Para Que Conste 23

– «O Presidente da República leu no 39.º Aniversário do 25 de Abril o mais aporético e contraditório discurso da história da III República. Denunciou a  incompetência da troika, mas saudou o doloroso cumprimento do seu insensato programa pelo esforçado povo português. Apelou a uma mudança do rumo da Europa, mas concordou com a tese do Governo que condena a nação a carregar a albarda dos  credores até ao fim dos tempos. O discurso de Cavaco, com as suas oscilações de  180º, é um raro exemplo do medo como política pública. O País está à deriva,
pois quem toma decisões está paralisado pelo pânico, em estado quimicamente puro. A única maneira de a História ser benevolente para com Cavaco Silva, o  político que deu rosto a todos os pecados e omissões da III República, é a de ela nunca ser escrita. Seria a benevolência do esquecimento, resultante do desaparecimento de Portugal como sujeito histórico, como lugar onde a aventura da vida comum se cristaliza em memória. Será essa a secreta esperança do Presidente?»

Viriato Soromenho-Marques (27/04/2013)

Saudemos, encantados, as máquinas de marketing e relações públicas portuguesas (falta apenas atribuir-lhes um Nobel).

– Nem toda a gente tem 5000 euros para emprestar ao Estado, durante cinco anos, a fundo perdido.

Quem os tem que os empreste: a “classe média” já morreu. Falta apenas a machadada final.

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