A Relíquia (publicada em 1887) é mesmo o tipo de livro que alguém que fez parte dos Vencidos da Vida (grupo que existiu entre 1887 e 1894) escreveria. Aqui entra a biografia do autor em cena, desculpem-me aqueles que pensam que a literatura é algo independente da vida dos seus autores.
Este livro mostra por um lado cepticismo em relação à religião católica e ao mesmo tempo um apelo para que esses valores tradicionais perdurem.
“Sobre a nudez forte da verdade – o manto diáfano da fantasia”, lê-se na capa. E todo o livro gira à volta das verdades e das fantasias de Teodorico Raposo, o anti-herói. Ele quer enganar a tia, para que ela lhe deixe toda a sua fortuna. Tia que nunca lhe deu afecto, apenas exigências. Para isso inventa uma viagem a à Terra Santa. A tia pede-lhe que traga uma relíquia. Mas o que ele traz não é o esperado.
O livro é uma sátira e ao mesmo tempo é uma reflexão sobre o que é sagrado. Estas reflexões baseiam-se nas ideias de Topsius, o cicerone na viagem pelos locais sagrados.
Se ainda não leste, está na hora de ler Eça de Queirós!
Para Saber Mais:
A crítica a sociedade portuguesa em A relíquia, de Eça de Queirós