Coisas Giras de Portugal em 2013 (9)

pedro passos coelho o ditador

 

«A Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas – CPPME, na reunião do Executivo da Direcção de hoje, procedeu à análise da situação económica e social, tendo concluído que:

  1. As previsões e chamadas de atenção que fez ao Governo, em Julho do ano passado, aquando da reunião com o senhor Primeiro-ministro, infelizmente continuam a dar razão à CPPME, na medida em que os dados conhecidos são dramáticos, relativos ao exercício de 2012, se não vejamos:
    1. Na Restauração e Bebidas encerraram 11.000 empresas e perderam o seu posto de trabalho 37.000 trabalhadores;
    2. Na Construção Civil encerraram 13.000 empresas e foram para o desemprego 107.000 trabalhadores;
    3. No Comércio e Serviços também os encerramentos se avolumam e perderam o seu emprego 56.000 trabalhadores;
    4. No Ramo Automóvel encerraram 2.500 empresas e perderam o seu posto de trabalho 23.000 trabalhadores. As vendas atingiram o nível mais baixo desde 1985;
    5. No Sector das Farmácias cerca de 1.600 farmácias têm os fornecimentos suspensos.

2. Os dados divulgados na semana passada referentes ao Inquérito ao Emprego do 4º trimestre de 2012, confirmam a tendência de agravamento do desemprego e de destruição do emprego dos últimos anos e em especial após a assinatura do Memorando da Troika, no final do 2º trimestre de 2011. Nos últimos 18 meses, entre o 2º trimestre de 2011 e o 4º trimestre de 2012 foram destruídos em Portugal 361.200 postos de trabalho. No final do ano de 2012 o desemprego em sentido restrito atingiu os 923.200 trabalhadores (16,9%) e em sentido lato 1.443.900 (25,3%). Os dados agora divulgados provam, em toda a linha, o falhanço das políticas económicas do Governo.

3. Aliás, a semana passada foi uma semana negra para a credibilidade do Governo e para a política económica e social que teimosamente tem vindo a prosseguir. A publicação dos dados preliminares da evolução do PIB em 2012 vieram mostrar uma vez mais que o Governo subestimou o impacto negativo das suas políticas, com a previsão actual do INE a apontar para a queda do PIB em 2012 de 3,2%. Ainda hoje o País foi confrontado com declarações do Ministro das Finanças que acentuam o desnorte do Governo ao assumir que a recessão se situa nos 2% ao invés do previsto 1% e declarar que vai accionar o plano B, ou seja vai cortar já hoje 800 milhões de euros na despesa pública, logo no decorrer do 1º trimestre.

4. Igualmente, os dados do Comércio Externo de Mercadorias mostram que, as nossas Exportações, depois de desacelerarem de trimestre para trimestre ao longo de 2012, terminaram o ano com uma queda em volume. Todos estes sinais indiciam o já previsível fracasso da execução orçamental mensal de 2013 e do não cumprimento das metas orçamentais em 2012 e 2013.

5. Os resultados práticos desta política estão bem patentes na queda a pique do volume de negócios no Mercado Interno, com quebras na casa dos 30, 40 e 50% e onde operam mais de 84% das MPME. (…)»

CPPME (23/02/2012) (1)

«O governo confirma que pagou mais de 11 mil euros pela realização da conferência “Pensar o futuro – Um Estado para a sociedade”, que se realizou em meados de Janeiro no Palácio Foz à porta fechada, para debater a reforma do Estado com a sociedade civil.
De acordo com uma resposta do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, a deputados do PS, a conferência foi “naturalmente suportada por recursos público e pelo apoio logístico do executivo”, uma vez que se tratou da primeira iniciativa de debate sobre a reforma do Estado com a sociedade civil, pedida pelo executivo a Sofia Galvão, que ficou a cargo da organização. “Sempre se assumiu que a iniciativa partira do governo”, explica Carlos Moedas. Na mesma resposta, o secretário de Estado quantifica dizendo que, “de forma a limitar os custos da conferência, o governo decidiu utilizar o Palácio Foz em vez de arrendar um espaço. Os custos directamente suportados pela Presidência do Conselho de Ministros foram de 11 622 euros mais IVA” pelos dois dias em que decorreu o evento.
A resposta de Moedas surge depois da polémica que ocorreu aquando da realização da conferência, com vários órgãos de comunicação a protestar pelo facto de os jornalistas não poderem citar os participantes, o que, na opinião dos deputados socialistas autores da pergunta, viola a liberdade de imprensa. Na pergunta, os deputados do PS Pedro Delgado Alves, Maria de Medeiros e Manuel Seabra criticam que a conferência tenha sido anunciada como iniciativa aberta e afinal ter restringido a cobertura noticiosa, com vários órgãos de comunicação a fazer black out ao evento. Os deputados lembram que, “no quadro constitucional em vigor entre nós, a liberdade de imprensa representa uma liberdade fundamental indispensável à salvaguarda do regime democrático”, e defendem que, tratando-se de uma iniciativa “co-organizada pelo governo, se impõe o respeito integral pelo regime dos direitos, liberdades e garantias”.
Na resposta, Carlos Moedas justifica a opção por uma conferência à porta fechada, sem que os jornalistas pudessem citar directamente os participantes, dizendo que a responsável pela organização do evento, Sofia Galvão, informou o executivo de que “iria utilizar regras sobre atribuição de citações habitualmente aplicadas em encontros nacionais e internacionais, regras essas que visam encorajar uma discussão descomprometida, interactiva e profícua”. O responsável clarifica ainda que, ao contrário do que foi tornado público, o executivo não irá divulgar qualquer síntese do que aconteceu e os registos em vídeo apenas servem para arquivo e que “contribuíram para a tarefa de elaboração do relatório final”.»

Liliana Valente (20/02/2013) (1)

(1) Excerto de um comunicado da  Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME).

(2) Notícia do jornal I.

Fonte da Imagem: Farinha Amparo.

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