Modelo Chinês ou Consenso de Pequim

«O académico chinês Zhang Wei Wei argumentou que o modelo chinês combina uma série de diferentes características.  Em contraste com o agora desacreditado Consenso de Washington, rejeita a terapia de choque e a grande explosão, em favor de um processo de reforma gradual, baseado no trabalho sobre as instituições existentes. Baseia-se num forte Estado desenvolvimentista, capaz de conduzir e liderar o processo de reforma. Envolve um processo de aprendizagem selectiva e de empréstimo cultural: a China baseou-se em ideias estrangeiras, incluindo o modelo neoliberal americano, bem como muitas que foram cultivadas em casa. E abarca a sequenciação e as prioridades, como é evidenciado, por exemplo, num empenho primeiro nas reformas económicas e mais tarde nas políticas, ou na prioridade dada às reformas nas províncias costeiras antes das províncias do interior. A ideia de um modelo de desenvolvimento chinês alternativo tem por vezes sido descrito como Consenso de Pequim. Existem certamente diferenças fundamentais entre a abordagem chinesa e o Consenso de Washington, sendo o modelo chines marcadamente menos ideológico e também altamente experimental e pragmático na abordagem, de uma maneira não muito diferente da dos tigres asiáticos, com vontade de adoptar o que funcionou e abandonar o que não funcionou.»

Martin Jacques (1)

(1) Martin Jacques, Quando a China mandar no mundo (Lisboa, Temas e Debates, 2012).

Para Saber Mais:
“Consenso de Pequim” brilha na crise e desperta temores
O Modelo de Pequim
Why the ‘China Model’ Isn’t Going Away

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