Leituras: Conheçam Jane Eyre e Helen Huntingdon

Para mim não há romances feministas, há romances com feminismo: dentre outros temas, emerge a questão do papel da mulher na sociedade e o que pode ou não fazer.
As irmãs Bronte viveram no tempo em que já se falava de feminismo mas para elas essa questão nunca se colocava. Penso que elas nunca escreveram nada teórico sobre feminismo. A praia delas era mais a religião: eram filhas de um clérigo anglicano e os seus livros estão cheios de citações da Bíblia. No entanto estão também cheios de mulheres lutadoras, sejam nobres ou não.
Li primeiro Jane Eyre de Charlotte Bronte (1847). Esta é um romance acerca do amadurecimento de uma órfã cujo status na sociedade é ambíguo pois é filha de um pastor pobre que viveu um romance e casou com uma rica herdeira.
A história passa por 4 espaços: a casa da tia onde ela é maltratada até aos 10 anos; a escola de caridade (Lowood Institution) para onde ela vai e onde fica 8 anos, primeiro como aluna e depois como professora; Thornfield Hall onde ela vai ser receptora de uma menina e se apaixona pelo seu tutor, o barão Mr. Rochester; Marsh-House, a casa dos primos que a acolhem. Com o tempo torna-se uma rica herdeira (por causa de um tio rico) e uma mulher forte e independente, que faz frente ao homem que a quer subjugar. Acaba por casar com o homem que deseja, depois dele ficar cego.

Mais complexa é a história de Helen Huntingdon. Esta é a história de A inquilina de Wildfell Hall de Anne Bronte (1848). Ela é uma mulher que foge depois de anos a aguentar o marido alcoólico e mulherengo. Ela:
a) Deixa o marido (o que na altura era totalmente contra as convenções sociais, para além de ser proibido por lei no Reino Unido);
b) Rapta o filho e foge com ele (o que também era proibido por lei): Helen faz isso para proteger o filho de se tornar igual ao pai.
c) Ganha dinheiro com o fruto do seu trabalho, que é pintar quadros, sob nome falso.
Ela esconde-se no local onde ela e o seu irmão nasceram, despertando desde o inicio a curiosidade e os mexericos dos vizinhos. Acaba por se apaixonar por um deles, Gilbert Markham, o narrador da história. Depois de algum tempo escondida, ela decide regressar para o marido, pois este sofreu um acidente grave e está sem amigos. Todas as justificações morais para as suas acções são baseadas na Bíblia, e ela é várias vezes descrita como um anjo ou uma santa ao longo do livro.
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