O regresso de José Sócrates, os comentadores, o situacionismo

Miguel Relvas, José da Ponte e Luís Marinho têm o prazer de apresentar o odiado José Sócrates, agora elevado a político brilhante e com direito a tribuna sem contraditório… Para que a populaça faça muito barulho à volta dele e a televisão pública tenha alguma audiência. E para que haja confusões e ódios a vir ao de cima. Ou para se descobrir que José Sócrates é apenas um anjo que merece o nosso voto…

Também para que o governo tenha “paz” para fazer mais cortes para criar mais desemprego, mais pobreza, mais deficit e mais dívida…

Desse ponto de vista, o “ministro da ética descartável”, o ex-gestor de fábrica de cervejas e o “jornalista promovido” merecem todo o mérito…

Ouvir José Sócrates é de facto pedagógico (e melhor que a programação por eles inventada para tornar o canal público inviável economicamente, e assim ter de ser fechado ou privatizado mais depressa).

Para além disso, ter José Sócrates implicará pagar-lhe (coisa que também contribuirá para a falência do canal público: estamos portanto no paraíso graças a Miguel Relvas & companhia).

Ter José Sócrates implicará que os poucos portugueses interessados poderão brincar às democracias (dado que a União Europeia não parece estar interessada em democracia a sério lançou à muito o seu sucedâneo: a democracia sem democracia).

Vive-se, portanto, no melhor dos mundos em Portugal…

Quanto ao personagem José Sócrates… Este blogue ajustou todas as contas com José Sócrates na altura certa (na data do anúncio da negociação com a troika). Se houver mais contas a ajustar no futuro (coisa que acontece habitualmente com os gurus portugueses) essas serão ajustadas quando for de conveniência.

Para já este blogue não comunga do ódio nem do amor generalizado que polua nesta doce nação portuguesa…

Afinal, já se sabe (quem quer saber) que é sempre possível fazer pior que José Sócrates.

Para fazer melhor implica mudar muita coisa e o português normal (tipo José Sócrates) não gosta de resolver problemas: gostam que lhe soprem ao ouvido soluções ou tirá-las do manual do guru mais citado internacionalmente. Ora, qual tem sido a principal função da Alemanha na União Europeia? Soprar aos ouvidos dos vários países soluções que beneficiem a Alemanha. Isso para o português normal  (tipo José Sócrates) costuma ser o suficiente, até porque seguir por outros caminhos implicaria riscos… e em Portugal a única coisa que se ambiciona é ser-se o “aluno favorito do(a) professor(a)” (para Passos Coelho nem isso é suficiente).

Por fim apenas se cita Luis Bernardo (25/03/2013):

«(…) Afinal, o “pai de todos os males” terá, a partir de agora, uma tribuna mediática e alimentará a máquina de ‘spin’ do PSD. Uma máquina que não terá pejo em colar Sócrates ao PS e atribuir-lhe uma importância que, podendo ser pouco significativa no início, rapidamente passará a existir e a pesar nas decisões das cúpulas de um partido esvaziado, enfraquecido e esmagado entre o compromisso memorandista e a tentação eleitoralista.

Este é, se quisermos, o ângulo morto dos partidos pós-ideológicos: centrados na política personalista e no marketing político, desprovidos de um programa sólido e consistente, ficam à mercê de flutuações como o regresso do filho pródigo ao seu ambiente favorito: a tribuna. O exemplo que estará na mente de todos: Marcelo Rebelo de Sousa, o auto-ungido tribuno da plebe que, todos os domingos, inventa alguma da opinião pública e publicada na semana seguinte. Seja como for, as cúpulas do PS devem estar preocupadas. E têm razão para isso.»

Ver Também:

Coisas Giras de Portugal em 2012 (27)

Há necessidade de um vilão ausente para o “mau de serviço” para que não se vejam os outros

Última Actualização: 29/03/2013

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