Leituras: Novas Cartas Portuguesas!

novas_cartas_portuguesas_quixoteMaria Alzira Seixo listou (1) quatro razões para alguém ler este livro:

  1. Confrontar o que se passava em 1972 com o que se passa actualmente: ver a evolução histórica.
  2. Pelo valor literário da obra: o hibridismo.
  3. Compreender como surgem e se comportam as várias vozes e personagens.
  4. Perceber como as autoras reescreveram as Cartas de Mariana Alcoforado, freira de Beja.

Eu acrescentaria mais duas…

  1. É um livro feminista.
  2. O apelo erótico é constante.

Questão nos anos 70 do século XX: a mulher só existe através da sua relação com os homens? Este livro tenta dar respostas. As autoras recorrem para isso a histórias de soldados e ex-presos políticos batem nas mulheres, por exemplo.

Embora o centro das histórias deste livro-manifesto seja Portugal as autoras falam de passagem do que se passava (e passa) no resto do mundo.

Parece-me que as autoras optaram por subordinar a trama e as personagens aos detalhes do mundo ao invés de arrolar o mundo a serviço deles, como um noveau roman.

Existe permanente intertextualidade com outros livros que as autoras publicaram antes dele. Paradoxalmente as três autoras escreveram-no de forma quase anónima (é difícil perceber quem escreveu o quê).

Novas Cartas Portuguesas é um livro inclassificável. É romance, tem poesia, é teatro e é ensaio. É tudo junto! E vale a pena lê-lo em 2018, sem dúvidas!

(1) Maria Alzira Seixo, Outros erros (Porto, Asa, 2001). Ensaio publicado originalmente na Ciberkiosk, em 1999,

Leitura de: Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, Novas cartas portuguesas (Lisboa, Dom Quixote, 1998).

Para Saber Mais:

Novas Cartas Portuguesas: 40 Anos Depois (sintetiza a investigação feita à volta do livro)

Maria Teresa Horta: “Se eu chorasse mostrava o ponto exacto onde eles podiam enterrar a faca” (entrevista de 2018)

[LIVROS] | Novas Cartas Portuguesas (a autora deste post explica o que vale a pena ser explicado sobre este livro)

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