Coisas Giras de Portugal em 2012 (54)

«O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou os esclarecimentos do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, sobre o futuro da RTP e da agência Lusa “demagógicos e perigosos”, alertando para as consequências da pressa em alienar um canal de televisão.

Em comunicado, a direcção do SJ apelidou os esclarecimentos prestados na terça-feira pelo ministro com a tutela da comunicação social, na Assembleia da República, sobre a RTP e a agência Lusa de “demagógicos e perigosos”, considerando que “a pressa do ministro em consumar rapidamente a sua missão está a levar a desperdício de fundos públicos e ao desrespeito pela Assembleia da República”.

“O Governo e o ministro clamam a patriótica necessidade de conter os gastos do Estado e das empresas do sector empresarial do Estado, mas decide recorrer a ‘conselheiros’ externos, seguramente bem pagos, quando tem certamente juristas e outros técnicos nos seus quadros com capacidade para assessorar o processo”, declarou o sindicato.

Por outro lado, o SJ defendeu que “ao precipitar este processo sem submeter à Assembleia da República uma proposta de revisão da Lei da Televisão, o ministro pretende começar a consumar a privatização de um canal da RTP antes mesmo de o Parlamento alterar em Lei da República a arquitectura do serviço público de televisão, em claro e profundo desrespeito pelo Parlamento e pela legislação em vigor”.

A estrutura sindical criticou ainda a comparação feita por Miguel Relvas entre o esforço do Estado com a RTP e com dois centros hospitalares (de Santa Maria, em Lisboa, e de São João, no Porto), acusando de “recorrer à demagogia de efeito fácil e garantido junto da opinião pública”.

“A verdade é que o saneamento antecipado da dívida está evidentemente ligado ao processo de privatização e de desmantelamento pretendido”, explica, criticando que se continue “a alimentar a ideia de que a RTP presta um serviço público caro”.

“Pelo contrário, é dos mais baratos da Europa”, acrescentou. (…)»

Lusa (11/07/2012) (1)

«Tanto a administração como o governo escolhem esta semana novos conselheiros para a RTP.

A administração da RTP já escolheu a equipa de advogados que a vai aconselhar na produção do plano de sustentabilidade económica e financeira e de reconfiguração de actividade. É o escritório de Fernando Campos Ferreira e Sá Carneiro, soube o i.

Além do gabinete de acompanhamento jurídico, também até ao fim da semana ficará seleccionada a consultora que vai acompanhar a administração da televisão pública no processo de reconversão, que vai ser accionado independentemente do avanço do processo de privatização.

Este processo de escolha de assessores por parte da RTP é independente da nomeação, que será feita pelo governo, de conselheiros para o processo de privatização.

Na semana passada, numa audiência na comissão de Ética do parlamento, o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares – que tem a tutela da RTP – voltou a insistir que o processo de privatização da televisão pública vai mesmo para a frente. Na mesma altura, anunciou que esta semana seriam nomeados os assessores para o processo de privatização.»

Diário Económico (19/07/2012)

«O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD defende que Miguel Relvas está a ser alvo de uma estratégia ao serviço de grupos de comunicação social e da mais “brutal campanha” de ataques de que há memória.

Em declarações à TSF, Carlos Abreu Amorim diz que este “ataque” a Relvas obedece a uma agenda de interesses de grupos de comunicação social, uma estratégia que não vai surtir efeito, porque Passos Coelho vai resistir.

Miguel Relvas é o ministro com a tutela da comunicação social e defende a privatização da RTP.

“Miguel Relvas está a ser alvo da mais brutal campanha que eu me lembre que alguém tenha sido sujeito, um ministro, nomeadamente nos tempos democráticos. Pedro Passos Coelho não é pessoa para mudar ministros ou fazer remodelações governamentais dos direitos mediáticos. Julgo que a pior receita que poderia haver para a democracia é uma remodelação em virtude das agendas mediáticas e dos grupos de interesse da comunicação social”, afirmou à TSF.

Amorim criticou também Marcelo rebelo de Sousa, pela sugestão que o comentador político, sobre a possibilidade de substituir Relvas por Marques Mendes. “O meu primeiro comentário não pode deixar de ser a enorme felicidade que se percebeu no professor Marcelo Rebelo de Sousa que este é o seu exercício favorito, traçar cenários e também acabar por, utilizando uma expressão que está agora muito na moda, queimar alguns possíveis ou putativos candidatos a substituir o ministro Miguel Relvas”, sublinha.»

Jornal de Negócios Online (16/07/2012)

(1) Sol.

Fonte da Imagem: Dissidente-X.

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