário ao que aos oradores disseram no TEDxPorto 2018 mas ao tema do mesmo.)

E Natural_TEDxPorto 2018

Quem, como eu, gosta de ouvir e fazer discursos, fica com pena de não ser possível participar no TEDxPorto 2018, que aconteceu na semana passada, dia 14 de Abril. Tema: “É Natural?”.

Apresenta-se o evento, no seu sítio oficial, da seguinte forma:

«Como resultado do desenvolvimento contínuo e exponencial de milhares de anos de evolução, do conhecimento e da tecnologia, vivemos um mundo cada vez mais complexo e artificial – criado por nós, seres humanos. Hoje, desfrutamos, sem pensar, e com esforço mínimo, das inúmeras vantagens destes avanços.

Ainda assim, existe um sentimento generalizado que fomos longe demais e, por isso, procuramos objetos, conceitos e experiências mais simples e naturais, às quais temos maior apreço e reconhecemos maior genuinidade.

Um sentimento, sem dúvida, bem intencionado, mas será que nos levará mais longe e a um mundo melhor? Será que o que é natural é melhor do que o artificial? Em todas as condições e situações?

Na próxima edição do TEDxPorto pretendemos fazer compreender que o que é natural é complexo, e que algo artificial não é necessariamente mau.»

Comentários

  1. Efectivamente, vivemos num tempo em que a tecnologia e a medicina dominam o nosso quotidiano e isso é simultaneamente óptimo e péssimo.

Também vivemos em que tudo é sistematicamente, diariamente, posto em causa: e as culpadas desse progresso contínuo são as mesmas (tecnologia e medicina), endeusadas pelo mercado, abençoadas pela mão dos poderes invisíveis que não conhecemos (e a quem os Estados servem).

  1. Também vivemos na era da pós-modernidade… E esses progressos na tecnologia e a medicina trouxeram-nos até aqui!

A pós-modernidade é a desconfiança em relação à ciência, à razão, ao progresso e às grandes ideologias. Aqui, eu céptica me confesso: sim, sou pós-moderna!

A verdade é esta: a desconfiança na razão e no progresso tem razão de ser. Acaso eles trouxeram sempre benefícios?

3. Nada é assim tão natural…

Cito Yuval Noah Harari:

«Na verdade, os conceitos de “natural” e “não natural” não provêm da biologia mas da teologia cristã. O significado teológico de “natural” é “de acordo com as intenções de Deus, criador da natureza”. Os teólogos cristãos argumentam que Deus criou o corpo humano com a intenção de que cada membro e órgão servisse um propósito. Se usarmos os nossos membros e órgãos para o propósito pretendido por Deus, então trata-se de uma actividade natural. Usá-los de forma diferente da que Deus pretendia não é natural. Contudo, a evolução não tem um propósito. Os órgãos não evoluíram com um propósito e a forma como são usados está em constante alteração. Não existe um único órgão no corpo humano que só faça o que o seu protótipo fez quando surgiu, há centenas de milhões de anos.»

Então, é assim…

Para um biólogo, um químico, um bioquímico, um informático e um médico os processos que os nossos órgãos fazem e não fazem são artificiais, logo não é nada escandaloso que eles sejam regulados exteriormente. Por um comprimido, por exemplo.

Para alguém muito religioso, as coisas não são assim tão simples. Estamos a interferir no espaço de Deus. Veja-se a campanha dos católicos contra a pírula, à uns anos atrás.

Um praticante de medicinas alternativas tem as mesmas ideias que alguém religioso: só o que fazemos e/ou trazemos da natureza tem legitimidade. Tudo o resto não presta, só faz mal.

4. Um exemplo: a medicina chinesa!

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A chamada medicina chinesa surgiu entre 4115 e 4365 a. C. Beneficiou da invenção da escrita e da metalurgia (tudo coisas artificiais, note-se). E do apoio de dinastias de imperadores.

Mao Tsé-Tung inicialmente era contra a medicina chinesa, que considerava apenas uma superstição entre outras. Mas mudou de opinião em 1954, ano em que criou o Departamento de Medicina Chinesa no Ministério da Saúde Pública (Medicina Oriental). Mao planeou, mais tarde, a integração da medicina ocidental na medicina chinesa.

No entanto Mao voltou a mudar de ideias e, no âmbito da Revolução Cultural, Entre os anos 1966 e 1971, a medicina chinesa foi banida. Mas não por muito tempo! Não foi aí que morreu, antes pelo contrário!

É preciso então perceber que a medicina chinesa é uma construção artificial, que pode ter efeitos secundários que podem colocar a saúde em risco (como qualquer medicamento) e por outro pode trazer benefícios nalguns (muitos) casos. Mas nunca em todos os casos. É assim que eu vejo a medicina chinesa e todas as outras medicinas alternativas.

5. A Ética não é Natural?

O calcanhar de aquiles da medicina convencional, de todas as medicinas ditas alternativas ou complementares, da indústria farmacêutica, das outras industrias importantes na dieta e na vida (indústria alimentar, nomeadamente) no século XXI é sempre o mesma: cadê a ética?

Como referi atrás vivemos no tempo do deus mercado, por isso todos podem tomar decisões menos éticas. Não existe a boa medicina convencional versus as más medicinas ditas alternativas. Ou o contrario! Todos podem tomar decisões baseados em critérios que prejudiquem quem é doente. Ou quem precisa de comer.

Conclusão

Como foi possível perceber pelo texto, nada é assim tão natural! É necessário aceitar que para vivermos precisamos de um mínimo de artificialismo que ele é benéfico para nós.

Fomos longe demais no endeusamento do deus mercado: e é isso que torna hoje a ciência e a tecnologia letais. Portanto eu sou pós-moderna por não ter outra opção. Aceitar acriticamente a ciência e o progresso é tão grave como acreditar em certos gurus que advogam o “natural” acima de tudo!…

Para mim a medicina convencional e todas as medicinas ditas alternativas ou complementares deviam ser obrigadas por lei a conviver pacificamente. E todos os charlatães deviam ser punidos com prisão e multas avultadas.

Ver Também:

Leituras: Ciência da treta e medicina baseada na evidência

Leituras: Farmacêuticas, neo-colonialismos e a falta de ética médica
Medicina convencional sim, medicinas alternativas sim!
Cuidado: conselhos de “saúde” das celebridades!…

Para Saber Mais:
Você é pós-moderno?
Biopolítica por Leonor Nazaré (artigo de opinião no jornal Público)
O Pós-Modernismo…um Movimento a Conhecer e Erradicar (opinião no sítio SCIMED)
ANTICONCEPCIONAL: o que ensina a Igreja Católica sobre isso?
Medicina Chinesa PT – História

O Dia em que Concordei com Louise L. Hay

«Em primeiro lugar, peço-lhe que tenha presente que todos os professores são apenas degraus ao longo do nosso caminho de crescimento. Isso inclui-me a mim. Eu não sou uma curadora. Eu não curo ninguém. Estou aqui para ajudar, através da partilha de ideias, a conceder a si própria mais poder e segurança. Exorto-os a ler muitos livros e a estudar com muitos professores, dado que nenhuma pessoa isolada ou sistema único poderão conter tudo. A Vida é demasiado vasta para que a compreendamos completamente; a Vida, ela mesma, está sempre a crescer e a expandir-se e a transformar-se mais nela própria. Assim, fique com o melhor que puder retirar deste livro. Absorva-o, use-o, e vá ao encontro de outros professores. Continue a expandir e a aprofundar a sua compreensão da Vida.»

Louise L. Hay

Citações para Memória Presente (e Futura) (24)

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«Eu diria que os políticos nos traíram, os banqueiros roubaram e, de um modo geral, diria que as elites fizeram falsas promessas que não cumpriram, sobretudo em relação à globalização. Há muito tempo, disseram-nos que com a remoção das fronteiras e dos obstáculos ao comércio, haveria mais riqueza para todos, mais empregos, empregos com melhores vencimentos. E isso não aconteceu. Há uma sensação de traição relativamente a promessas feitas há muito tempo e que, de uma forma sistemática e continua, não foram cumpridas. Foi por aqui que se perdeu o capital de confiança. Já não há confiança porque se disseram muitas mentiras.»

«Depois há outra coisa: algumas das ideias mais simplistas e brutais que tem sido ditas por Donald Trump não são completamente falsas. Quando ele diz que a globalização é um jogo viciado, que os chineses não jogam de acordo com as regras, isso é verdade. Isto não foi algo que Trump descobriu. Eu vivi na China, sei como é que os chineses lidavam com o resto do mundo, e havia muita batota. Muita. Não é por Donald Trump ser um populista, e acima de tudo, um populista incompetente que vai estar sempre que vai estar sempre enganado. Ele pode estar a dizer a verdade e, muitas vezes, o que diz é verdade.»

«Aqui limito-me a citar os maiores especialistas mundiais, que estudam a produtividade à décadas. E eles dizem que as últimas inovações verdadeiramente importantes apareceram nos anos 90, com o computador pessoal, que passou a estar em todas as empresas e resultou num aumento de produtividade. E depois parou e agora a produtividade está em estagnação. Facebook, Airbnb, Uber não têm qualquer impacto na produtividade. São inovações que estão a gerar muita riqueza para algumas pessoas mas não estão a gerar riqueza para todas as pessoas. E este é um problema enorme. Porque a estagnação secular significa que isto é um beco sem saída a não ser que consigamos alterar o modelo de desenvolvimento. Penso que essa foi uma das traições da nossa época, esta ideologia vinda de Silicon Valley de que estavam a inventar uma nova espécie de capitalismo, com oportunidades abundantes para todos. Isto não se confirmou, pelo contrário. Silicon Valley é o mesmo capitalismo de outrora, com uma oligarquia em que está concentrada uma quantidade enorme de riqueza enquanto que para nós sobram apenas algumas migalhas.»

Federico Rampini (1)

Federico_Rampini_-_Festival_Economia_2015

(1) Revista Ler, nº 146 (Verão 2017).