«DO VOTO E DO POUCO QUE VALE O VOTO
O meu voto vale pouco? Valerá. Mas é o único momento em que vale exactamente o mesmo – o mesmo pouco – que o voto de Assunção Esteves ou do diácono-superior dos ex-CTT.
Essa a beleza do voto: cada um vale pouco e todos valem EXACTAMENTE o mesmo pouco.
Ao contrário de uma reunião de accionistas ou de um clube, onde há votos de qualidade, e uma só pessoa pode ter um zilião de votos, aqui naquele dia TODOS valem exactamente o mesmo: pouco.
A fórmula é simples: 1 adulto = 1 voto.
Claro, há pessoas que são fotografadas a votar e outras não. Mas a cruzinha vale exactamente o mesmo: pouco.
1 = 1.
Ronaldo é mais influente? Medina Carreira mais careca? O prof. Cavaco mais… Enfim, mais qualquer coisa? Sim. O prof. Marcelo é mais omnipotente? O sr. Pingo Doce mais rico? O dr. Catroga mais administrador da EDP? Claro. Como duvidar?
E não, nem de longe, não temos todos o mesmo poder de influenciar os outros. Falar na tasca, na televisão, no FB, ao telefone ou no jornal não é a mesma coisa. Nem tem de ser.
Há filmes vistos por milhões, poemas lidos por nem meia-dúzia de amigos. É assim.
Segundos antes e, lamento dizê-lo, segundos depois de votar deixaremos de ter o mesmo poder, a mesma fortuna, o mesmo destino.
Contudo, naquele instante, na cabine, com a caneta e o boletim, temos todos o mesmo poder.
Pouco. Maravilhosamente pouco.»
Rui Zink (1)
(1) No Facebook em 03/10/2019. Texto originalmente publicado nessa rede social em 27 de Setembro de 2015.
