A sabedoria de Rosa Oliveira

«P.: O primeiro livro foi distinguido com um prémio revelação, inaugurou a par de um outro a coleção de poesia da Tinta-da-China, esgotou uma primeira edição de 500 exemplares, algo tão difícil em Portugal quando se trata de poesia, mas mesmo assim este é um tempo em que a poesia tem menos repercussão do que nos tempos em que começou a interessar-se por ela. O que mudou de lá para cá?

R.: Tudo mudou muito. O mundo mudou muito, não só em relação à edição de livros. Mas publica-se hoje muito mais. Há mais variedade e isso também no que toca à qualidade. Quanto à receção: a crítica está de rastos, mas a verdade é que neste país nunca foi portentosa. Neste país a literatura sempre foi 100 pessoas a escreverem para as mesmas 100. Não sei se isso se terá alterado muito. O que acontece é que antes, editando-se menos, quando certos livros saíam nós sabíamo-lo, íamos à procura. Mas o mesmo se passava com a música, com o cinema. Ao democratizar-se o acesso à cultura, há muito mais coisas mas também a reação a elas se torna muito mais ligeira e passageira

Rosa Oliveira (1)

 

(1) Fonte: jornal I, 24/04/2017.

Rosa Oliveira é critica literária, professora na Escola Superior de Educação de Coimbra e escritora. Venceu recentemente o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2017.

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