Coisas Giras de Portugal em 2012 (44)

«Dívida do empresário português, que é também presidente do clube Naval 1º de Maio, da Figueira da Foz, passou do BPN para a empresa estatal Parvalorem, mas Aprígio Santos garantiu ao “Correio da Manhã” que o grupo tem “bons activos” para pagar o que deve.

O Estado assumiu, através da Parvalorem, a dívida bancária que o grupo empresarial de Aprígio Santos (presidente do clube Naval 1º de Maio) tinha com o BPN e que, segundo o “Correio da Manhã”, chega a 130 milhões de euros.

O empresário confirmou a existência de uma dívida, mas não o montante, tendo indicado desconhecer se o crédito passou ou não para a Parvalorem, a empresa criada pelo Estado para ficar com os créditos de difícil cobrança do Banco Português de Negócios (BPN).

Mas Aprígio Santos diz também ser credor do BPN. “O grupo de empresas tinha créditos do BPN e tem créditos do BPN. O grupo de empresas tem uma acção em tribunal contra o BPN de grande montante”, declarou o empresário.

Aprígio Santos assegurou ainda que as dívidas estão “tuteladas por terrenos hipotecados”. “Ninguém paga as minhas dívidas por mim. Somos um grupo familiar grande com bons activos”, sublinhou o empresário ao “Correio da Manhã”.»

Jornal de Negócios  Online (28/05/2012)

«O turismo de luxo no Alqueva vai receber os primeiros turistas em 2012, ano em que será concluída a primeira fase do Parque Alqueva, megaprojecto de José Roquette num investimento de 940 milhões de euros. Golfe, marina, Wine Club e hotel com 250 camas são as primeiras infra-estruturas a inaugurar em Reguengos de Monsaraz.

impulso para a concretização da primeira fase de obra -com um custo de 80 milhões de euros -, é dado esta segunda-feira naquela cidade com a assinatura de um contrato de investimento de 50 milhões de euros entre a AICEP e a Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações (SAIP). A cerimónia é presidida pelo ministro da Economia, Vieira da Silva, e inclui ainda a inauguração das instalações  do pólo de Desenvolvimento Turístico de Alqueva.

O Parque Alqueva é o primeiro projecto a iniciar obra de um total de seis empreendimentos turísticos previstos para as margens de Alqueva, num investimento superior a 1,2 mil milhões de euros e financiados por empresas de magnatas como Aprígio Santos, António Mexia ou Ricardo Salgado.

O projecto de Roquette será construído nas próximas duas décadas em três herdades do concelho de Reguengos e irá gerar um total de 2103 postos de trabalho. Os restantes cincos projectos irão criar mais de 700 oportunidades de emprego. (…)»

Alexandre M. Silva (21/12/2009) (1)

«O empresário e presidente do clube Naval 1.º de Maio, Aprígio Santos, vai construir um empreendimento turístico junto às margens do Alqueva em duas propriedades compradas ao ex-eurodeputado do CDS-PP, Rosado Fernandes. As herdades do Xerez e dos Gagos, ambas situadas em Monsaraz, concelho de Reguengos de Monsaraz, foram adquiridas em Novembro por cerca de 12,5 milhões de euros, apurou o CM junto de fonte próxima do processo.

O projecto turístico, apresentado durante o protocolo de elaboração dos planos de urbanização e de pormenor entre a autarquia de Reguengos de Monsaraz e a Aprigius – Companhia de Investimentos Imobiliários Comerciais, empresa do dirigente desportivo, prevê a construção de três aldeamentos com arquitectura tradicional e uma zona desportiva, refere um comunicado da autarquia.
Aprígio Santos, conhecido como o ‘Abramovich da Figueira da Foz’ por ter comprado recentemente um avião para responder aos inúmeros compromissos empresariais nos ramos da hotelaria, restauração, construção civil e imobiliário, referiu na cerimónia que pretende “avançar com o projecto o mais rápido possível”. Contactado pelo CM recusou, no entanto, divulgar o valor do empreendimento turístico e o investimento realizado na aquisição das propriedades.
Rosado Fernandes, que recentemente publicou um livro que reúne troca de correspondência com a escritora Rita Ferro, já tinha adiantado ao CM em Outubro que estava prestes a vender a quinta do Xerez. “Não tinha condições para mantê–la. Foi um óptimo negócio”, disse após a venda das propriedades.
Nas herdades vizinhas, a do Xerez (191,31 hectares) e a dos Gagos (224,20), vão ficar instalados hotéis e moradias de baixa volumetria, divididos por dois aldeamentos, com um total de 340 camas, mais health club, club house, spa, zona comercial e de serviços, piscina, centro de conferências, campos e clube de ténis e campo de futebol. O terceiro aldeamento terá moradias e uma zona de equipamentos desportivos e de lazer. (…)»

Correio da Manhã (19/12/2012)

«O apart-hotel Colina Sol está há dois anos sem exploração turística. O edifício de 11 andares na falésia junto à praia de Centianes, Lagoa, está degradado e é objecto de guerra entre condóminos.

O maior proprietário, com 17 dos 124 apartamentos, é a Algarve Sol, comprada em 2006 pelo empresário Aprígio Santos. A empresa assumiu a exploração turística e a administração do condomínio até ao final de 2009. Um ano antes, quis fazer obras, mas o condomínio não autorizou por discordar dos orçamentos. O condomínio formou, em 2010, outra administração, que quer fazer obras de pintura e isolamento, mas está impedida pela Algarve Sol, que interpôs uma providência cautelar, por não reconhecer legitimidade às decisões das assembleias de condóminos realizadas pela nova administração. O caso vai ser discutido no Tribunal de Portimão, no dia 5 de Agosto.

Os apartamentos continuam a degradar-se por causa de infiltrações e, este mês, os ânimos exaltaram-se. A nova administração acusa a Algarve Sol de ter cortado a água e a luz das partes comuns, o que a empresa nega. Facto é, confirmado pelo CM, que a GNR teve de intervir no passado sábado, para permitir a instalação de um novo contador de electricidade comum, perante a resistência imposta por alguns elementos, alegadamente, da Algarve Sol. (…)»

Paulo Marcelino (18/07/2011) (2)

«Centro Comercial Foz Atlântico discutido em reunião de Câmara
O empresário Aprígio Santos voltou a submeter à discussão em reunião de Câmara o projecto para instalação de uma grande superfície comercial apresentando ao executivo um pedido de informação prévia.
O Centro Comercial Foz Atlântico contempla, entre outras valências, um hipermercado, lojas âncora e outras variadas, zona de restauração e seis salas de cinema.
A autarquia quer agora reunir com o empresário a fim de apurar “o interesse público” do projecto.

Invocando uma falta de dados suficientes que permita aquilatar a importância do projecto para o concelho, o executivo aprovou apenas, por unanimidade, a «reafectação de zonamento”, remetendo para mais tarde uma decisão definitiva.

A medida permite que o projecto – iniciado em 2006 – possa seguir a normal tramitação. No entanto, foi solicitada uma reunião com o empresário a fim de se poder perceber, ao pormenor, todas as valências deste projecto.

“Não faz sentido “chumbar” o projecto apenas pela questão do zonamento. Vamos manter conversações a fim de apurar a envolvência e analisar o interesse público”, considerou o presidente da Câmara, João Ataíde. Segundo foi informado, o arquitecto do projecto encontra-se disponível para efectuar as alterações sugeridas pelo departamento de Urbanismo.

A O Figueirense Aprígio Santos considerou que “um investimento desta natureza, nesta ou noutra cidade, deveria ser bem aceite tendo em conta que a criação de imensos postos de trabalho irá originar uma maior autonomia financeira para esta região. E neste processo, a prioridade seria para os habitantes da Figueira da Foz”

Sobre a medida aprovada em reunião de Câmara, o empresário diz esperar que “a Câmara tenha muita sensatez e possa desbloquear de uma vez por todas este processo que será, sem dúvida, uma mais-valia para a cidade, para o concelho e para a região centro”. (…)»

Jorge Lemos (09/07/2012) (3)

«Aprígio Santos, empresário e presidente da Naval 1º de Maio, foi condenado ontem pelo Tribunal Judicial de Portimão a dois anos de prisão (com pena suspensa) por um crime de dano contra a natureza e sete crimes de desobediência.

Em causa, estiveram trabalhos de gradagem e remoção de áreas de coberto vegetal na Quinta da Rocha, uma herdade de aproximadamente 200 hectares inserida na Rede Natura 2000.

A propriedade pertence à empresa Butwell, detida por Aprígio Santos, que ignorou por sucessivas vezes a existência de uma providência cautelar e de uma ação interposta pelo Ministério Público, para parar com os trabalhos.

O processo arrasta-se desde 2006 e culminou com a decisão do Tribunal, em primeira instância, de condenação do empresário a dois anos de prisão e ainda a uma multa, a pagar em seis meses, no valor de 150 mil euros, que reverterá a favor da Associação Almargem (Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve).

Contactado pelo Expresso, Tiago Branco, da Associação ambientalista “A Rocha” – uma das organizações que denunciou por várias vezes os atentados ambientais em curso – mostra-se obviamente satisfeito com a ‘mão pesada’ da Justiça: “Esta sentença é muito importante para a justiça ambiental em Portugal, porque premiou a verdade dos factos e a proteção da natureza. Infelizmente, em regra é muito fácil destruir, pagar multas e prosseguir com a construção de empreendimentos”, afirma.

No acórdão, os juízes consideraram que, apesar de os crimes poderem ser punidos apenas com pena de multa, tal não seria suficiente tendo em conta a atuação do arguido, que revelou “uma energia criminosa tenaz”.

Segundo o Tribunal Judicial de Portimão, o caso assumiu especial gravidade: “A ilicitude dos factos é elevada, já que enquadrada em actuação mais abrangente e tendente à destruição de património ambiental de considerável extensão e valor(…). O dolo é directo e persistente e a motivação é óbvia, o lucro à custa do património de toda a comunidade”.

Para além disso, os juízes consideraram que, apesar de Aprígio Santos não possuir antecedentes criminais, essa atenuante acabaria por ser relativizada face às obrigações sociais do arguido.

O Expresso tentou contactar Aprígio Santos, mas sem sucesso.»

Mário Lino (16/02/2012) (4)

Comentarium: É bom que Aprígio Santos tenha activos para pagar a  dívida, como alega. Senão podemos pensar que a verdadeira luta de classes é entre aqueles que vivem acima das possibilidades e têm alguém – o Estado, com os nossos impostos – para pagar as suas dívidas – e os outros que não têm ninguém que lhes pague as dívidas, têm de sofrer na pele a terapia de choque e ainda são linchados em praça pública com a acusação de viver acima das suas possibilidades…

(1) Correio da Manhã.

(2) Correio da Manhã.

(3) O Figueirense.

(4) Expresso.

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