Leituras: Morrie Schwartz, o inspirador…

as terças com morrieQuase todos nós temos algum professor ou alguma professora que nos inspira mais, que nos marca. Mitch Albom teve Morrie Schwartz, professor de sociologia na Universidade de Brandeis (uma universidade privada situada a 14 Km de Boston).

Este livro trata da transformação de Mitch Albom: deixou de ser apenas um jornalista desportivo conhecido em Detroit, depois de assistir aos últimos dias do seu professor Morrie Schwartz, que morreu em 1995, tornou-se guru de auto-ajuda citável, conhecido mundialmente e colaborador assíduo de Oprah Winfrey.

Como o próprio Mitch Albom refere as ideias do seu professor são todas herdeiras dos anos 60 do século XX. O desapego e a busca de sentido para a vida são importantes desde então e são alguns dos temas do livro. O que a indústria da auto-ajuda tem feito desde então é comercializar ideias feitas de como as pessoas se devem preparar para morrer. Mitch Albom com este livro foi um pioneiro dessa indústria.

Graças a Morrie Schwartz, que está a morrer de esclerose lateral amiotrófica (ELA), Mitch Albom redescobre todo o idealismo que tinha quando estudava na universidade, nos anos 70. Agora – o livro foi escrito nos anos 90 do século XX – abunda o cinismo e o egoísmo. (Mitch Albom continuará a ser um homem dos anos 90, embora não o confesse publicamente.)

Morrie Schwartz mais parece um catequista que um professor de sociologia, sempre a debitar ideias citáveis, com as quais eu concordo totalmente. Eis uma das suas generalizações:

«”AH, SE FOSSE NOVO OUTRA VEZ…” Nunca ouves ninguém dizer “Gostava de ter sessenta e cinco anos”.

Sorriu.

“Sabes o que isso reflecte? Vidas insatisfeitas. Vidas incompletas. Vidas que não encontraram sentido nenhum. Porque se encontrares um sentido na vida, não desejas voltar atrás. Queres ir para a frente. Queres ver mais, fazer mais. Estás mortinho para chegar aos sessenta e cinco.”

“Ouve, tens que saber uma coisa. Todos os jovens têm de saber uma coisa. Se estiveres sempre a batalhar contra o envelhecimento, vais ser sempre infeliz, porque isso vai acontecer de qualquer maneira.”»

Claro que concordo com ele. Mas irrita sempre o tom de catequista de Morrie Schwartz, bem como de “bom aluno” de Mitch Albom.

 

Leitura de: Mitch Albom, Às terças com Morrie (Cascais, Sinais de Fogo, 1999)

 

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