Leituras: Cisnes Selvagens, de Jung Chang…

cisnes selvagens livroEste livro pode ler-se de várias maneiras:

  • A história de uma família chinesa desde o início do século até 1976;
  • A história de três mulheres: a autobiografia de Jung Chang até sair da China, da sua mãe e da sua avó;
  • Uma história da China até 1976.

Jung Chang amava muito o seu pai, conforme se pode verificar à medida que lemos. Mas, provavelmente influenciada por Louisa May Alcott, Jane Austen e as irmãs Bronte, decidiu dar primazia, neste seu relato, às vidas da avó materna, da mãe e à sua.

A avó materna de Jung Chang tornou-se concubina de um militar. A infância da mãe foi marcada pela ocupação japonesa. Jovem, a mãe decidiu aderir ao Partido Comunista chinês, onde conheceu o futuro marido. Os pais de Jung Chang trabalharam durante muitos anos para o governo comunista, até passarem a ser perseguidos durante a Revolução Cultural. Esta é a saga da família e acabamos por desta maneira conhecer um pouco da história da China no século XX.

Mao Tsé-Tung é descrito como um vilão, Deng Xiaoping como um pragmático cuja visão é a correcta para a China. Jiang Qing, a senhora Mao (por ser casada com Mao Tsé-Tung), é descrita como “um diabo de saias”. Pessoalmente penso que por uma pessoa ser “um monstro” não quer dizer que não “seja humana”: as duas coisas podem coexistir pacificamente e Adolf Hitler é a prova disso.

Leio na internet, a propósito deste livro: “Cisnes selvagens não é um livro de ressentimento e sim de sentimentos.” A mim parece-me que os sentimentos da autora (nomeadamente pela família) coexistem com o ressentimento contra Mao Tsé-Tung, a quem ela prestou culto na adolescência.

Um livro bom, complexo, que nos deixa a pensar.

Leitura de: Jung Chang, Cisnes selvagens : três filhas da China (Lisboa, Círculo de Leitores, 1995)

Para Saber Mais: Cisnes Selvagens no blogue China na Minha Vida.

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