Leituras: no coração das trevas

Joseph_ConradJoseph Conrad nasceu na Polónia ocupada dela Rússia. Órfão, foi colocado sob os cuidados de seu tio que permitiu que Conrad viajasse para Marselha e começasse sua carreira como marinheiro com a idade de 17 anos. Em 1878, depois de uma tentativa falhada de suicídio, passou a servir num barco britânico para evitar o serviço militar russo. Conseguiu a nacionalidade britânica em 1886. Em 1895 saiu o seu primeiro romance. Escreveu sempre em inglês. Muitas das obras de Conrad parecem uma adaptação (ficcional) da sua vida no mar.
Um narrador deste romance (um marinheiro?) apresenta Marlow, um marinheiro mais velho, conhecido pela sua vagabundagem e pelas suas histórias. Estão todos em Londres, num barco no rio Tamisa. E é ele quem vai contar, na primeira pessoa, esta história.
Charles Marlow era jovem e desejava conhecer os mares. Depois de várias diligências conseguiu ser nomeado capitão de um barco a vapor, a serviço de uma companhia de comércio de marfim. Não é dito o local mas a interpretação “corrente” é que seria no Rio Congo, para uma companhia belga, durante a época do Estado Livre do Congo.
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Depois de ter enterrado o anterior capitão do navio (morto pelos locais), é-lhe dada a tarefa de ir à procura de Kurtz, um chefe de posto muito inteligente (escreveu um relatório com medidas para que os nativos se ocidentalizassem) mas que caiu em desgraça por ter adoptado os seus costumes, se ter tornado um semideus para os nativos e (pior) se ter apossado do marfim como um bem seu.
Marlow não esconde o fascínio por Kurtz, apesar de o tratar quase sempre como o representante do mal. Humaniza-o mas não o compreende.

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Mas é ambíguo em relação a tudo o resto. Por um lado critica as condições de trabalho do nativo, ao aspecto burocrático e corrupto dos administradores, bem como a falta de informação por parte destes. Por outro lado é claramente racista na forma como apresenta as situações.
Joseph Conrad escreveu um livro para ser lido pelos colonizadores, não pelos colonizados!

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