Leituras: O Caso da Desesperada Cómica

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(Nota para os que se importam: esta análise conta parte do enredo, por isso diz-se “tem spoilers“).

Romance sobre o estado psicológico de uma mulher desequilibrada narrado na primeira pessoa (a própria protagonista-narradora dá várias indicações disso ao longo do texto mas sobretudo na página 179; neurótica, deprimida e talvez obsessivo-compulsiva) que gira à volta da sua relação com a sua terapeuta e com o seu segundo marido. Desde o subtítulo (criado pela editora?) que se dá a entender que se quer chocar: “um romance chocante sobre a intimidade que desafia todas as convenções”. Analisemos o que pode chocar.
A protagonista não se dá bem com a mãe nem com o pai. Critica constantemente a mãe por ser feminista e não quer ter contacto com ela, embora nunca explique realmente o porquê desta comportamento. Também não quer contactos com o pai e diz constantemente que o marido é um substituto do pai. Os irmãos morreram e tem uma filha e um enteado. Está constantemente a dizer que quer morrer, nunca parece estar satisfeita com nada.
Grande parte deste longo monólogo é sobre as suas zonas intimas (ânus e vagina, sobretudo) e sobre uma ida às prostitutas com o marido. Estes são dois assuntos que podem ser chocantes mas a mim não me chocaram da forma como foram escritos.
A protagonista, como todas as mulheres letradas e com acesso a tecnologia actualmente fazem (eu inclusive) passa o tempo a ir à internet à procura de indicações cientificas sobre todos os assuntos do dia-a-dia. Isso torna o romance numa antologia de lugares comuns. Ela diz que é muito alternativa (quer a todo o custo ser diferente da mãe e do pai) mas acaba por ser uma pessoa ultraconvencional e cheia de medos.
Enfim, este romance mais pareceu-me mais cómico que chocante. Livro aconselhável a leitoras de E. L. James.

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