Leituras: O cânone ocidental, de Harold Bloom…

Harold Bloom é um crítico literário norte-americano e é professor na Universidade de Yale. E é um defensor ferrenho da literatura formalista (a arte pela arte).

O-Canone-Ocidental

Harold Bloom defende neste livro que existe um “cânone” de livros de literatura que todas as pessoas deviam ler. Por isso estabelece uma lista cujas únicas preocupações são estéticas. Grande parte do livro é dedicado a:

A. Análise de autores recomendados por si. Harold Bloom defende que o cânone central é William Shakespeare (posição totalmente anglofila) e que os outros autores são todos influenciados por ele, mesmo que escrevam outros géneros literários. “A obra canónica sobrevive independentemente da época em que foi escrita. Se há necessidade de contextualizar a obra de um autor para confirmar qualidade, então essa obra está ultrapassada”. Para mim essa posição é discutível.

B. Critica ao que chama Escola do Ressentimento, nome que Bloom dá à “rede académico-jornalística que deseja derrubar o Cânone [literário] para promover seus supostos (e inexistentes) programas de transformação social”: são eles os marxistas culturais, os pseudo-intelectuais colectivistas gramscianos, os neo-historicistas influenciados por Foucault, desconstrutivistas, lacanianos, feministas e semióticos.

Harold Bloom é um elitista e embora se diga apolítico as suas ideias agradam claramente à direita. Marxistas, gramscianos, neo-historicistas, desconstrutivistas, lacanianos, feministas e semióticos não estão acima de toda a crítica mas também não são um alvo a abater: trouxeram novas perspectivas às ciências sociais e humanas e, claro, à critica literária.

Eu até me considero como fazendo parte do grupo das feministas e fui claramente influenciada por todos os outros grupos desta “escola”. Claro que eles não são intocáveis para mim – podem e devem ser criticados. A critica de Harold Bloom parece-me ainda assim desenquadrada e desadequada.

Este livro foi bom porque me fez perceber que, em caso de dúvida, o essencial é ler os clássicos. Mas os meus critérios de leitura são diferentes dos do autor. Graças a este livro descobri que sou uma relativista cultural, faço parte daquilo que Harold Bloom chama Escola do Ressentimento e vivo bem com isso.

Apesar de tudo, este é um livro que vale a pena ser lido!

 

Leitura de: Harold Bloom, O cânone ocidental (Lisboa, Temas e Debates, 2013)