A globalização tornou moda importar conceitos e palavras de outros países (e eu aproveito para juntar sugestões de presentes para mim)

Breve lista de ideias importadas IMG
No princípio cada país tinha as suas especificidades nacionais. Não deixava de comerciar com os vizinhos e às vezes até com terras distantes. A globalização existia mas não estava tão acelerada.
Depois vieram os “deuses invisíveis” e visíveis da globalização e passou-se a comerciar Tudo. Mas como Tudo não era suficiente, passou-se a também comerciar ideias e conceitos específicos de um país (ou região) e a demandar que eles fossem tomados como fórmulas universais (ou não, porque os paradoxos coexistem pacificamente na globalização).
Portugal nunca fica atrás no campo de importação de ideias estrangeiras: até porque aparentemente é característica nacional não ter ideias nacionais? (À excepção do Fado? À excepção da Saudade?)
Depois do Hygge, as editoras nacionais descobriram que editar livros sobre conceitos nacionais era um filão que devia ser explorado. E fizeram o que lhes compete: começaram a editar este tipo de livros com extrema regularidade, até o mercado ficar cheio e não poder mais.
Mas, há sempre um mas: adoro viajar e adoro conhecer melhor como vivem e pensam as pessoas de outros países e regiões. Sou portanto uma potencial compradora desses livros.
Mas, há sempre um mas: como não consigo que o meu ordenado seja grande o suficiente para comprar livro atrás de livro, deixo aqui sugestões de presentes para os leitores deste blogue. Ofereçam-me livros com uma destas palavras no título!

– Lykke (Dinamarca)
Lykke significa “felicidade” em dinamarquês.
Não satisfeito com o êxito alcançado mundialmente d’O livro do hygge, Meik Wiking decidiu “atacar” com o O livro do lykke, onde faz um estudo da felicidade no mundo através de um conjunto de critérios: o senso de união com os outros ou de comunidade; o dinheiro; a saúde; a liberdade; a confiança; a generosidade.

– Ikigai (Japão)
Ikigai é uma palavra oriunda da Ilha de Okinawa, no sul do Japão, deriva de IKI, que significa vida e KAI, realização de desejos e expectativas. Não é à toa que nessa ilha, e devido também a esta filosofia, as pessoas tendem a viver além dos 100 anos de idade!
A fórmula é esta:

Ikigai

– Sisu (Finlândia)
A Sisu faz parte da ideia patriótica que os finlandeses têm de si mesmos: pessoas corajosas, determinadas, cheias de propósito na vida, ética e resiliência. Resume um modo de estar que se traduz na fórmula dos finlandeses para a felicidade. Isso inclui todos os aspectos da vida, nomeadamente a educação, a alimentação, a relação com a natureza e a forma de comunicar com os outros. A Sisu deve ser, portanto, um conjunto de bons conselhos. Problema: estes conselhos servem de inspiração a grupos de extrema-direita sueca como o Suomen Sisu.

– Lagom (Suécia)
Lagom é a fórmula dos suecos para a felicidade. Embora seja daquelas palavras intraduzíveis, há quem a entenda como “em moderação”, “equilibradamente”, “mediano” ou “medianamente” e “comum” ou “típico”. Quem gosta das coisas “equilibradamente”, “mediano” acaba por não ter ambições. De acordo com alguns críticos, a mentalidade lagom representa um obstáculo ao crescimento económico e por ser vista como a razão pela aparente falta de patriotismo por parte do povo sueco. Será verdade?

Última Actualização: 22/05/2018

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