Coisas Giras de Portugal em 2012 (25)

Eis uma pequena montra das coisas giras a acontecer:

«O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu hoje em Mirandela que a “confiança é palavra chave”  no momento atual do país para “mobilizar os cidadãos e vencer as dificuldades”.

“A confiança é a palavra verdadeiramente chave neste momento. Sem confiança os empresários não investem, os empresários não contratam mais pessoas, sem confiança é difícil atrair o investimento estrangeiro, sem confiança os capitais procuram outras paragens, sem confiança é difícil mobilizar os cidadãos para vencer as dificuldades”, afirmou.

O Presidente da República falava no auditório municipal de Mirandela, no final de mais uma manhã passada em Trás-os-Montes, onde disse que fez questão de visitar para mostrar que “todos têm de ser mobilizados”.

Nos tempos difíceis que o país atravessa, o “desafio mais sério” para o presidente da República, “é o combate ao desemprego” e “a confiança é uma chave que pode abrir a janela de esperança no futuro para os nosso jovens”. (…)»

Lusa/Sol (17/03/2012) (1)

«No final da cerimónia de comemoração dos 20 anos da introdução da Bioética  Científica em Portugal, que decorreu na Faculdade de Medicina da Universidade  do Porto, Pedro Passos Coelho foi questionado pelos jornalistas sobre se  via algum conflito de interesses na posição de António Borges, tendo sido  perentório na resposta: “Nenhum”.

“O professor António Borges integra uma equipa que vai prestar serviço  de consultadoria à Parpública, e portanto ao Governo, num conjunto de matérias  que estão bem descritas e que realmente não contendem com a sua posição  quer na Fundação Champalimaud quer, se for essa a sua decisão, no Grupo  Jerónimo Martins, numa posição de administrador não-executivo. Não, não  há qualquer conflito”, respondeu.

O primeiro-ministro acrescentou ainda que lhe pareceu “muito correto”  da parte de António Borges “ter colocado previamente, e de forma tão transparente  ao Governo, essa questão porque não há nenhuma incompatibilidade legal,  mas podia o Governo ver, realmente, alguma incompatibilidade de natureza  política”. (…)»

SIC Notícias (17/03/2012)

«(…) “O programa [de ajustamento orçamental] está a ser executado” e em certa medida “com mais ambição”. “Não tenho grandes dúvidas que estes problemas de estabilidade financeira estarão resolvidos”, com o decorrer do ajustamento das contas do país.

Ainda assim, e apesar de o programa estar a ser cumprido e o país estar a trabalhar para alcançar também a estabilidade financeira, António Borges não esquece que é necessário também “recuperar a competitividade”. No entendimento de Borges essa tarefa está “também em curso”. “Tínhamos colocado no programa uma desvalorização fiscal, a alteração da Taxa Social Única (TSU) (…) e isso o Governo entendeu não fazer por razões que eles lá sabem”, afirmou. Porém, e mesmo sem uma alteração na TSU, “a verdade é que essa mudança de preços relativos está a acontecer”.

“É impressionante a forma como os salários estão a cair, tal e qual como se houvesse uma desvalorização da moeda”, acrescentou. Para António Borges “isto está a passar-se na economia com um extraordinário consenso e harmonia social” o que “é uma coisa inconcebível na Grécia e vamos ver se os espanhóis são capazes de fazer o mesmo que nós”. Para o ex-dirigente do FMI a redução dos salários está a acontecer com “consenso e harmonia social” porque os portugueses entendem que têm de apertar o cinto para assim recuperarem e tornarem a economia mais competitiva.

Porém, e apesar de haver pontos e que estão na trajectória correcta, António Borges considera que “há um ponto muito problemático”, que se prende com a “asfixia financeira”. Para o responsável, o país enfrenta um “problema de capital”, isto porque “o país está descapitalizado”. Mas esta questão de capital vai além da banca. “Apesar de tudo, a questão da banca”, defende, “resolve-se”, dado que existem 12 mil milhões de euros, no programa de ajustamento, que têm como destino a capitalização dos bancos que precisem. Por isso, é possível “ultrapassar as dificuldades de crédito”. O que se passa, na visão de Borges, é que “temos dívida a mais e capital a menos”.

Em jeito de conclusão, António Borges apontou que “crises como a que atravessamos são difíceis” mas “também grandes oportunidades”. Já no início da sua intervenção, tinham sustentado que as crises permitem tirar uma lição: “as crises são momentos de limpeza”.»

Ana Laranjeiro (16/03/2012) (2)

Comentarium: António Borges tem razão, as crises são momentos de limpeza. Mas não para si.

(1) Jornal Sol.

(2) Jornal de Negócios.

Ver Também: Porque o Estado Novo durou quatro décadas.

Fonte das Imagem: UNODC.

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