Leituras: Como pensamos depressa e como pensamos devagar?

Pensar-Deprea-e-DevagarDaniel Kahneman é um psicólogo norte-americano. Nasceu em Tel Aviv (Palestina). Passou a infância em França (na altura sob ocupação nazi) e voltou à Palestina em 1948, pouco tempo antes da independência de Israel. Graduou-se na Universidade Hebraica de Jerusalém em 1954. Ai começou a dar aulas até ser convidado a dar aulas nos Estados Unidos. Hoje dá aulas na Universidade de Princeton, no Woodrow Wilson School of Public and International Affairs, na Universidade Hebraica para além de desenvolver pesquisas para o Gallup.

Daniel Kahneman venceu o Prémio Nobel da Economia (que se chama realmente Prémio do Banco da Suécia para as Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel) em 2002, «por introduzir os insights da pesquisa psicológica na ciência económica, especialmente no que diz respeito às avaliações e tomada de decisão sob incerteza». É sabido que alguns familiares de Alfred Nobel consideram este prémio como uma espécie de «campeonato de relações públicas para economistas» (1), pelo que podemos concluir que as ideias de Kahneman já se tornaram a tendência do momento.

Cada capítulo tem no final algumas ideias de como podemos aplicar os seus conceitos no dia-a-dia: Daniel Kahneman propõe que usemos as suas ideias quando conversamos na máquina de café (ou seja, nos intervalos para almoçar ou para lanchar). Engraçado porque na parte detrás da capa – espaço para as habituais citações elogiosas – encontramos uma citação do New York Times que diz tudo:

«As implicações da obra de Kahneman são vastas, estendendo-se aos âmbitos da educação, do negócio, do marketing, da política… e até ao da investigação sobre a felicidade. Poderíamos chamar a este domínio “psiconomics”, o raciocínio que se esconde por detrás das nossas escolhas.»

Este livro é a síntese de todas as pesquisas: as suas e a de outros psicólogos, economistas e outros cientistas sociais. Daniel Kahneman cita as investigações de Mihaly Csikszentmihalyi, Richard Thaler, Paul Slovic, Martin Seligman, Nassim Nicholas Taleb, de ex-alunos seus e de ex-alunos de Amos Tversky.

O livro inicia com o resumo das investigações que desenvolveu em colaboração com Amos Tversky (esta amizade foi tema de um livro de Michael Lewis) sobre heurísticas e enviesamentos dos juízos que as pessoas fazem. Grande parte do livro é uma explicação de como funciona o nosso Sistema 1 (a intuição) e o Sistema 2 (consciência e racionalização).

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Outros objectos de pesquisa:

Economia comportamental ou Econos e Humanos – A economia habitualmente parte do princípio de que todas as decisões que os sujeitos tomam são racionais. Daniel Kahneman e colaboradores demonstram que todas as decisões têm um fundo emocional por detrás: arriscamos mais quando sentimos que vale a pena.

Psicologia do hedonismo (também chamada de economia da felicidade) ou o Eu da experiência e o Eu da memória – Trata-se do estudo quantitativo e teórico da felicidade, emoções positivas e negativas, bem-estar, qualidade de vida, satisfação da vida e conceitos relacionados, combinando, geralmente, economia com outros campos, como psicologia, saúde e sociologia.

(1) Nobel descendant slams Economics prize.

Leitura de: Daniel Kahneman, Pensar, depressa e devagar (Lisboa, Temas e Debates, 2017)
Para Saber Mais:

Daniel Kahneman no blogue Correntes
Economia evolucionista
O enigma da experiência versus memória (TED Talk)
Daniel Kahneman changed the way we think about thinking. But what do other thinkers think of him?

Quem é Daniel Kahneman e por que todo administrador deve conhecê-lo

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