Leituras: João III de Portugal, O Devoto

Mor_-_Joao_IIIJoão era filho de Manuel I e foi educado desde pequeno para ser rei. No entanto Manuel I parecia não confiar no filho, dando-se o grande momento de conflitualidade quando Manuel I, viuvo, decidiu desposar a prometida do filho, Leonor, filha de Joana A Louca. Ao mesmo tempo, Manuel I tratava com enorme diferimento o infante Luis, irmão de João III, o que lhe causou ciúmes o resto da vida.

Depois da morte do pai, João III foi aconselhado por alguns nobres a desposar a madrasta, mas optou por casar com a irmã dela, Catarina. Tiveram muitos filhos (9 contabilizados oficialmente) mas todos foram morrendo em vida dos pais. No final da vida de João III apenas sobrava a sua nora, grávida do futuro rei Sebastião.

O reinado de João III ficou marcado pela peste e pela crise económica. Ao mesmo tempo, ao nível interno este rei seguiu a política de seu pai, de absolutismo. As cortes só se realizaram três vezes, e mais para jurar herdeiros e lançar mais impostos. Ao mesmo tempo crescia a máquina administrativa e as tensas aos nobres.

Como o rei não queria/ não conseguia resolver os problemas da população em 1525 pediu a Inquisição para Portugal pela terceira vez (1ª vez D. Manuel II; 2ª vez D. João III), para colaborar no antisemitismo latente da mesma população, ao mesmo tempo que esperava reforçar o poder régio, como tinha acontecido com os Reis Católicos em Espanha. O pedido foi finalmente atendido em 1536. Essa decisão teve oposição dentro da corte e dos próprios judeus / cristãos novos endinheirados (diz-se que foi por isso demorou mais tempo). O inquisidor-mor em Portugal foi o cardeal Henrique, irmão de João III, que faria bravamente o seu papel de perseguidor (e que mais tarde entregaria a independência portuguesa ao cristianíssimo rei espanhol Felipe II). Portanto, a ideia era mesmo a coroa ter beneficios no poder de condenar e fazer autos-de-fé. (É claro que na prática quem obteve mais benefícios foram os padres, os bispos e os informantes de toda a espécie. O reino de Portugal apenas ficou sem parte da população e num clima de suspeição permanente… embora existam vesânios que acham que isso é bom).

Ao mesmo tempo, durante o reinado de João III foi um tempo áureo para o humanismo e para as letras portuguesas. João III transferiu a universidade de Lisboa para Coimbra e chamou os grandes homens de letras, tendo mesmo pondo a hipótese de chamar Erasmo de Roterdão. No entanto estes projectos acabaram por fracassar, muito devido à presença da Inquisição, que colocava sob suspeição toda a gente, como já foi referido. O próprio rei contribuía para isso (pregava que as leis da santa madre Inquisição tinham prioridade).

João III optou por deixar algumas possessões portuguesas para poupar dinheiro e tentou evitar guerras com o império otomano, que crescera no século XV. Durante o seu reinado houve que tomar importantes decisões: negociar as ilhas Molucas com Carlos V (I de Espanha), combater a pirataria (sobretudo por parte dos franceses). Este reinado ficou marcado pelo aumento da colonizaçao brasileira, que passou a ser a nova “joia da coroa”. Isso significava abandonar a política de Manuel I, quer pretendia fazer uma grande cruzada ao Islão, e aumentar o império até ao infinito, dando-lhe uma dimensão missiânica (Terão sido estas ideias que depois levaram à aventura do rei Sebastião, neto de João III, em Alcárcer Quibir? Quem apoiou a loucura de Sebastião I?)

No final da vida de João III a rainha Catarina foi tendo cada vez mais influência junto do marido. E a rainha não escondia a sua inclinação para que Portugal se tornasse uma província de Espanha – até porque mantinha bem viva a gratidão ao seu irmão, Carlos (1) a ter salvo da reclusão em que vivia com sua mãe Joana. Essa gratidão coube depois na herança ao sobrinho (2) (3).

(1)  Carlos: Segundo rei da Espanha unificada (Aragão + Castela) como Carlos I, e imperador do Sacro Império Romano (como Carlos V). arquiduque de Áustria, duque de Milão e duque de Suábia, conde de Flandres, rei de Nápoles e Sicília como Carlos IV de 1516 a 1555, Príncipe dos Países Baixos de 1516 até abdicar em outubro de 1555.

(2)  Filipe, sobrinho de Catarina: Filipe II de Espanha, da Sicília e das Índias espanholas, duque de Milão, rei de Nápoles, rei da Inglaterra (1554-1558), rei dos Países Baixos, duque de Borgonha. Desde 1580 rei de Portugal (+ colónias portuguesas) como Filipe I.

(3) Qual a sua causa preferida para a perda da independência portuguesa? Escolha a sua favorita.

–  A astúcia e inteligência de Filipe II de Espanha.

– Os desejos do cardeal-rei Henrique I.

– A nobreza, o clero e o povo pensavam que ganhavam mais mudando-se para Espanha, onde novas hipóteses de sucesso emergiam com a globalização.

– Filipe II de Espanha era o único candidato existente.

Leitura de: Ana Isabel Buescu, D. João III (Lisboa, Circulo de Leitores, 2005).

Fonte da Imagem: Wikipédia (retrato de Antonio Moro).

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