Radicalismo da Terapia de Choque no seu melhor, na União Europeia (4)

 

“BRUXELAS, 16 Mai (Reuters) – O povo grego é responsável pelo futuro de seu país nas novas eleições e tem que estar ciente das consequências de seu voto, afirmou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, nesta quarta-feira.

A Grécia fará uma nova eleição em 17 de junho depois de os partidos políticos terem falhado em formar um governo após a eleição neste mês. Hostilidade contra um resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) significa que o partido esquerdista radical Syriza, contrário ao programa, pode se tornar o maior grupo no parlamento.

“Sobre o futuro do país… é importante que o povo grego agora tome uma decisão totalmente informado sobre as consequências de sua decisão”, afirmou em entrevista à imprensa.

“A decisão final para permanecer na zona do euro tem que vir da própria Grécia”, completou Barroso. “Estamos totalmente cientes que a atual situação pede muito do povo grego, e muitos sacrifícios…Temos que falar ao povo que o programa para a Grécia é o menos difícil de todas as alternativas difíceis”, disse ele.

A rejeição aos termos do resgate e à austeridade resultante elevou as especulações entre os investidores de que a Grécia pode eventualmente deixar a moeda comum.

Ministros das Finanças da zona do euro classificaram as declarações de que a Grécia pode deixar a região de moeda única como “propaganda e absurda”.”

Robert-Jan Bartunek (16/05/2012) (1)

O novo primeiro-ministro grego, Panayotis Pikramenos, designou nesta hoje um governo de 16 ministros, a maioria dos quais funcionários públicos e universitários, que terão como missão preparar as eleições legislativas de 17 de junho.

Entre os novos ministros estão professores universitários, um general da reserva e diplomatas. A pasta das Finanças será ocupada por George Zanias, um dos principais negociadores da operação de troca da dívida da Grécia no início do ano.

Petros Molyviatis, um diplomata de 83 anos, será o ministro dos Negócios Estrangeiros.

A 17 de junho, os gregos voltarão às urnas para eleger um novo Parlamento, depois de os principais partidos terem falahdo um acordo para formar um governo após as legislativas de 6 de maio.

A Grécia, abalada por uma forte recessão, manifestou na votação de 6 de maio a rejeição às medidas de austeridade instauradas em troca do plano de ajuda internacional. A permanência do país na Eurozona provoca dúvidas e cria instabilidade nos mercados.

O partido de esquerda radical Syriza, contrário às medidas de austeridade, é apontado como o grande favorito das legislativas.”

Diario Digital (17/05/2012)

Os depositantes gregos levantaram 1200 milhões de euros das contas bancárias, em apenas dois dias, de acordo com estimativas banqueiros em Atenas. Os valores são citados pelo jornal inglês Financial Times, que não identifica as suas fontes e que refere que responsáveis da banca na Grécia e na zona euro rejeitam a ideia de que se tenha instalado uma corrida aos depósitos.

Com ou sem pânico, a realidade demonstra porém que os gregos não parecem muito confiantes no sector bancário, que poderá mostrar-se o elo mais fraco, diz o mesmo jornal londrino, no esforço que a Grécia está a fazer para ultrapassar uma crise política e sanar as suas contas públicas de modo a evitar uma eventual bancarrota ou o abandono da moeda única europeia.

Nas sondagens, os gregos continuam a dizer que não gostariam de voltar a ter o dracma como divisa, mas, nos terminais de multibanco e nas agências bancárias, estão cada vez mais a mostrar que não acreditam que o país seja capaz de se manter na zona euro.

A revista alemã “Der Spiegel” – cuja última capa dizia “Adeus Acrópole” e, em letras mais pequenas, anunciava ter as razões por que a Grécia deve deixar o euro – relatava na edição online, na quarta-feira, que o valor dos levantamentos rondaria os 900 milhões de euros desde o início desta semana – que fica marcada pela convocação de novas eleições para 17 de Junho, depois de terem falhado as tentativas de formação de um Governo.

De acordo com as minutas da recente conversa entre o Presidente grego, Karolos Papoulias, e o governador do Banco da Grécia, George Provopoulos, registou-se no espaço de 24 horas, na passada segunda-feira, uma queda abrupta de 800 milhões de euros nos depósitos dos bancos gregos. O Presidente avisou depois os partidos que se estava perante “um grande medo que se poderia transformar num pânico”.

No país – que nomeou na quarta-feira um juiz, Panagiotis Pikramenos, para primeiro-ministro interino – a corrida aos depósitos continuou, apesar dos alertas presidenciais. Os números relativos aos levantamentos variam conforme as fontes. No jornal Guardian, dados noticiados na quarta-feira à noite diziam que os gregos tiraram 3000 milhões de euros desde 6 de Maio, dia em que se realizaram as eleições legislativas cujo resultado acabou por não permitir a formação de nenhuma maioria estável.

O mesmo jornal inglês noticia nesta quinta-feira que, na sequência da sangria de depósitos em Atenas, o Governo britânico está a preparar-se para o cenário mais gravoso – a saída da Grécia do euro –, que custaria qualquer coisa como 1 bilião de dólares (785 mil milhões de euros). (…)”

Publico (17/05/2012)

Comentarium: A loucura continua.

(1) Com Robin Emmott. Noticia da Reuters.

Fonte da Imagem: Fotografias e Imagens de Viagens.

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