Coisas Giras de Portugal em 2013 (10)

«Numa intervenção gravada para a conferência TSF/OTOC que se realiza hoje, Durão Barroso defende que a crise atual resulta das “escolhas económicas que não conseguiram resolver os problemas estruturais da competitividade portuguesa”.

O presidente da Comissão Europeia faz questão de notar que a crise atual resulta das “transformações estruturais na economia mundial” e das “escolhas económicas que foram prosseguidas que não conseguiram resolver os problemas estruturais da competitividade portuguesa”.

Essa opções, diz Durão Barroso, “levaram a uma acumulação de dívida pública que pura e simplesmente não era sustentável”.

Numa intervenção gravada para a conferência TSF/OTOC que se realiza hoje para assinalar os 25 anos da TSF, Durão Barroso deixa uma mensagem de optimismo, até porque “tem vindo a ser possível restaurar a confiança dos investidores em Portugal», permitindo o país «ganhar uma credibilidade que lhe permita financiar-se por si mesmo”.

“Apesar da situação difícil que o nosso país actualmente atravessa, eu acredito que vai ser capaz de ultrapassar as dificuldades, com muita coragem e muitos sacrifícios”, afirma o presidente da Comissão Europeia.

Durão Barroso destaca ainda o papel da União Europeia na ajuda financeira a Portugal, já que o país não tinha condições, não só “para se financiar no mercado internacional mas também para financiar o própiro funcionamento do estado português”.

“As próprias funções essenciais do estado português teriam de ser interrompidas por falta de meios financeiros”, conclui.»

TSF (28/02/2013)

«(…) Quando Durão Barroso se coloca na posição de que não tem nada a ver com a situação da economia portuguesa, vale a pena recordar duas questões (deixando de lado o papel subalterno a que se sujeita o presidente da Comissão Europeia):

1. Antes da crise do subprime, foram os Governos do PSD, em especial o de Barroso e o de Santana, os que mais fizeram crescer a dívida, sendo que o de Sócrates foi o único que a reduziu. Pode confirmar-se isso num estudo de Ricardo Reis intitulado O consumo público em Portugal. Um olhar desde 1985. Veja-se também o que diz Luís Reis Ribeiro num artigo intitulado Governo de Barroso foi o que mais subiu dívida antes do subprime.
2. Quando a Europa se apercebe dos efeitos da maior crise dos últimos 80 anos, procurou, ainda que timidamente, incentivar os governos a apostar no investimento público. O próprio Durão Barroso anunciou um plano de propostas para o relançamento da economia europeia, orçado em 200 mil milhões de euros. Foi nesse contexto que o Governo de então se propôs tomar medidas nos seguintes eixos prioritários: modernização do parque escolar, energias renováveis, eficiência energética e redes de transporte de energia, modernização da infra-estrutura tecnológica (redes de banda larga de nova geração) e reabilitação urbana. Portanto, com o apoio da Comissão Europeia (e de Durão Barroso).»

Miguel Abrantes (01/03/2013) (1)

Comentarium: Desejo uma vida feliz a quem ainda acreditar numa palavra de Durão Barroso. Tenho pena que José Sócrates seja um bode expiatório (isto independentemente dos muitos erros propositados que cometeu)… Embora o texto de Miguel Abrantes mostre também outras coisas, que o leitor terá que descobrir sozinho.

(1) Blogue Câmara Corporativa.

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