O orçamento que não merece ver a luz do dia

«A maioria parlamentar aprovou o orçamento que vai reduzir o nível de vida da generalidade dos portugueses às suas necessidades básicas. Já diminuímos tudo: o consumo de água, luz e energia; cortámos na compra de vestuário, livros, idas ao cinema, teatro e restaurantes; reduzimos o consumo de tabaco e álcool; falamos menos ao telemóvel, deixamos mais vezes o automóvel em casa; tirámos os miúdos da escola privada e pusemo-los na pública; as idas ao médico e ao dentista restringem-se às situações de emergência; em viagens já não se pensa e férias fora de casa tornaram-se um luxo.

Agora chegou o tempo de reduzirmos os custos na alimentação. Quem comia produtos frescos passou para os congelados; quem consumia congelados passou para as massas; e quem comia massas passou para as papas. Pela primeira vez desde 1974, caiu em valor absoluto o consumo de produtos alimentares. Não estamos só a empobrecer. Estamos a caminhar para uma degradação das mais elementares e básicas condições de vida.

Ora é esta tendência que o Orçamento do Estado para 2013 agrava de forma insuportável. As pessoas ainda não perceberam o que lhes vai cair em cima. Mas quando virem o recibo de vencimento no final de janeiro, compreenderão quão brutal é o tsunami fiscal que lhes vai arrasar o nível de vida e colocar-nos a todos a pensar em
meios para sobreviver até ao fim do mês.

(…) Agora, contudo, só há duas maneiras de o travar: ou através do veto do Presidente da República ou mediante o seu pedido de fiscalização preventiva do
diploma ao Tribunal Constitucional. Parece óbvio que Cavaco não fará nem uma coisa nem outra. O máximo que se pode esperar do fantasma que habita Belém é uma mensagem no Facebook. Resta, pois, que 23 deputados se reúnam para fazer esse pedido de fiscalização (…), honrando o mandato que lhes foi concedido pelo
povo.»

Nicolau Santos (01/12/2012) (1)

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(1) Artigo de opinião no jornal Expresso. Citações tiradas do blogue Câmara Corporativa.

Fonte da Imagem: Dissidente-X.

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