Coisas Giras de Portugal em 2012 (28)

«Testemunhas responsabilizaram, esta quinta-feira, “agentes à paisana” da polícia pela situação que levou a agressões de várias pessoas por elementos das forças de segurança, na manifestação de protesto frente à Reitoria do Porto , onde se encontra o primeiro-ministro.

Em declarações à Lusa, Carla Silva, empregada de limpeza na Câmara de Matosinhos, diz que o filho foi agredido a pontapé por “um polícia à civil”.

“Jovens estavam a protestar e a polícia decidiu virar-se à ‘porrada’. Quando eu vinha a fugir com o meu filho, um polícia à civil deu-lhe um pontapé. Conclusão: gerou-se uma confusão outra vez e ainda prenderam um jovem. E a polícia é que tem a razão. No nosso país é assim”, acrescentou.

Carla Silva garante que até à intervenção do polícia à paisana estava tudo pacífico.

“Estava a correr tudo muito bem, até o polícia à civil estragar tudo. Eles é que estragaram tudo”, acusou.

A empregada de limpeza disse ter decidido juntar-se à manifestação por ganhar 250 euros por mês, lamentando que “uns tenham tudo e outros não tenham nada”, mas garantiu nem saber que o primeiro-ministro iria estar à sua frente, dentro da Reitoria.

Carmo Marques, educadora de infância, recordou o momento em que foram chamar a atenção, junto à zona onde se encontrava, de que “andava por ali a polícia à paisana”.

“No mesmo momento em que isso foi dito, uns foram agarrados e dirigiram-nos daqui para a carrinha da polícia. Claro que depois foi tudo uma avalanche de situações, o pessoal tentou que eles não levassem as pessoas e ali à frente começaram a cair bastonadas”, descreveu.

“Estava uma rapariga no chão e eu meti-me entre ela e a polícia. Entretanto, um colega nosso foi preso e nós estávamos a dizer para o soltarem. A polícia também começa a chegar toda e iniciou-se a confusão. Pedi a identificação a um agente, mas ele não me disse absolutamente nada. Chamei o comissário e ele também não se dirigiu a mim. Agora, no fim, veio pedir desculpa, que ia a cair e por isso é que me tinha mandado um encontrão”, acrescentou.

Tal como Carla Silva, Carmo Marques garantiu que até à entrada em cena da polícia à paisana tudo estava a decorrer de forma pacífica.

A mesma garantia foi dada por um estudante da Faculdade de Letras que foi detido pela polícia durante vários minutos.

Estava tudo pacífico até ao momento em que dois polícias à paisana levaram, para a carrinha, um colega nosso. Estávamos a manifestar-nos contra esta celebração hipócrita do primeiro-ministro, que tenta tirar dividendos políticos de um momento social muito grave. E houve um colega nosso que, sem fazer nada, foi metido dentro de uma carrinha. Todos nos indignámos. Fui uma das pessoas que foram algemadas pela polícia na sequência da confusão gerada em torno da detenção, acrescentou.

Para o estudante, “fica patente quem é que lida bem com a democracia e quem são os provocadores”.»

Jornal de Notícias Online (22/03/2012)

«Cerca de 80 jornalistas, maioritariamente da agência lusa, estiveram hoje  concentrados em frente à Direcção Nacional da PSP, em solidariedade com os jornalistas agredidos ontem pelos agentes da polícia.

A jornalista da Lusa Ana Leiria, uma das organizadoras da manifestação desta tarde, diz que esta concentração é uma forma de protesto “contra a tendência crescente” para agredir os jornalistas que se encontram no “legitimo exercício da sua profissão”, disse ao jornal Público.

Em declarações ao i, o porta-voz da PSP lamentou o sucedido ocorrido ontem, durante a manifestação, afirmando que o caso já está a ser averiguado e “já foi aberto um processo”.

A Direcção de Informação da Lusa protestou ontem “com a maior veemência” contra “a agressão”, por agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), do fotógrafo da agência José Sena Goulão, durante uma manifestação em Lisboa.

Também Patrícia Melo, fotojornalista portuguesa da AFP, foi agredida no mesmo dia por um agente policial.

Em comunicado de impresa, a PSP justificou os seus actos como medidas de segurança, afirmando que já tinha avisado os jornalistas para andarem devidamente identificados.

“A PSP tem feito com a antecedência necessária diversos apelos aos órgãos de comunicação social (OCS) e a outros intervenientes que estão directamente envolvidos nestes cenários por força das suas funções, para a necessidade de se identificarem, colocando-se sempre do lado da barreira policial que os separa dos manifestantes em geral”.»

Beatriz Silva (23/02/2012)  (1)

(1) Jornal I.

Fonte das Imagens: I Online (fotografia da Reuters, da autoria do fotojornalista Hugo Correia); Dissidente-X.

Última Actualização: 24/03/2012

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