Coisas Giras de Portugal em 2012 (73)

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«A previsão é da OCDE e é validada pela UTAO no seu último relatório onde avisa: se a tendência se mantiver, a dívida pública pode ser insustentável.

O processo de deflação interna dará este ano um sinal macroeconómico vigoroso: pela primeira vez em várias décadas os preços do total da economia (medidos pelo deflator do PIB) cairão em 2012. A previsão é da OCDE e é validade pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental no seu mais recente relatório sobre dívida pública, no qual já leva em conta os dados mais recentes do PIB referentes ao terceiro trimestre de 2012.

Na base da dados da Comissão Europeia não há registo de um valor negativo anual no deflator do PIB desde o início dos anos 80. Nos anos 70 o valor médio da década foi de 16%, o que aponta para que nunca tal tenha acontecido em Portugal em democracia (ver gráfico com dados da Comissão e previsão da OCDE).

Os especialistas da UTAO têm o cuidado de avisar que esta evolução não “representa necessariamente um risco deflacionista”  para a economia portuguesa no sentido de uma queda prolongada de preços.

“Presume-se que esta redução se deva ao ajustamento de preços inerente ao processo de redução da procura interna e de restabelecimento da competitividade externa da economia” , lê-se na nota a que o Negócios teve acesso.

Mas especialistas deixam claro que, caso a tendência não se inverta, a economia não suportará esta situação por muito tempo: “Este período de desinflação e de baixo crescimento económico terá de ser necessariamente transitório e é pouco compatível com taxas de juro elevadas, sob pena de tornar imparável a dinâmica de crescimento da dívida pública”, escrevem, acrescentando: “Com efeito, os cenários de sustentabilidade da dívida admitem habitualmente um crescimento do PIB nominal de 4% a longo prazo, algo que não se prevê que venha a ocorrer até 2016”

O deflator do PIB estima a evolução dos preços no total da economia e considera os bens e serviços produzidos internamente num determinado ano. Já a inflação – ou deflator do consumo privado – considera um cabaz fixo de bens e serviços consumidos pelas famílias.

A taxa de crescimento nominal da economia resulta do crescimento real do PIB (em volume, isto é sem o efeito dos preços) e da variação dos preços entre dois anos (o deflator do PIB). (…)»

Rui Peres Jorge (12/12/2012) (1)

«Portugal e outros sete países partilham o rating BB+, o oitavo pior do mundo, indica a agência Fitch num retrato sobre a saúde de 107 Estados soberanos. Dito de outra forma, a qualidade da dívida portuguesa, que já é considerada “lixo” ou “investimento de qualidade especulativa”, ainda poderá degradar-se mais.

O estudo “Sovereign Data Comparator” mostra que a República portuguesa é, nesse grupo de países, a que tem piores perspetivas económicas para os dois próximos anos: a Fitch prevê uma recessão de 3,2% este ano, seguida de nova contração de 1,5% no próximo e uma retoma insípida de 0,8% em 2014.

No grupo de Portugal, surgem ainda Uruguai, Filipinas, Macedónia, Hungria, Guatemala e Costa Rica, mas todos vão crescer mais do que a economia nacional.

Portugal foi atirado para o lixo em novembro de 2011 pela Fitch (as outras agências S&P e Moody’s fizeram o mesmo). A avaliação foi reiterada em novembro deste ano, com a empresa a dizer que a nota do país “reflete o progresso feito no âmbito do programa do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia até à data”, mas manteve a perspetiva negativa, ameaçando o país de novo corte na classificação.

Razão: os riscos políticos, de implementação e macroeconómicos” associados à aplicação do programa de ajustamento.

Ainda de acordo com a Fitch, o país pior classificado do mundo é a Argentina (com rating CC), logo a seguir vem a Grécia (com CCC).

Angola, que se está a tornar num dos maiores parceiros comerciais e de investimento de Portugal, tem um rating BB-, apenas um nível abaixo.»

Luís Reis Ribeiro (10/12/2012) (2)

(1) No Jornal de Negócios.

(2) No sítio Dinheiro Vivo.

Fonte da Imagem: Dissidente-X.

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