Coisas Giras de Portugal em 2012 (40)

«A Comissão Europeia prevê que a economia portuguesa vai contrair este ano 3,3%, um valor mais pessimista do que o crescimento negativo de 3% esperado pelo governo.

Para 2013, Bruxelas aponta para uma recuperação modesta da economia no valor de 0,3%, uma previsão que é, de novo, pior que a do governo, que espera um crescimento positivo de 0,6%.

As previsões europeias para o desemprego são igualmente piores que as de Lisboa: 15,5% da população activa este ano e 15,1% no próximo, um ponto percentual, nos dois casos, acima do valores estimados pelo governo.

Estes valores foram divulgadas esta manhã pela Comissão Europeia no quadro das suas previsões económicas semestrais.

Para o conjunto da zona euro, Bruxelas prevê uma recessão de 0,3% este ano, a que se seguirá um crescimento positivo de 1% em 2013. Além de Portugal, seis outros países do euro estarão igualmente este ano em recessão: Grécia (-4,7%), Espanha (-1,8%), Itália (-1,4%), Holanda (-0,9%), Eslovénia (-1,4%) e Chipre (-0,8).

A Comissão confirma igualmente que a Espanha, França e Holanda não conseguirão reduzir o défice orçamental para 3% do PIB em 2013, como os respectivos governos se comprometeram no quadro do pacto de estabilidade e crescimento. A Bélgica, que tinha de atingir esta meta já este ano, também estará em falta.

O fracasso dos esforços destes países vai alimentar o debate em curso entre os governos europeus sobre formas de equilibrar austeridade e crescimento económico.»

Isabel Arriaga e Cunha (11/05/2012) (1)

«O primeiro-ministro afirmou hoje que “mantém” as afirmações sobre o desemprego poder ser uma oportunidade e acrescentou que Portugal “está cansado das crises artificiais” que querem “aproveitar qualquer coisa” para tentar criar “uma tensão enorme no país”.

“Acho que o país está um bocadinho cansado das crises artificiais e desta tentativa de distorcer e de aproveitar qualquer coisa para querer fazer uma tensão enorme no país. Sei bem o que disse e mantenho o que disse”, afirmou Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas.

O primeiro-ministro falava à entrada para um almoço-conferência do encontro de líderes de juventudes partidárias europeias de centro-direita, que decorre em Lisboa.

“O país precisa de retirar aos desempregados o estigma do desemprego e aqueles que estão nessa situação perceberão que terão, por parte do Estado, o apoio devido para se prepararem para um futuro. Mas precisam também, e toda a sociedade, de encarar a situação do desemprego como uma situação que é preciso vencer e não pode ficar estigmatizada nas pessoas”, acrescentou.»

O primeiro-ministro tinha sido confrontado pelos jornalistas com as críticas da oposição em relação a um discurso que fez na sexta-feira no qual apelou à “cultura de risco” e considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser “uma oportunidade para mudar de vida”.

Passos Coelho referiu, na sexta-feira, que “estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo”.

“Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade”, afirmou, durante a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Questionado hoje sobre o motivo porque foi mal interpretado pela oposição em relação a estas afirmações, o primeiro-ministro respondeu: “Não sei se foi mal interpretado ou se quiseram interpretar assim. Eu acho que quiseram interpretar assim”.

Passos Coelho negou ainda que as suas afirmações em relação ao desemprego sejam contraditórias com outras feitas pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, também na sexta-feira, que considerou que “a satisfação de vida de um desempregado não se recupera”.

“Não há nenhuma contradição”, sublinhou Passos Coelho várias vezes.

“O desemprego é hoje a maior chaga social que nós temos, não há duvida quanto a isso, e nós temos de a vencer. Mas não vamos vencer a situação do desemprego estigmatizando os desempregados. As pessoas que estão desempregadas percebem que precisam de novas oportunidades na sua vida e que essa situação não as vai vencer. É una situação que elas têm de vencer”, afirmou. (…)»

TVI 24 (12/05/2012) (2)

«(..) E não é que Portugal é o quarto país da OCDE com mais “empreendedores”, apenas ultrapassado pelo México, pela Turquia e pela Grécia? Sim, leram bem: a Grécia é o único país da UE com mais empreendedores que nós.
E os Estados Unidos da América, símbolo de uma nação rica que dá lições à Europa no que diz respeito à promoção do empreendedorismo, são o terceiro país da OCDE com menos empreendedores. Têm uma taxa de trabalhadores por conta própria cerca de três vezes menor que a portuguesa.
Na verdade, a correlação entre o índice da Heritage Foundation para a “liberdade económica” e a proporção de empreendedores na população é negativa.
Como é possível que todo o debate público esteja contaminado por uma percepção tão desadequada da realidade? Como é possível que o facto de Portugal ser dos países desenvolvidos com mais empreendedores – em proporção temos uma quantidade superior ao triplo da que existe nos EUA – tenha passado despercebido, sendo o discurso sempre no sentido de culpar a falta de «empreendedorismo» por quase todos os nossos males?

Tal enviesamento, a meu ver, só encontra explicação no poder que o dinheiro tem para condicionar o debate público. Para este problema só existe uma resposta: espírito crítico. »

João Vasco (21/11/2011) (3)

Comentarium: Ao contrário de muitos, eu penso que Pedro Passos Coelho sabe muito bem que realidade está a construir e as suas declarações casam perfeitamente com a política que vem desenvolvendo desde que foi eleito – uma política promotora da pobreza e da emigração. (Já para não falar da sua postura: o autoritarismo latente de quem quer determinar tudo o que se pode discutir ou não no espaço público.)

(1) Público.

(2) No sítio da Agência Financeira.

(3) Blogue Esquerda Republicana.

Leituras Complementares:
“Nunca tenho dúvidas e raramente me engano”

Anúncios