A sabedoria de António Sousa Ribeiro

«Dito curto e grosso, o que se ensina nas Faculdades de Letras é a ler e a escrever. (Obviamente, não num sentido superficial da palavra.) Esse é o valor das Humanidades. O bem primeiro do ser humano é a linguagem, e tudo aquilo que contribua para o exercício, a aprendizagem e a prática de uma consciência crítica da linguagem – que é o cerne das Humanidades – é absolutamente indispensável para uma sociedade democrática. Ou, traduzido numa fórmula, ou até um slogan: sem Humanidades não há cidadania responsável. Portanto, se queremos cidadãos, pessoas capazes de exercer a cidadania, a reflexão das Humanidades é incontornável. Assim, só nos resta lutar.»

«As Humanidades cometeram muitas vezes o erro de se colocar numa posição defensiva. Ou até mesmo numa atitude passadista. Muitas vezes defendem o Património, defendem o passado. Não é isso que as Humanidades devem fazer. Devem colocar-se, sim, numa atitude ofensiva e dizer: Não, as Humanidades defendem o futuro. Não há futuro sem as Humanidades. Sem elas o que nos resta são os últimos dias da humanidade. Também isso está implícito no título do Kraus. E, no fundo, é o que há a dizer.»

António Sousa Ribeiro (1)

(1) Entrevista ao jornal I, 02/05/2018.

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