Para que conste 21

(Dedicado a explicar porque Portugal em Março de 2013 é extremamente diferente da Grécia, da Irlanda e quejanos)

– Temos um partido da oposição que se dedica a mostrar à troika que pode ser uma alternativa ao governo existente: portanto, tal como esse governo, não está interessado no que se passa com os portugueses. Nos intervalos, elogiam o ministro dos assuntos parlamentares, provavelmente a única fonte de inspiração existente.

– Temos um partido que está em coligação, portanto faz parte do governo. As horas vagas da maioria dessas pessoas são ocupadas em mostrar que são a única oposição existente em Portugal (o que significa que criticam o que foi aprovado por eles). O pior é que às vezes esses são realmente a única oposição existente, pelo que as mentiras tornam-se verdades e vice-versa.

– Portugal tem a sorte de ter um bode expiatório oficial. Portugal, país onde toda a gente tem a culpa de tudo e ninguém assume a responsabilidade de nada. Este país elegeu, através de um colégio composto pelos seus piores especialistas em marketing político e jornalismo José Sócrates para esse cargo (a ver vamos se o cargo é vitalício).

(Tratou-se de uma eleição feita por elementos que não representavam ninguém… Mas como na União Europeia se estão a experimentar versões inovadoras de democracia sem democracia, como o vinho sem álcool, quem sabe se esta não foi aprovada pelos meninos mimados europeus).

– Em Portugal as pessoas deixam de ir aos centros de saúde e hospitais (por não terem dinheiro nem tempo) e isso é visto como uma coisa boa.

– As promoções turísticas portuguesas fora de Portugal incluem a promessa de um potencial caso sexual com uma portuguesa. Nem todos os países desenvolvidos / misogenos vão tão longe na promoção turística.

– Um assessor do governo cria uma carta falsa de Cristine Lagarde (chefe do FMI) para atacar um político e as pessoas (porque pensam que na internet não há leis) não fazem nada.

– Portugal tem gurus que propõe que as grandes empresas deixem de pagar IRC.

– Temos imensos gurus sempre chateados com as remunerações altíssimas dos outros mas nunca com as próprias. Um verdadeiro record do guiness (boa oportunidade para se concorrer).

– Toda a gente gosta de malhar indiscriminadamente nos funcionários públicos – sobretudo naqueles que não são nomeados por X, Y ou Z.

– Portugal tem um ministro das finanças que todos os dias faz previsões irrealistas. Nos intervalos, promete desastres novos aos portugueses. E o pessoal acha isso o máximo e pede bis.

(Muito mais haveria para escrever mas a emissão fica por aqui)

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