Leituras: Um relatório sobre analfabetismo funcional já antigo

250xEste é um relatório sobre a situação do analfabetismo funcional em vários países da OCDE. Trata-se de um estudo realizado por Lauren Benton e Thierry Noyelle, do Eisenhower Center of Conservation of Human Resources, da Universidade de Columbia (Nova Iorque, Estados Unidos).

De acordo com os autores do relatório, o ponto de viragem aconteceu na década de 1970, quando se passou do taylorismo do pós-guerra à internacionalização, com maior concorrência entre países. Nesta situação, passou a ser exigido dos empregados mais e a alfabetização tornou-se uma questão política. Neste contexto começaram as pesquisas nos vários países sobre alfabetização, que se depararam com vários obstáculos.

Os autores apresentam várias definições de alfabetização funcional. Destaco a da UNESCO:

«uma pessoa funcionalmente analfabeta é requerida para uma actuação eficaz em seu grupo e comunidade, e que lhe permitem, também, continuar usando a leitura, a escrita e o cálculo a serviço do seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento de sua comunidade».

Portanto, uma pessoa pode saber ler e escrever e ser analfabeta funcional. Isso é um problema.

Na década de 70 e 80 do século XX vários países fizeram inquéritos ao analfabetismo funcional: Estados Unidos, Canadá e França. Outros optaram por não fazer nenhum inquérito à população, avançando primeiro com programas nacionais para o seu combate.

Para além disso, nos Estados Unidos, Canadá e Suécia alguns governos locais (de municípios e/ou de províncias) e algumas associações locais conceberam programas para a promoção do analfabetismo funcional. A França e a Alemanha (na altura RFA) preferiram esperar por directivas nacionais.

Os autores do relatório apelam a que sejam feitos mais estudos para contabilizar os custos para as empresas do analfabetismo funcional. (Na altura) Contava-se também com a participação dos sindicatos nestes estudos e na promoção da alfabetização funcional.

Em anexo os autores colocaram o Inquerito sobre as Capacidades de Leitura e de Escrita Utilizadas no Quotidiano (ECLEUQ), realizado no Canadá em 1989. Penso que eles o consideram o melhor inquérito sobre o tema até à data (1992, data de edição deste relatório).

Este é portanto um livro útil para quem como eu trabalha numa biblioteca pública, apesar de datado.

Alguém sabe qual é o “estado da arte”, em 2017, do Analfabetismo Funcional?

Leitura de: OCDE, Analfabetismo funcional e rentabilidade económica (Rio Tinto, Asa, 1992)

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