Coisas Giras de Portugal em 2012 (46)

«Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro, manifestou-se satisfeito com a quarta avaliação da troika ao programa de ajustamento, no âmbito da assistência a Portugal. A troika deu nota positiva ao Governo e Passos salienta o “sucesso” alcançado pelo executivo. Passos promete não vacilar perante as reformas exigidas.

O quarto exame regular da troika ao Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal decorreu com bastante sucesso”, realçou Pedro Passos Coelho, em declarações à Imprensa em São Bento, na residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa.

O chefe de Governo salientou também que o ritmo das reformas que estão inscritas no programa “mereceu elogios” da troika, que segundo Passos Coelho deixou Portugal satisfeita com a evolução que notou, nos últimos meses.

O líder do executivo negou que tivessem sido feitas exigências no setor energético, no dia em que o Diário Económico revelou que a troika poderia avançar com a imposição de novos cortes no setor energético, uma vez que esperava que o Governo tivesse aplicado maiores poupanças nos cortes das rendas excessivas na área da energia.

Passos desmentiu esse cenário, mas a verdade é que o setor energético mereceu um reparo FMI, BCE e comissão Europeia. “Há um progresso em reduzir a carga indevida sobre os consumidores e os contribuintes, através de um aumento da concorrência e da redução das rendas nos setores de redes e serviços, incluindo o setor elétrico. É necessária maior determinação para avançar com reformas que mexam nos interesses políticos e interesses instalados”, realçou a troika em comunicado.

(…)

Pedro Passos Coelho destacou o lado positivo da avaliação da troika: “Os resultados são bastante positivos e demonstram que Portugal está a cumprir tudo o que é relevante do Programa de Assistência Económica e Financeira”.

Sobre a necessidade de “maior determinação para avançar com reformas que mexam nos interesses políticos e interesses instalados”, que o comunicado da troika aponta, Passos Coelho salienta que qualquer reforma implica o corte com poderes instituídos. O primeiro-ministro não terá qualquer problema em combater esses interesses.

“Quando há reformas públicas, há sempre reações negativas. No entanto, o Governo que eu lidero não costuma ‘chorar’ perante as resistências que, por vezes, são encontradas no momento em que se tentam implementar reformas”, afirmou o primeiro-ministro.

O Governo vai “prosseguir o caminho que tem definido”, uma vez que, segundo Passos Coelho, “o país está impaciente”, para ver resultados da intervenção do executivo. “E alguns resultados já estão a ser sentidos”, congratulou-se Pedro Passos Coelho.»

Miguel Moreira (04/06/2012) (1)

«O secretário de Estado adjunto e da Saúde admitiu publicamente que algumas terapias usadas em alguns pacientes com cancro podem deixar de ser financiadas em breve pelo Serviço Nacional de Saúde. Leal da Costa põe a possibilidade de reduzir a cobertura até agora assegurada e deixar de pagar os tais atos que ele (ao contrário dos médicos que os usam) considera de “eficácia duvidosa”. Adiantou, como exemplo “extremo”, as terapias que prolongam por pouco tempo a vida de alguns doentes de cancro. A Ordem dos Médicos e duas associações de doentes oncológicos consideraram esta afirmação “alarmante para os doentes” e as declarações do governante “desumanas” e “perversas”.

Para além de doentes e médicos, muitas almas sensíveis terão ficado chocadas com esta ideia. Julgarão que, agora sim, o governo ultrapassou a fronteira que a dignidade humana exigiria. Que cabe ao Serviço Nacional de Saúde lutar até aos limites do conhecimento científico e da vontade de doentes e famílias, apoiados pelo saber dos médicos, pela vida das pessoas. E que o momento da morte não pode depender do dinheiro que cada um tenha na carteira ou no banco.

Que parte do que se está a passar nos últimos dois anos não perceberam?

Não ouviram dizer que o nosso Estado era gordo? Julgavam que a gordura era o quê? As parecerias público-privadas? Os benefícios fiscais à banca? O resgate a instituições financeiras falidas? O Estado sempre foi gordo para quem mais tem. O que o Estado Social trouxe de novo é que passou a tratar dos mais pobres. Não é o Estado Social incomportável? Julgavam que o poder diferenciado de pobres e ricos não se ia sentir na hora de emagrecer o Estado? Achavam que aquele que é, segundo os rankings internacionais, um dos melhores sistemas públicos de saúde de mundo era compatível com a dieta do Estado? (…)»

Daniel Oliveira (04/06/2012) (2)

Comentarium: O ódio do governo de Pedro Passos Coelho aos portugueses está de boa saúde.

(1) PT Jornal.

(2) Blogue Arrastão.

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